A atualidade da obra de Ingeborg Bachmann discutida numa conferência internacional

Patricia Marie Jasiocha, mestranda do curso de Letras da UFPR

Entre os dia 17 e 19 de junho de 2026 na Literaturhaus Wien, foi realizado o congresso internacional Sagbares und Unsagbares — Werk und Wirkung Ingeborg Bachmanns aus gegenwärtigen Perspektiven, em comemoração ao centenário de nascimento de Ingeborg Bachmann.

O encontro reuniu pesquisadores de diferentes países e áreas disciplinares para discutir aspectos da prosa, da poesia, da correspondência e da recepção internacional da autora austríaca. Ao longo dos três dias, abordagens feministas, estudos de gênero, questões de tradução, história literária e poetologia coexistiram em diálogo.

O local do encontro teve um valor simbólico especial. A Literaturhaus ocupa atualmente o edifício da emissora de rádio em que Bachmann trabalhou no início de sua trajetória profissional, a Rot-Weiß-Rot (RWR), ou seja, trata-se de um espaço diretamente vinculado à história intelectual da autora.

Acesse o relatório completo do evento aqui.

O simbolismo político em O Livro do Xadrez, de Stefan Zweig

Adryan Martins (graduando em Licenciatura em Letras – Português e Alemão)

Em O Livro do Xadrez somos apresentados a Mirko Czentovic, um jovem em ascensão no mundo do xadrez que havia se tornado campeão mundial. O narrador, então, apresenta sua trajetória até alcançar essa posição.

Antes de adentrarmos na história, vale situar brevemente a obra. Trata-se de uma novela de Stefan Zweig, escritor austríaco de origem judaica, escrita durante seu exílio no Brasil e enviada ao editor poucos dias antes de seu suicídio, em Petrópolis, no ano de 1942. É a última obra de ficção do autor e a única em que ele aborda diretamente o nazismo, mesclando elementos autobiográficos ao enredo. Zweig era, à época, um dos escritores mais traduzidos e celebrados da Europa, e a novela acabou se tornando uma de suas obras mais conhecidas, não só pela força literária, mas por ter sido escrita no limiar entre a vida e a morte, enquanto a Europa que ele conhecia desmoronava sob o avanço do fascismo. O texto já rendeu duas adaptações para o cinema, inúmeras montagens teatrais e até uma ópera, o que ilustra bem que essa pequena obra de pouco menos de cem páginas segue sendo lida e relida. Li a tradução de Silvia Bittencourt, publicada pela Editora Fósforo.

O narrador, então, apresenta a trajetória de Czentovic até alcançar a posição de campeão mundial. Czentovic perdeu o pai ainda muito jovem e foi acolhido pelo padre da vila onde vivia. Sob seus cuidados, recebeu ensinamentos básicos, como escrita e matemática. No entanto, mesmo após inúmeras explicações, demonstrava grande dificuldade para compreender conteúdos que pareciam simples. Apesar disso, suas limitações não pareciam estar relacionadas à falta de esforço, pois procurava cumprir as tarefas e ordens que lhe eram dadas. É justamente nesse comportamento que começamos a perceber uma característica marcante de sua personalidade: Czentovic parecia não possuir iniciativa própria, limitando-se a realizar aquilo que lhe era solicitado. Não brincava com as outras crianças e, após terminar suas tarefas, permanecia sentado no quarto, olhando para o vazio, como se simplesmente aguardasse uma nova ordem.

Esse comportamento, aparentemente banal durante sua infância, ganha maior significado quando observamos a maneira como Czentovic se relaciona com o xadrez. Fora do tabuleiro, demonstrava dificuldades para compreender situações que exigiam maior abstração; dentro dele, porém, era capaz de agir com extrema precisão. O jogo oferecia justamente aquilo que parecia faltar em outros aspectos de sua vida: um sistema fechado de regras, posições e movimentos previamente determinados. Assim, sua personalidade e sua maneira de jogar começam a revelar uma relação particular com a ordem e com os limites impostos pelo próprio jogo.

Certa noite, enquanto o padre jogava xadrez com o general, o clérigo teve que sair. No meio de um jogo, deixou o general, o jovem e a mesa de xadrez. O general então convidou Mirko a jogar uma partida com ele e acabou sendo derrotado, resultado impactante devido às capacidades limitadas que o garoto tinha. O padre volta, e, sem acreditar no feito, o desafia também, para no fim ser igualmente derrotado. Era um milagre!

No dia seguinte, Czentovic foi levado a uma cidade próxima para testar mais as suas capacidades no tabuleiro. Ao enfrentar adversários em um clube de xadrez local, perdeu apenas a primeira partida e durante o resto do dia nenhum enxadrista foi capaz de vencê-lo. Era um grande feito para ele e para aquela pequena cidade, que estava em êxtase por um grande prodígio ter surgido ali, mesmo ele sendo de outro vilarejo. Sendo assim, o jovem foi para Viena aperfeiçoar mais suas habilidades e, após meio ano, já conhecia todas as técnicas do xadrez. Mas uma estranha limitação que ele tinha foi notada pelos diversos especialistas: Czentovic era incapaz de lembrar os lances de partidas passadas e de projetar mentalmente um tabuleiro. Para jogar, tinha que necessariamente ter em sua frente o tabuleiro com 32 peças. Carregava consigo um xadrez de bolso, evidenciando sua falta de imaginação. Porém, mesmo com tal limitação, era conhecido mundialmente e acumulava diversos prêmios, incluindo o título de Campeão Mundial.

Para participar de um campeonato de xadrez, Czentovic zarpara de New York a Buenos Aires, e durante o percurso somos apresentados ao narrador do livro, que compartilha a mesma curiosidade de nós leitores: como é esta personalidade excêntrica a bordo? Após algumas tentativas falhas de aproximação por parte do narrador, nota-se o principal traço do rapaz: trata-se de uma pessoa resoluta, fria e resistente a qualquer abalo. Após alguns dias o nosso narrador e outros cavalheiros conseguem marcar uma partida de xadrez, onde todos jogariam contra Czentovic, o atual campeão. Era nítido qual seria o resultado final: a primeira partida resultou em uma derrota rápida para os enxadristas. Entretanto, algo que poderia ser um banho de água fria revelou ser uma faísca em um barril de pólvora. Todos ali presentes sentiram uma incrível motivação para derrotarem seu oponente, e inicia-se a segunda partida. O jogo encaminhava-se a mais uma derrota quando surpreendentemente surgiu um senhor de cabelos brancos mas com um rosto jovem, que os ajudou a levar a partida ao empate. Era um feito extraordinário, principalmente para uma partida que estava quase perdida contra um campeão. Os enxadristas ficaram extasiados por terem alguém capaz de enfrentar Czentovic. Entretanto, ao ser chamado para outra partida, agora apenas entre o enigmático senhor e o jovem, o primeiro nega, pede perdão por ter se intrometido na disputa e deixa o recinto. Ninguém entende a atitude daquele senhor, e assim como talvez alguns leitores estejam consumidos pela curiosidade desta ação, o narrador também estava.

Sendo assim, ele vai questionar o senhor (que logo descobrirá que se chamava Dr.B) por qual razão teria declinado outra partida, e é surpreendido pela resposta concedida:

“na verdade não sei se sou capaz de jogar corretamente uma partida de xadrez, conforme as regras. Acredite, por favor, não se tratava de modo algum de falsa modéstia quando afirmei que desde os tempos de ginásio, há mais de vinte anos, não tocara em nenhuma peça do jogo. E mesmo naquela época eu era considerado um jogador sem nenhum talento especial.”

A surpresa evidente do narrador motiva Dr.B a contar sua história de como iniciou neste mundo preto e branco. Era advogado da família real na Áustria, encarregado de administrar os bens da família. Após a anexação da Áustria pela Alemanha nazista, fora detido e confinado em um minúsculo quarto no hotel Metrópole – Quartel Geral da Gestapo -, com o objetivo de ser interrogado. Seu quarto era extremamente pequeno e sem decoração.

“Ele tinha uma porta, uma mesa, uma cama, uma poltrona, uma bacia, uma janela gradeada.”

E neste ambiente claustrofóbico foi onde ficou por quatro meses. Durante as primeiras semanas, resistiu bem à tortura psicológica, mas logo começou a ceder, pois não havia nenhum estímulo capaz de entretê-lo no cubículo. Contudo, ao ser levado para o corredor onde ficava a sala onde seria interrogado como sempre, notou um casaco na parede. Nele havia um pequeno volume, e quase sem pensar e de maneira instintiva, criou um plano para furtar o livro. Com astúcia e um pouco de sorte, foi capaz de pegar o objeto e escondê-lo na cintura. Chegando ao quarto, o livro revelou ser uma obra que continha 150 partidas de mestres enxadristas. Uma onda de decepção e raiva tomou conta do Sr. B. O único livro ao qual tinha acesso era um do qual ele nada entendia; mas isso não o impediu de aprender.

Primeiro, usava migalhas de pão sobre a colcha da cama para reproduzir mecanicamente cada lance do livro. Depois, decorou todas as partidas e passou a visualizar o tabuleiro mentalmente com clareza absoluta. Por fim, com o livro esgotado, precisou jogar contra si mesmo. Para isso, dividiu artificialmente sua consciência em duas personalidades opostas, forçando uma espécie de esquizofrenia voluntária. O preço foi altíssimo. O xadrez tornou-se uma obsessão que o consumiu por inteiro, até que os guardas o encontraram em colapso, movendo peças invisíveis no ar.

Após sua libertação, um médico o proibiu de tocar em um tabuleiro novamente, para não sofrer um novo colapso nervoso.

Apesar do alerta do médico, estando dentro daquele barco, Dr. B. acaba aceitando o convite e finalmente aconteceria a partida que todos os presentes no navio estavam esperando. Czentovic joga devagar e com calma, enquanto Dr.B quase instantaneamente após o movimento do adversário. A partida dura horas, e o senhor começa a ficar extremamente irritado. O jovem, por sua vez, notando isso, atrasa suas jogadas propositalmente. O ápice da partida ocorre quando Dr. B anuncia um xeque que não existia no tabuleiro real. Sua mente divagava em uma partida imaginária, e se dividiu entre a realidade e as partidas fantasmas de sua antiga prisão. O jogo que um dia o salvara tornou-se sua ruína.

Após compreender este livro e observar Czentovic e Dr. B., podemos perceber um contraste entre suas personalidades. Enquanto Czentovic representa a rigidez e a frieza, Dr. B. simboliza a resistência e a imaginação, permitindo relacioná-los às transformações políticas e sociais da Europa durante a ascensão do fascismo. Czentovic também pode ser interpretado como uma representação alegórica da lógica fascista que avançava sobre a Europa.

Nessa perspectiva, o tabuleiro pode ser compreendido como uma representação de uma ordem autoritária, na qual cada peça possui uma função determinada e os movimentos obedecem a regras inflexíveis. Czentovic não precisa compreender o mundo para dominá-lo, basta-lhe conhecer perfeitamente as regras do sistema no qual está inserido. Sua força não está na imaginação ou na reflexão, mas na repetição, na disciplina e na eficiência mecânica. Essa característica permite aproximá-lo simbolicamente do funcionamento dos regimes fascistas, que buscavam submeter o indivíduo a uma estrutura rígida de poder, reduzindo a autonomia e o pensamento crítico.

Sua ascensão no xadrez também pode ser interpretada como uma alegoria da ruptura da antiga ordem europeia. Czentovic surge de uma posição marginal e passa a derrotar sucessivamente jogadores que representam uma tradição consolidada do xadrez, até alcançar o título de campeão mundial. Assim, sua vitória sobre os grandes mestres pode simbolizar, metaforicamente, a vitória de uma nova força política autoritária sobre a velha Europa, marcada por suas tradições culturais, intelectuais e políticas. Não se trata de afirmar que cada personagem corresponde diretamente a uma figura histórica específica, mas de observar como a trajetória de Czentovic permite representar a ascensão de uma força que parecia banal e rudimentar, porém extremamente eficiente em destruir ou dominar estruturas tradicionais.

Essa interpretação torna-se ainda mais significativa quando Czentovic é colocado em contraste com Dr. B. Enquanto Czentovic representa uma inteligência mecânica, dependente das regras concretas do tabuleiro, Dr. B desenvolve a capacidade de reconstruir mentalmente o jogo durante seu confinamento. O contraste entre os dois pode ser compreendido como o confronto entre a força rígida e exterior de um sistema autoritário e a resistência interior do indivíduo. Dr. B, antigo advogado da família real austríaca, pertence justamente a uma ordem europeia que estava sendo destruída pela violência política da Segunda Guerra Mundial. Dessa maneira, o confronto no tabuleiro deixa de ser apenas uma disputa de xadrez e passa a carregar uma dimensão histórica e ideológica: de um lado, a força mecânica de uma nova ordem, do outro, a inteligência e a memória de uma Europa que estava sendo destruída.

Stefan Zweig no País do Futuro

Já ouviu falar de Stefan Zweig? Mesmo que não, a hora é agora. O Centro Austriaco da UFPR, em colaboração com o Stefan Zweig Zentrum Salzburg e o gentil financiamento da Embaixada da Áustria, convida você para um encontro dedicado à vida e à obra de Stefan Zweig no exílio.

Ao longo de três blocos, teremos palestras com convidados especiais (em partes vindo diretamente da Áustria), conversas sobre textos selecionados do autor e uma oficina colaborativa voltada à criação de materiais didáticos. Será uma oportunidade para ouvir, trocar ideias e redescobrir Zweig a partir de perspectivas atuais sobre o exílio, a cultura e suas impressões sobre o Brasil. Pois foi no Brasil, mais especificamente na cidade de Petrópolis – RJ, em que o autor austríaco viveu com sua segunda esposa até o ano de 1942, quando cometeu suicídio.

As atividades contarão com momentos em alemão, acompanhados de apoio em português. Para as palestras e discussões, recomenda-se um nível mínimo de alemão, mas a participação de todos é muito bem-vinda! O evento acontecerá de modo presencial no campus Reitoria da UFPR nos dias 05/10 e 06/10, com participação ativa de Martina Wörgötter e Klemens Renoldner, do Stefan Zweig Zentrum Salzburg, além de nomes da UFPR, como Ruth Bohunovsky, Gisele Eberspächer, Angélica Neri e Catarina Portinho-Nauiack. Mais informações você pode conferir no nosso post do instagram e no próprio link de inscrição.

Para além disso, a Livraria Arte e Letra, no Centro de Curitiba, será local de um evento relacionado ao mesmo tema, já no dia 03/10. Participarão também os dois convidados da Áustria, além de Ruth Bohunovsky e Gisele Eberspächer.

Estamos muito empolgadas e esperamos nos ver por lá!

Casa Stefan Zweig em Petrópolis, RJ

Um autorretrato de Stefan Zweig e de seus tempos vividos

Susi Horn

Ler o livro Die Welt von Gestern: Erinnerungen eines Europäers (O Mundo de Ontem: Memórias de um Europeu) não só proporciona ao leitor uma imagem íntima de Stefan Zweig, como também um panorama histórico — mesmo que subjetivo — de sua época de vida.

Stefan Zweig nasceu no final de 1881, na capital do então Império Austro-Húngaro, Viena. Sua progressão no mundo literário foi aos poucos, mas ele teve a sorte, desejada por muitos autores, de encontrar sucesso ainda durante sua vida. Na verdade, seu sucesso foi tanto que, com a chegada ao poder de um certo homem de bigode perigosamente estreito no país vizinho, os livros de Zweig lá foram proibidos e queimados em praça pública.

O austríaco foi, além de romancista, biógrafo, dramaturgo, jornalista e libretista, também tradutor, atividade essa com a qual se distinguiu principalmente no início de sua carreira. A partir de 1919, no pós-guerra, se mudou para Salzburg, onde havia adquirido uma casa durante a Grande Guerra. De lá somente saiu em 1934, para a Inglaterra, devido também ao início de novas tensões na Europa, e, em 1941, emigrou para o Brasil em conjunto com sua segunda esposa, Lotte. Foi onde, em Petrópolis, deprimidos com o avanço de Hitler na Europa, ambos se suicidaram apenas um ano depois.

O livro Die Welt von Gestern dá conta de trazer sensações sobre o tempo que um simples livro de história não consegue suscitar. Isso, é claro, não significa que se deve substituir um pelo outro, mas que, Devido à forma descritiva e sensorial de Zweig escrever, uma pessoa — como a autora que vos fala — que em geral não tem na história seu maior interesse e capacidade de memória, consegue apreender coisas que normalmente não apreenderia. Ademais, para quem é apaixonado por observar e dar atenção a detalhes, a descrição que Zweig fornece de figuras que teve o prazer de conhecer é, na sua riqueza e personalidade, mágica. Ainda que Richard Strauss, Freud, Rilke, Joyce, Gorkij, Wells, Shaw, Rathenau, entre tantos outros, são obviamente descritos pelos olhos do autor, a leitura de suas descrições já é inspiradora pelo simples modo como foram escritas, fazendo surgir imagens fortes com o uso das palavras-chave cuidadosamente escolhidas. Estranho foi que, tendo casado duas vezes, Zweig não deu nem de longe igual atenção às esposas em seu livro. Exemplo para tal foi a confusão sentida durante a leitura de um trecho já mais avançado do livro, onde o autor conta como foi se mudar para Salzburg e repetidas vezes fala em “nós” ao tratar dos acontecimentos ali vividos. Fui descobrir apenas mais tarde que esse “nós” incluía sua esposa, à qual ele também só se refere com essa palavra, de modo que o leitor apenas descobre quem ela foi ao pesquisar por ela exteriormente ao livro. 

Por fim, voltamos a um aspecto admirável em Stefan Zweig: sua capacidade de ver verdades e humanidade em todos os homens, contrastando com o pensamento em preto e branco e a dominância das paixões que provavelmente desde sempre marcam os tempos políticos mais difíceis de uma era. Deixo aqui, numa tradução livre, um trecho do livro que pode fazer-te refletir, principalmente nos tempos polarizados que nem mesmo o século XXI nos fez superar. No contexto do trecho, Zweig contava como se envolveu em todo tipo de discussões anti-guerra quando passou pela Suíça durante a Grande Guerra, discutindo até tarde da noite com pessoas de todos os tipos, mas como começou a se entediar aos poucos até com aqueles mais confiáveis entre os parceiros:

“Mas até nos mais confiáveis me entediava o caráter infrutífero das discussões sem fim e o obstinado encaixotamento em grupos radicais, liberais, anarquistas, bolchevistas e apolíticos; pela primeira vez eu aprendi a observar o eterno tipo do revolucionário profissional que, pelo caráter meramente oposicional do seu cargo, se sente elevado em sua insignificância e se prende ao dogmático, porque em si ele não possui ao que se prender. Manter-se nessa bagunça faladeira significaria confundir-se, cultivar afinidades perigosas e comprometer sua própria convicção em sua segurança moral. […] De fato, nenhum desses faladores se atreveu a um complô, nenhum desses improvisados políticos mundiais soube fazer política quando ela foi verdadeiramente necessária. Assim que começou-se a reconstrução após a guerra, eles se mantiveram em sua negatividade ranzinza e resmungadora […].”

Bem, assim é Stefan Zweig, que descreve de modo conciso e surpreendentemente filosófico. Afinal, não é à toa considerado um dos maiores escritores do século passado. Fica aqui a recomendação de suas obras, a começar por essa, que lhes dará a oportunidade de começar a entender quem foi esse homem. E fica também a recomendação de sermos mais como ele no seu pensar crítico, não nos deixando levar por paixões passageiras e radicalismos que apelam a essas mesmas paixões. 

Bons dias!

80 anos de Elfriede Jelinek – série de eventos comemora efeméride da autora

Em outubro de 2026, Elfriede Jelinek celebra 80 anos. Para honrar a autora, prémio Nobel de 2004, o Centro de Pesquisa Elfriede Jelinek da Universidade de Viena organiza uma série de eventos em seis cidades: Viena, Paris, Varsóvia, Nova York, São Paulo e Tóquio. A abertura será no dia 12 de março, no Palácio Imperial de Viena, e será transmitido ao vivo:

Link para o streaminhg: https://univienna.zoom.us/j/67141467695?pwd=YfJuM4OPjzqRWRveBF0r8dLLVnhbIV.1
senha: jelinek

O programa do evento inaugural encontra-se nesse link: https://www.ifvjelinek.at/veranstaltungen/weltautorinjelinek-auftakt/

O Centro Austríaco fará parte do evento em São Paulo, nos dias 5 a 7 de novembro de 2026 e publicará informações a esse respeito ao longo do ano.

Peça de Jelinek sobre reeleição de Trump tem leitura dramática disponível online

A peça Endsieg, da escritora austríaca Elfriede Jelinek, contou com duas leituras dramáticas, uma em inglês e outra em alemão, que estão disponíveis online.

Escrita em resposta à reeleição de Donald Trump para presidência dos EUA, a peça é uma espécie de sequência para Am Königsweg, escrita na primeira eleição do presidente há oito anos. O texto mostra o retorno de um “novo velho rei” permeado por fantasmas e sombras.

A ação foi uma cooperação entre o Martin E. Segal Theatre Center, de Nova York, e o Wiener Festwochen. A leitura dramática foi dirigida por Milo Rau e o texto em inglês contou com tradução de Gitta Honegger, que assina a tradução de vários textos de Jelinek. A leitura alemã foi feita pela atriz Ursina Lardi e a leitura em inglês por Nicole Ansari-Cox.

Professoras e alunas da UFPR traduzem livro sobre tradução de teatro

A editora Temporal traz para o Brasil uma importante referência para as discussões de tradução de teatro: se trata do livro “Teatro e Tradução”, da pesquisadora Margherita Laera. A obra foi traduzida pelas professoras Ruth Bohunovsky e Gisele Eberspächer e pelas alunas Ana Carolina Olivera Freitag, Juliana Fogiato Rodrigues, Laísa Viegas e Karen Silva no âmbito de uma disciplina do curso de Letras da UFPR.

No livro, a “estudiosa feminista, tradutora de teatro e migrante italiana” – como se autodefine na introdução do livro – analisa as questões éticas, políticas e estéticas que permeiam a tradução de teatro, e o processo de tradução em geral.

Mais do que oferecer respostas definitivas, Laera convida à reflexão sobre como a tradução pode desafiar o status quo e contribuir para uma cultura mais diversa e inclusiva. A obra desmonta ao longo de três capítulos a ideia de equivalência linguística, examina as relações de poder na adaptação teatral e argumenta que ampliar o repertório de traduções é essencial para democratizar o acesso ao teatro e diversificar as vozes presentes nos palcos. 

O livro é menos um manual e mais um diálogo: “O objetivo deste livro não é prescrever, mas questionar, criticar e propor pontos para discussões futuras”, escreve a especialista. Ao explorar conceitos como performabilidade, mostra como o processo de traduzir não apenas transporta significados, mas também influencia a encenação, a recepção e a interpretação do teatro em diferentes contextos culturais.

A edição conta também com um prefácio inédito de Alinne Balduino P. Fernandes, doutora em Dramaturgia e Tradução pela Queen’s University Belfast (QUB) e professora da UFSC.

O título está atualmente em pré-venda no site da Editora Temporal.

Bate-papo sobre Elfriede Jelinek e o trabalho de tradução teatral

A publicação mais recente da Editora Temporal, “O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades”, é o primeiro texto teatral da escritora austríaca Elfriede Jelinek publicado em português brasileiro.

O texto, traduzido por Angélica Neri, Gisele Eberspächer, Luiz Abdala Jr. e Ruth Bohunovsky, apresenta um dos traços fundamentais da escrita de Jelinek: a intertextualidade – sobretudo com a peça “Casa de Bonecas” de Henrik Ibsen, mas também com outros textos de diversas áreas (como política, feminismo, cultura pop etc.).

Após o fim da peça “A Casa de Bonecas”, de Henrik Ibsen, Nora passa a ser uma mulher emancipada, que sai em busca da sua liberdade. Como forma de tematizar questões sociais complexas, Elfriede Jelinek retrata as diferentes estruturas de submissão da mulher na sociedade. No caso de Nora, seja pela sua condição de operária de fábrica, seja em seu novo casamento com o Cônsul Weygang – personagem que ela emprestou de outra peça de Ibsen, “Pilares da Sociedade” – ela se vê submissa diante de todas as estruturas que a reprimem – mas também contribui, contrariando suas próprias intenções no começo da peça, para que essas estruturas não se alterem.

As tradutoras Ruth Bohunovsky e Gisele Eberspächer gravaram um vídeo contando mais sobre o processo coletivo de tradução do livro. Confira esse bate-papo:

E você também pode conferir a conversa da professora Ruth Bohunovsky com a pesquisadora do Interuniversitärer Forschungsverbund Elfriede Jelinek, Andrea Heinz, sobre a obra de Elfriede Jelinek. Acesse o vídeo aqui:

E não perca a oportunidade de assistir o documentário “Language Unleashed” que retrata a abordagem artística da linguagem que a escritora apresenta em seu trabalho. O documentário ficará disponível até dia 19 de abril no site da Semana da Língua Alemã. Assista aqui.

E para garantir seu exemplar dessa obra instigante de Elfriede Jelinek é só acessar o site da editora aqui. Não deixe de aproveitar os últimos dias de pré-venda!

Dia 19 de abril teremos nosso último evento de lançamento de “O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades”, desta vez o evento será realizado no Goethe-Institut de Curitiba, às 19:00! Além da venda do livro, o público conhecerá informações importantes sobre as referidas peças de Ibsen e Jelinek, da dramaturgista e diretora teatral do renomado Festival de Salzburgo, Bettina Hering, e poderá assistir à leitura dramática de trechos das peças. Aproveite esta oportunidade!

Quer saber mais sobre outras traduções realizadas por membros do Centro Austríaco? Confira aqui o vídeo sobre a peça “O presidente” de Thomas Bernhard, publicada pela editora UFPR, em que os tradutores Gisele Eberspächer e Paulo Rogério Pacheco Junior comentam sobre o processo de tradução deste texto. Você também pode adquirir seu exemplar clicando aqui.

Conheça também outros trabalhos de tradução do Centro Austríaco:

Áustria: uma história literária

Uma festa para Boris

O artista do exagero: A literatura de Thomas Bernhard

Thomas Bernhard e seus Seres Vitais

Lançamento de “O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades”

Começou a pré-venda de “O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades”, da vencedora do Nobel de Literatura Elfriede Jelinek! É seu primeiro texto teatral publicado em português brasileiro!

O texto, traduzido por Angélica Neri, Gisele Eberspächer, Luiz Abdala Jr. e Ruth Bohunovsky, apresenta um dos traços fundamentais da escrita de Jelinek: a intertextualidade – sobretudo com a peça “Casa de Bonecas” de Henrik Ibsen, mas também com outros textos de diversas áreas (como política, feminismo, cultura pop etc.).

Após o fim da peça “A Casa de Bonecas”, de Henrik Ibsen, Nora passa a ser uma mulher emancipada, que sai em busca da sua liberdade. Como forma de tematizar questões sociais complexas, Elfriede Jelinek retrata as diferentes estruturas de submissão da mulher na sociedade. No caso de Nora, seja pela sua condição de operária de fábrica, seja em seu novo casamento com o Cônsul Weygang – personagem que ela emprestou de outra peça de Ibsen, “Pilares da Sociedade” – ela se vê submissa diante de todas as estruturas que a reprimem – mas também contribui, contrariando suas próprias intenções no começo da peça, para que essas estruturas não se alterem.

Durante o mês de abril, teremos eventos de lançamento em São Paulo, Brasília e Curitiba!
Além da venda do livro, o público conhecerá informações importantes sobre as referidas peças de Ibsen e Jelinek, da dramaturgista e diretora teatral do renomado Festival de Salzburgo, Bettina Hering, e poderá assistir à leitura dramática de trechos das peças. Uma oportunidade única de se aproximar da obra teatral de Jelinek e se familiarizar com sua escrita!

Confira as datas e locais dos eventos:

São Paulo: 15 de abril, às 19:30
Goethe-Institut São Paulo
Rua Lisboa, 974, Pinheiros

Brasília: 17 de abril, às 18:30
Goethe-Zentrum Brasília
Avenida W4 Sul, SEPS 708/907, Conj. A – Asa Sul (Prédio da Aliança Francesa)

Curitiba: 19 de abril, às 19:00
Goethe-Institut Curitiba
Rua Reinaldino S. de Quadros, 33, Alto da XV

O livro pode ser adquirido com 15% de desconto até o dia 19 de abril no site da editora temporal!

Grupo de leitura de dramaturgia

Convidamos a todos para participar do nosso grupo de estudo e leitura de peças dramáticas!

Através da leitura de peças dramáticas de diversos autores em traduções brasileiras, e para quem tiver interesse, nas línguas originais (inglês, francês e alemão), o grupo pretende contextualizar e debater textos dramatúrgicos e refletir sobre questões da tradução teatral. A leitura em outras línguas não é obrigatória, pois a leitura em conjunto será em português.

Os encontros serão semanais e presenciais, com duração de 90 minutos, nas sextas-feiras. A leitura prévia dos textos não é obrigatória. 

Pré-requisito para participar: não há.

Público-alvo: alunos e interessados em teatro, dramaturgia e tradução.

Peças: a definir.

Interessados deverão preencher o formulário disponível aqui.