Stefan Zweig no País do Futuro

Já ouviu falar de Stefan Zweig? Mesmo que não, a hora é agora. O Centro Austriaco da UFPR, em colaboração com o Stefan Zweig Zentrum Salzburg e o gentil financiamento da Embaixada da Áustria, convida você para um encontro dedicado à vida e à obra de Stefan Zweig no exílio.

Ao longo de três blocos, teremos palestras com convidados especiais (em partes vindo diretamente da Áustria), conversas sobre textos selecionados do autor e uma oficina colaborativa voltada à criação de materiais didáticos. Será uma oportunidade para ouvir, trocar ideias e redescobrir Zweig a partir de perspectivas atuais sobre o exílio, a cultura e suas impressões sobre o Brasil. Pois foi no Brasil, mais especificamente na cidade de Petrópolis – RJ, em que o autor austríaco viveu com sua segunda esposa até o ano de 1942, quando cometeu suicídio.

As atividades contarão com momentos em alemão, acompanhados de apoio em português. Para as palestras e discussões, recomenda-se um nível mínimo de alemão, mas a participação de todos é muito bem-vinda! O evento acontecerá de modo presencial no campus Reitoria da UFPR nos dias 05/10 e 06/10, com participação ativa de Martina Wörgötter e Klemens Renoldner, do Stefan Zweig Zentrum Salzburg, além de nomes da UFPR, como Ruth Bohunovsky, Gisele Eberspächer, Angélica Neri e Catarina Portinho-Nauiack. Mais informações você pode conferir no nosso post do instagram e no próprio link de inscrição.

Para além disso, a Livraria Arte e Letra, no Centro de Curitiba, será local de um evento relacionado ao mesmo tema, já no dia 03/10. Participarão também os dois convidados da Áustria, além de Ruth Bohunovsky e Gisele Eberspächer.

Estamos muito empolgadas e esperamos nos ver por lá!

Casa Stefan Zweig em Petrópolis, RJ

Um autorretrato de Stefan Zweig e de seus tempos vividos

Susi Horn

Ler o livro Die Welt von Gestern: Erinnerungen eines Europäers (O Mundo de Ontem: Memórias de um Europeu) não só proporciona ao leitor uma imagem íntima de Stefan Zweig, como também um panorama histórico — mesmo que subjetivo — de sua época de vida.

Stefan Zweig nasceu no final de 1881, na capital do então Império Austro-Húngaro, Viena. Sua progressão no mundo literário foi aos poucos, mas ele teve a sorte, desejada por muitos autores, de encontrar sucesso ainda durante sua vida. Na verdade, seu sucesso foi tanto que, com a chegada ao poder de um certo homem de bigode perigosamente estreito no país vizinho, os livros de Zweig lá foram proibidos e queimados em praça pública.

O austríaco foi, além de romancista, biógrafo, dramaturgo, jornalista e libretista, também tradutor, atividade essa com a qual se distinguiu principalmente no início de sua carreira. A partir de 1919, no pós-guerra, se mudou para Salzburg, onde havia adquirido uma casa durante a Grande Guerra. De lá somente saiu em 1934, para a Inglaterra, devido também ao início de novas tensões na Europa, e, em 1941, emigrou para o Brasil em conjunto com sua segunda esposa, Lotte. Foi onde, em Petrópolis, deprimidos com o avanço de Hitler na Europa, ambos se suicidaram apenas um ano depois.

O livro Die Welt von Gestern dá conta de trazer sensações sobre o tempo que um simples livro de história não consegue suscitar. Isso, é claro, não significa que se deve substituir um pelo outro, mas que, devido à forma descritiva e sensorial que Zweig escreve, uma pessoa — como a autora que vos fala — que em geral não tem na história seu maior interesse e capacidade de memória, consegue apreender coisas que normalmente não apreenderia. Ademais, para quem é apaixonado por observar e dar atenção a detalhes, a descrição que Zweig fornece de personalidades que teve o prazer de conhecer é, na sua riqueza e personalidade, mágica. Ainda que Richard Strauss, Freud, Rilke, Joyce, Gorkij, Wells, Shaw, Rathenau, entre tantos outros, são obviamente descritos pelos olhos do autor, a leitura de suas descrições já é inspiradora pelo simples modo como foram escritas, fazendo surgir imagens tão fortes com o uso das palavras-chave cuidadosamente escolhidas. Estranho foi que, tendo casado duas vezes, Zweig não deu nem de longe igual atenção às esposas em seu livro. Exemplo para tal foi a confusão sentida durante a leitura de um trecho já mais avançado do livro, onde o autor conta como foi se mudar para Salzburg e repetidas vezes fala em “nós” ao tratar dos acontecimentos ali vividos. Fui descobrir apenas mais tarde que esse “nós” incluía sua esposa, à qual ele também só se refere com essa palavra, de modo que o leitor apenas descobre quem ela foi ao pesquisar por ela exteriormente ao livro. 

Por fim, voltamos a um aspecto admirável em Stefan Zweig: sua capacidade de ver verdades e humanidade em todos os homens, contrastando com o pensamento em preto e branco e a dominância das paixões que provavelmente desde sempre marcam os tempos políticos mais difíceis de uma era. Deixo aqui, numa tradução livre, um trecho do livro que pode fazer-te refletir, principalmente nos tempos polarizados que nem mesmo o século XXI nos fez superar. No contexto do trecho, Zweig contava como se envolveu em todo tipo de discussões anti-guerra quando passou pela Suíça durante a Grande Guerra, discutindo até tarde da noite com pessoas de todos os tipos, mas como começou a se entediar aos poucos até com aqueles mais confiáveis entre os parceiros:

“Mas até nos mais confiáveis me entediava o caráter infrutífero das discussões sem fim e o obstinado encaixotamento em grupos radicais, liberais, anarquistas, bolchevistas e apolíticos; pela primeira vez eu aprendi a observar o eterno tipo do revolucionário profissional que, pelo caráter meramente oposicional do seu cargo, se sente elevado em sua insignificância e se prende ao dogmático, porque em si ele não possui ao que se prender. Manter-se nessa bagunça faladeira significaria confundir-se, cultivar afinidades perigosas e comprometer sua própria convicção em sua segurança moral. […] De fato nenhum desses faladores se atreveu a um complô, nenhum desses improvisados políticos mundiais soube fazer política quando ela foi verdadeiramente necessária. Assim que começou-se a reconstrução após a guerra, eles se mantiveram em sua negatividade ranzinza e resmungadora […].”

Bem, assim é Stefan Zweig, que descreve de modo conciso e surpreendentemente filosófico. Afinal, não é à toa considerado um dos maiores escritores do século passado. Fica aqui a recomendação de suas obras, a começar por essa, que lhes dará a oportunidade de começar a entender quem foi esse homem. E fica também a recomendação de sermos mais como ele no seu pensar crítico, não nos deixando levar por paixões passageiras e radicalismos que apelam a essas mesmas paixões. 

Bons dias!

80 anos de Elfriede Jelinek – série de eventos comemora efeméride da autora

Em outubro de 2026, Elfriede Jelinek celebra 80 anos. Para honrar a autora, prémio Nobel de 2004, o Centro de Pesquisa Elfriede Jelinek da Universidade de Viena organiza uma série de eventos em seis cidades: Viena, Paris, Varsóvia, Nova York, São Paulo e Tóquio. A abertura será no dia 12 de março, no Palácio Imperial de Viena, e será transmitido ao vivo:

Link para o streaminhg: https://univienna.zoom.us/j/67141467695?pwd=YfJuM4OPjzqRWRveBF0r8dLLVnhbIV.1
senha: jelinek

O programa do evento inaugural encontra-se nesse link: https://www.ifvjelinek.at/veranstaltungen/weltautorinjelinek-auftakt/

O Centro Austríaco fará parte do evento em São Paulo, nos dias 5 a 7 de novembro de 2026 e publicará informações a esse respeito ao longo do ano.

Peça de Jelinek sobre reeleição de Trump tem leitura dramática disponível online

A peça Endsieg, da escritora austríaca Elfriede Jelinek, contou com duas leituras dramáticas, uma em inglês e outra em alemão, que estão disponíveis online.

Escrita em resposta à reeleição de Donald Trump para presidência dos EUA, a peça é uma espécie de sequência para Am Königsweg, escrita na primeira eleição do presidente há oito anos. O texto mostra o retorno de um “novo velho rei” permeado por fantasmas e sombras.

A ação foi uma cooperação entre o Martin E. Segal Theatre Center, de Nova York, e o Wiener Festwochen. A leitura dramática foi dirigida por Milo Rau e o texto em inglês contou com tradução de Gitta Honegger, que assina a tradução de vários textos de Jelinek. A leitura alemã foi feita pela atriz Ursina Lardi e a leitura em inglês por Nicole Ansari-Cox.

Professoras e alunas da UFPR traduzem livro sobre tradução de teatro

A editora Temporal traz para o Brasil uma importante referência para as discussões de tradução de teatro: se trata do livro “Teatro e Tradução”, da pesquisadora Margherita Laera. A obra foi traduzida pelas professoras Ruth Bohunovsky e Gisele Eberspächer e pelas alunas Ana Carolina Olivera Freitag, Juliana Fogiato Rodrigues, Laísa Viegas e Karen Silva no âmbito de uma disciplina do curso de Letras da UFPR.

No livro, a “estudiosa feminista, tradutora de teatro e migrante italiana” – como se autodefine na introdução do livro – analisa as questões éticas, políticas e estéticas que permeiam a tradução de teatro, e o processo de tradução em geral.

Mais do que oferecer respostas definitivas, Laera convida à reflexão sobre como a tradução pode desafiar o status quo e contribuir para uma cultura mais diversa e inclusiva. A obra desmonta ao longo de três capítulos a ideia de equivalência linguística, examina as relações de poder na adaptação teatral e argumenta que ampliar o repertório de traduções é essencial para democratizar o acesso ao teatro e diversificar as vozes presentes nos palcos. 

O livro é menos um manual e mais um diálogo: “O objetivo deste livro não é prescrever, mas questionar, criticar e propor pontos para discussões futuras”, escreve a especialista. Ao explorar conceitos como performabilidade, mostra como o processo de traduzir não apenas transporta significados, mas também influencia a encenação, a recepção e a interpretação do teatro em diferentes contextos culturais.

A edição conta também com um prefácio inédito de Alinne Balduino P. Fernandes, doutora em Dramaturgia e Tradução pela Queen’s University Belfast (QUB) e professora da UFSC.

O título está atualmente em pré-venda no site da Editora Temporal.

Bate-papo sobre Elfriede Jelinek e o trabalho de tradução teatral

A publicação mais recente da Editora Temporal, “O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades”, é o primeiro texto teatral da escritora austríaca Elfriede Jelinek publicado em português brasileiro.

O texto, traduzido por Angélica Neri, Gisele Eberspächer, Luiz Abdala Jr. e Ruth Bohunovsky, apresenta um dos traços fundamentais da escrita de Jelinek: a intertextualidade – sobretudo com a peça “Casa de Bonecas” de Henrik Ibsen, mas também com outros textos de diversas áreas (como política, feminismo, cultura pop etc.).

Após o fim da peça “A Casa de Bonecas”, de Henrik Ibsen, Nora passa a ser uma mulher emancipada, que sai em busca da sua liberdade. Como forma de tematizar questões sociais complexas, Elfriede Jelinek retrata as diferentes estruturas de submissão da mulher na sociedade. No caso de Nora, seja pela sua condição de operária de fábrica, seja em seu novo casamento com o Cônsul Weygang – personagem que ela emprestou de outra peça de Ibsen, “Pilares da Sociedade” – ela se vê submissa diante de todas as estruturas que a reprimem – mas também contribui, contrariando suas próprias intenções no começo da peça, para que essas estruturas não se alterem.

As tradutoras Ruth Bohunovsky e Gisele Eberspächer gravaram um vídeo contando mais sobre o processo coletivo de tradução do livro. Confira esse bate-papo:

E você também pode conferir a conversa da professora Ruth Bohunovsky com a pesquisadora do Interuniversitärer Forschungsverbund Elfriede Jelinek, Andrea Heinz, sobre a obra de Elfriede Jelinek. Acesse o vídeo aqui:

E não perca a oportunidade de assistir o documentário “Language Unleashed” que retrata a abordagem artística da linguagem que a escritora apresenta em seu trabalho. O documentário ficará disponível até dia 19 de abril no site da Semana da Língua Alemã. Assista aqui.

E para garantir seu exemplar dessa obra instigante de Elfriede Jelinek é só acessar o site da editora aqui. Não deixe de aproveitar os últimos dias de pré-venda!

Dia 19 de abril teremos nosso último evento de lançamento de “O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades”, desta vez o evento será realizado no Goethe-Institut de Curitiba, às 19:00! Além da venda do livro, o público conhecerá informações importantes sobre as referidas peças de Ibsen e Jelinek, da dramaturgista e diretora teatral do renomado Festival de Salzburgo, Bettina Hering, e poderá assistir à leitura dramática de trechos das peças. Aproveite esta oportunidade!

Quer saber mais sobre outras traduções realizadas por membros do Centro Austríaco? Confira aqui o vídeo sobre a peça “O presidente” de Thomas Bernhard, publicada pela editora UFPR, em que os tradutores Gisele Eberspächer e Paulo Rogério Pacheco Junior comentam sobre o processo de tradução deste texto. Você também pode adquirir seu exemplar clicando aqui.

Conheça também outros trabalhos de tradução do Centro Austríaco:

Áustria: uma história literária

Uma festa para Boris

O artista do exagero: A literatura de Thomas Bernhard

Thomas Bernhard e seus Seres Vitais

Lançamento de “O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades”

Começou a pré-venda de “O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades”, da vencedora do Nobel de Literatura Elfriede Jelinek! É seu primeiro texto teatral publicado em português brasileiro!

O texto, traduzido por Angélica Neri, Gisele Eberspächer, Luiz Abdala Jr. e Ruth Bohunovsky, apresenta um dos traços fundamentais da escrita de Jelinek: a intertextualidade – sobretudo com a peça “Casa de Bonecas” de Henrik Ibsen, mas também com outros textos de diversas áreas (como política, feminismo, cultura pop etc.).

Após o fim da peça “A Casa de Bonecas”, de Henrik Ibsen, Nora passa a ser uma mulher emancipada, que sai em busca da sua liberdade. Como forma de tematizar questões sociais complexas, Elfriede Jelinek retrata as diferentes estruturas de submissão da mulher na sociedade. No caso de Nora, seja pela sua condição de operária de fábrica, seja em seu novo casamento com o Cônsul Weygang – personagem que ela emprestou de outra peça de Ibsen, “Pilares da Sociedade” – ela se vê submissa diante de todas as estruturas que a reprimem – mas também contribui, contrariando suas próprias intenções no começo da peça, para que essas estruturas não se alterem.

Durante o mês de abril, teremos eventos de lançamento em São Paulo, Brasília e Curitiba!
Além da venda do livro, o público conhecerá informações importantes sobre as referidas peças de Ibsen e Jelinek, da dramaturgista e diretora teatral do renomado Festival de Salzburgo, Bettina Hering, e poderá assistir à leitura dramática de trechos das peças. Uma oportunidade única de se aproximar da obra teatral de Jelinek e se familiarizar com sua escrita!

Confira as datas e locais dos eventos:

São Paulo: 15 de abril, às 19:30
Goethe-Institut São Paulo
Rua Lisboa, 974, Pinheiros

Brasília: 17 de abril, às 18:30
Goethe-Zentrum Brasília
Avenida W4 Sul, SEPS 708/907, Conj. A – Asa Sul (Prédio da Aliança Francesa)

Curitiba: 19 de abril, às 19:00
Goethe-Institut Curitiba
Rua Reinaldino S. de Quadros, 33, Alto da XV

O livro pode ser adquirido com 15% de desconto até o dia 19 de abril no site da editora temporal!

Grupo de leitura de dramaturgia

Convidamos a todos para participar do nosso grupo de estudo e leitura de peças dramáticas!

Através da leitura de peças dramáticas de diversos autores em traduções brasileiras, e para quem tiver interesse, nas línguas originais (inglês, francês e alemão), o grupo pretende contextualizar e debater textos dramatúrgicos e refletir sobre questões da tradução teatral. A leitura em outras línguas não é obrigatória, pois a leitura em conjunto será em português.

Os encontros serão semanais e presenciais, com duração de 90 minutos, nas sextas-feiras. A leitura prévia dos textos não é obrigatória. 

Pré-requisito para participar: não há.

Público-alvo: alunos e interessados em teatro, dramaturgia e tradução.

Peças: a definir.

Interessados deverão preencher o formulário disponível aqui.

Programação do II Simpósio de Tradução Teatral: “O tradutor de teatro em questão: agência criativa, política e artística”

Confira a programação completa do evento que acontecerá na UFPR nos dias 6 e 7 de fevereiro.

Traduzir não é uma atividade neutra. A tradução nunca é “fiel” ao texto de partida, mas sempre à leitura que o tradutor ou a tradutora faz de algum texto “original”. E essa leitura depende fortemente do contexto histórico, político, ideológico em que se insere a pessoa incumbida com um projeto tradutório. Como bem lembra o estudioso e crítico de teatro Mark Fortier, “ignorar a posição de onde alguém fala tornou-se algo ingênuo” (2002, p. 13, tradução nossa). Partindo dessa premissa, o II Simpósio de Tradução Teatral pretende refletir, discutir e repensar os possíveis papéis de tradutores de teatro na cadeia interpretativa do mundo teatral. Como tradutores de teatro posicionam-se ou como são posicionados, no âmbito de seu trabalho e/ou na encenação de uma peça traduzida? Que tipos de envolvimento tradutores de teatro têm, em seu contexto, com o grupo teatral? Há remuneração pela tradução? Traduz-se por afinidade com o assunto, texto de partida ou dramaturgo ou dramaturga? Traduz-se para sobreviver? Como passatempo? Como forma de militância política? Para fins acadêmicos ou comerciais? Sob pressão de tempo ou até sob algum tipo de censura? Sozinho ou em formato colaborativo? E, afinal, como esses fatores influenciam o processo e o produto da tradução? Neste simpósio, reunimos apresentações que refletem sobre as condições, liberdades e restrições envolvidas na tradução de teatro para além das questões que se referem aos níveis micro e macrotextual. O evento com apresentações e duas oficinas de viés mais prático dará continuidade às conversas realizadas no âmbito do I Simpósio de Tradução Teatral, que ocorreu em 2020 na UFSC de forma virtual, sob o título “A tradução teatral em questão: a diversidade na teoria, nos métodos e na prática”.  

Para acessar a programação completa clique aqui.

E para participar como ouvinte faça sua inscrição aqui.

Lançamento: Uma festa para Boris, de Thomas Bernhard, em tradução brasileira

Demorou, mas chegou: mais uma tradução de uma peça de Thomas Bernhard: “Uma festa para Boris”.

Depois de “O presidente”, publicada em 2020 numa tradução de Gisele Eberspächer e Paulo Rogério Pacheco Júnior, a peça que acabou de chegar à livraria da UFPR é a segunda que foi traduzida por membros do Centro Austríaco (Hugo Simões e Luiz Abdala Jr.). Escrita e estreada em Salzburg em 1970, é a primeira grande peça do dramaturgo austríaco, está presente nos palcos europeus até hoje e contém tudo que torna a escrita literária e dramatúrgica do autor polêmico tão inconfundível: une o trágico com o cômico, o grotesco com o filosófico, um humor sombrio e um ritmo único na linguagem, manias monológicas das personagens centrais e relações humanas marcadas pelo cinismo, a crueldade e a incompreensão mútua, mas também pelo absurdo e o medo inerente à existência humana.

Como todas as peças de Thomas Bernhard (que, frequentemente, é comparado com Beckett e Sartre), “Uma festa para Boris” não se destaca pela ação, pelo enredo, mas pelas falas de teor existencialista, pela ironia e pelo olhar satírico e cruel sobre a sociedade contemporânea. A personagem central se chama a Bondosa, mas tudo o que lhe falta é a bondade. A peça apresenta os preparativos e a festa de aniversário que ela organiza para seu marido, Boris – que, assim como sua esposa e os outros 13 moradores do “Asilo de Aleijados”, não tem pernas e se locomove em uma cadeira de rodas. E, como sempre, o final é bernhardiano.

Além da tradução completa da peça, o livro traz um prefácio do encenador teatral, músico e mediador de literatura Flávio Stein, um posfácio de Manfred Mittermayer, especialista na obra de Bernhard e coordenador do Arquivo Literário de Salzburg, além de textos introdutórios de Helmut Galle (USP) e do tradutor e escritor Antônio Xerxenesky.

Com as festividades natalinas chegando, nada melhor do que presentear alguém com um livro que pode render um bom assunto para a ceia de Natal!

Acesse o site da editora clicando aqui.