Escrita acadêmica em alemão – por onde começar?

“Depois que a centelha de Prometeu é acesa, o impulso começa. A cabeça fica zunindo e não se consegue fazer mais nada até que até que se consiga destilar as grandes ideias existentes no cérebro e transformá-las em palavras perfeitas em um uma folha de papel em branco. Tudo leva a isso, todo o pensamento é direcionado a isso até que a primeira frase é escrita, lida, apagada, reescrita, apagada de novo, começada de novo. Ficamos insatisfeitos, pensamos que poderíamos ajeitar o apartamento, apagamos as primeiras frases tão suadas, até nos levantarmos e procurarmos o aspirador de pó”, escreve Iris Gassenbauer em seu texto “Processos de escrita – da conversação ao texto”. Acho quase impossível não se identificar com suas palavras quando se trata, sobretudo, de começar a escrita de trabalhos acadêmicos para a universidade.

Mas por que o ser humano escreve, afinal?, podemos nos perguntar. “As pessoas escrevem porque querem contar uma história e porque querem testar a língua, aliená-la e torná-la própria”. Também é assim nos trabalhos acadêmicos: precisamos nos alinhar a um novo tipo de linguagem, a princípio alienante, porém, aprendemos a nos apropriar dela ao longo do trabalho e por fim podemos exclamar que a tornamos nossa. Mas como atingir esse objetivo? E mais ainda se tiver que escrever o trabalho em uma língua estrangeira, como o alemão …

É para isso que pensamos o nosso próximo Workshop: “Tipps für das Wissenschaftliche Schreiben: eine Einführung”. Partindo do princípio de que cada um tem uma relação diferente com os processos de escrita, iniciamos nosso percurso rumo a uma análise das fases de produção de um texto até atingirmos nosso objetivo. Durante o Workshop, você poderá refletir sobre sua competência escrita e conhecer as fases e estratégias para poder iniciar seu trabalho escrito com mais ferramentas e mais segurança. Embora não exista uma receita simples que pode ser aplicada por todos, vamos oferecer vários percursos de aprendizagem que possibilitam que cada um encontre seu caminho dentro da escrita acadêmica em alemão.

Veja mais informações e clique aqui para se inscrever (evento gratuito e online). Podem participar pessoas com qualquer nível de conhecimento em alemão.

Cristina Rettenberger é a primeira professora-leitora do Áustria no Brasil. Tem mestrado em alemão como língua estrangeira e segunda língua pela Universidade de Viena. Já lecionou na Austria, Equador, Vietnã, Portugal e, agora, no Brasil.

Elfriede Jelinek comemora aniversário de 75 anos

Chamada de representante da “literata raivosa” da Áustria, como foi chamada numa publicação da Deutsche Welle, Elfriede Jelinek comemora hoje, 20 de outubro, seu aniversário de 75 anos.  

Um dos nomes de peso da literatura contemporânea, ganhadora do Prêmio Nobel de 2004, Elfriede Jelinek vive isolada e distante do mundo agitado dos eventos literários. Mesmo assim, é capaz de causar mais polêmicas e discussões acaloradas que muitos escritores e dramaturgos bem mais presentes nas mídias e redes sociais. Conhecida por sua voz crítica e por tocar de modo inusitado em temas como sexualidade, violência, facismo e consumismo, se posiciona por meio de ensaios, artigos, romances e, sobretudo, textos teatrais, a maioria deles acessíveis em seu próprio site (elfriedejelinek.com). 

Com seu último texto teatral, “Lärm. Blindes Sehen. Blinde Sehen!” [Barulho. Ver cego. Cegos vêem!], já encenado em diversos palcos europeus, ela reagiu rapidamente à pandemia, dialogando ao mesmo tempo com mitos da Antiguidade e a tecnologia moderna de comunicação. 

No Centro Austríaco, estamos trabalhando na tradução de alguns textos da escritora. Confira aqui um dos primeiros resultados. 

Além disso, disponibilizamos também o curso “Não quero teatro! O teatro de Peter Handke e Elfriede Jelinek no contexto da dramaturgia pós-dramática”, organizado pelo Centro Austríaco e ministrado por Artur Kon, na íntegra no YouTube. 

Companhia das Letras publica “Mestres Antigos”, último livro de Thomas Bernhard, no Brasil

A editora Companhia das Letras acaba de publicar no Brasil o livro “Mestres Antigos“, do escritor austríaco Thomas Bernhard, com tradução de Sergio Tellaroli. Publicado originalmente em 1985, foi o último romance escrito por Thomas Bernhard (Extinção, publicado apenas em 1986, já tinha sido escrito nos anos anteriores). É um romance ambientado no famoso Museu da História de Arte de Viena, lugar em que o narrador Atzbacher observa seu velho amigo Reger, um sarcástico crítico da arte que costuma frequentar o museu a cada dois dias para mergulhar na observação de um quadro de Tintoretto e refletir sobre temas como o sentido da vida ou a limpeza dos banheiros públicas da Áustria. Escrito no estilo monológico, vertiginoso, mal-humorado e muitas vezes hilário de Bernhard, o livro é um dos mais brilhantes do autor. As passagens referentes à falecida esposa de Reger podem ser lidas como uma homenagem à pessoa mais importante na vida do próprio Bernhard, seu “ser vital”, Hedwig Stavianicek, amiga que o acompanhou por boa parte de sua vida e que havia falecido em 1984.

Confira também os títulos sobre Thomas Bernhard que já foram publicados pela Editora UFPR: Artista do Exagero: a literatura de Thomas Bernhard e Thomas Bernhard e seus seres vitais; assim como a peça O Presidente. O lançamento de Uma festa para Boris, também pela Editora UFPR, está previsto para 2022.

ABEG prorroga o prazo de inscrição de comunicações

O 4º Congresso da Associação de Estudos Germanísticos prorroga o prazo de inscrição de comunicações para o dia 24 de outubro. O evento acontece entre os dias 24 e 26 de novembro de 2021 em formato online. Clique aqui para ver as propostas de seções e aqui para acessar os resumos.

Também convidamos todas e todos a conhecer a seção DACH(L): a diversidade linguística e cultural dos países de língua alemã na teoria e em sala de aula, organizada por Ruth Bohunovsky (UFPR), coordenadora do Centro Austríaco, e Anisha Vetter (UNICAMP). Confira a descrição:

DACH(L): a diversidade linguística e cultural dos países de língua alemã na teoria e em sala de aula
Criado nos anos 1990 para substituir as “ABCD-Thesen”, o conceito “DACH(L)” – acrônimo que representa os três países de língua alemã Alemanha (D), Áustria (A) e Suíça (CH), assim como a pequena Liechtenstein – continua presente e relevante na área de ensino/aprendizagem de alemão como segunda língua/língua estrangeira. A coletânea Weitergedacht – Das DACH-Prinzip in der Praxis (Shafer, Middeke, Hägi-Mead, Schweiger 2020) – que, aliás, foi publicada integral e gratuitamente na internet – mostra a atual diversidade de abordagens teóricas e práticas relativas à questão de como, porque e em que medida abordar em sala de aula assuntos ligados à diversidade cultural e linguística dos países de língua alemã. Hoje, há unanimidade de que as três variações nacionais do idioma alemão, o alemão, o austríaco e o suíço, são igualmente corretas e que temas e discursos relacionados com todos os países e regiões de língua alemã devem ser integrados no ensino, em livros didáticos e em provas oficiais. Partindo dessas premissas, esta sessão tem como objetivo refletir como o conceito DACH(L) pode e deve fazer parte do ensino de alemão como LE no Brasil, um país muito distante dos países de língua alemã e onde a maioria dos aprendizes se encontra em níveis iniciais. Convidamos a participar da nossa sessão todas e todos interessadas/os em questões como: a diversidade linguística do alemão, isto é, as três variações nacionais consideradas Standarddeutsch, pode e/ou deve ser levada em consideração no ensino da língua no Brasil? Em que momento, em que medida e com que material didático esse tema deve ser abordado? Como podemos tratar de assuntos culturais relacionados aos diversos países e regiões de língua alemã, sem lançar mão de estereótipos turísticos e/ou culturais? Como podemos entender o conceito de “cultura” no intuito de estabelecer um diálogo entre a teoria e a prática? Quais as abordagens teóricas e didáticas mais úteis, mais atuais ou mais relevantes para nos ajudar a estabelecer esse diálogo de uma maneira viável para os docentes e benéfica para os aprendizes?

Anisha Vetter (UNICAMP)
Ruth Bohunovsky (UFPR)

Em caso de dúvidas, escrever para ruth.bohunovsky@gmail.com. As propostas de comunicações podem ser enviadas para o mesmo endereço.

Alemão na Áustria: livros, apps e materiais gratuitos para quebrar o tabu de uma língua monocêntrica nas aulas

por Cristina Rettenberger

Você dá aulas de alemão? Seus alunos já ficaram chocados quando, depois de aprenderem o idioma, finalmente viajaram para um país de língua alemã mas não conseguiram entender o idioma ou ser compreendidos pela população local? Não se preocupe, esse problema não é incomum e tem várias causas.

Uma delas é a tendência dos materiais didáticos de serem orientados para ensinar uma língua monocêntrica do alemão, ou seja, como se todos os lugares falassem uma única língua padrão e homogênea, enquanto a realidade é muito mais complexa: há variedades regionais, dialetos e linguagem coloquial, que variam de acordo com o lugar e a situação comunicativa. Isso ressalta a importância de integrar uma visão mais ampla e realista do que uma língua é nas salas de aula e, assim, romper com os conceitos unidimensionais e planos. Dessa forma, os alunos podem ser treinados e sensibilizados para a diversidade do idioma.

É sobre isso que foi o workshop online da professora Julia Ruck, intitulado “Alemão na Áustria”, realizado esta quarta-feira através da associação austríaca ÖDaF. Vários conceitos linguísticos fundamentais foram discutidos, como materiais de ensino e atividades que podem ajudar os alunos a desenvolver sensibilidade às variações na expressão da linguagem, com foco especial no alemão padrão austríaco e suas variedades e dialetos regionais.

Aqui, compartilhamos algumas das sugestões de Ruch para integrar esse tópico durante as aulas:

1) A página Bimm.at compartilha ideias gratuitas para atividades em sala de aula com base em material autêntico para refletir sobre os principais conceitos linguísticos, como o que é um dialeto, uma variante linguística ou uma língua padrão, com foco especial na cultura austríaca.

2) No site do Ministério Federal da Educação, Ciência e Pesquisa da Áustria, você pode baixar o livro intitulado “(Österreichisches) Deutsch als Unterrichts- und Bildungssprache“. Consiste em 72 páginas nas quais você encontrará materiais práticos para refletir sobre a diversidade da língua alemã na Áustria.

3) Com o aplicativo Deutschklang, você e seus alunos podem ouvir a pronúncia autêntica e atual de milhares de pessoas por meio de um mapa interativo que inclui todas as regiões de língua alemã.

4) Com o material digital „Deutsch als plurizentrische Sprache: Eine Einführung“, de Rudolf Muhr, os alunos podem investigar os conceitos do que é uma língua alemã pluricêntrica e sua importância.

Curso “Não quero teatro!” está disponível no YouTube

O curso “Não quero teatro!: O teatro de Peter Handke e Elfriede Jelinek no contexto da dramaturgia pós-dramática”, ministrado por Artur Kon e organizado pelo Centro Austríaco, está disponível na íntegra no canal de YouTube da Pós Graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná.

Confira:

Primeiro Encontro

Segundo encontro

Terceiro encontro

Quarto encontro

Quinto encontro

As atividades do Centro Austríaco recebem apoio da Universidade Federal do Paraná, do Setor de Humanas da UFPR, do Departamento de Polonês, Alemão e Clássicas da UFPR, do Programa de Pós Graduação em Letras-UFPR, da Embaixada da Áustria em Brasília, do Consulado da Áustria em Curitiba, da Agência Brazil Way e patrocínio da Referência Rent a Car.

Convite para aula aberta sobre Stefan Zweig

O Instituto Martius-Staden de Ciências, Letras e Intercâmbio Cultural Brasileiro-Alemão convida para uma aula pública sobre o escritor Stefan Zweig.

A aula virtual será ministrada pela Sra. Kristina Michahelles, jornalista de economia e trabalhou no Jornal do Brasil, na revista Veja e na Rede Globo. Além disso, é autora, editora e tradutora de vários livros. Em 2013, ganhou o Prêmio Jabuti na categoria de tradução do alemão para o português. Atualmente, é diretora da Casa Stefan Zweig – Petrópolis-RJ.

Data: 05 de outubro de 2021

Horário: 14h

Local: canal do Instituto Martius-Staden no YouTube 

As atividades do Instituto Martius-Staden destinam-se a fomentar o intercâmbio cultural entre o Brasil e países de língua alemã, como a Alemanha, a Áustria e a Suíça. A principal atuação do Instituto Martius-Staden é manter acessível ao público em geral um dos mais importantes acervos sobre a imigração dos povos de língua alemã para o Brasil, formado por documentos, jornais, livros, mapas, fotografias e outros materiais.

Evento: Ernst Jandl – Experimentações Poéticas

A Casa de Estudos Germânicos (CEG), da UFPA, e o Projeto de Pesquisa “Mobilidades Literárias” convidam para mais uma “Roda de literatura em tradução”!

As experimentações poéticas do poeta austríaco Ernst Jandl serão apresentadas em nossa Roda pela convidada Fabiana Macchi. Tradutora, pesquisadora e docente na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Fabiana nos acompanhará na leitura compartilhada de poemas de Jandl traduzidos por ela.

As inscrições estão abertas até o dia 01/10 e podem ser feitas por meio deste formulário.

Data e horário: 05/10, terça-feira, das 15h às 17h
Organização: Casa de Estudos Germânicos e Projeto de Pesquisa “Mobilidades Literárias”
Convidada: Fabiana Macchi
Moderadora: Fernanda Boarin Boechat

5 razões para estudar na Áustria

por Cristina Rettenberger

Áustria, um país pequeno com uma influência mundial grande: Seja na área da psicologia com Freud, da arte com Klimt ou da música com as sinfonias de Mozart, existem razões de sobra para mostrar porque a experiência de estudar na Áustria pode ser uma das melhores decisões em sua vida.

Aqui apresentamos cinco razões para estudar no país:

  1. Arquitetura, arte, música e literatura
Belvedere, em Viena

Do centro histórico de Salzburgo, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco, à incrível arquitetura clássica vienense, uma mistura incomparável entre o moderno e o antigo, com suas carruagens e seus palácios, a Áustria tem algo para todos. Clássico e moderno se unem em uma simbiose perfeita, natureza e tecnologia consolidam laços sustentáveis ​​sem perder a beleza. Esta é a Áustria.

2. Conheça a natureza

Hallstatt

Montanhas majestosas cercadas por lagos mágicos e florestas exuberantes, esta é a Áustria. Dê uma escapada no inverno para esquiar nos Alpes e no verão para nadar nos lagos pitorescos do país. Se você adora esportes ao ar livre, a Áustria irá surpreendê-lo com com sua beleza e majestade.

3. Viena: a cidade com a melhor qualidade de vida do mundo

Viena sem dúvida bateu um recorde, sendo por dez anos eleita a cidade com melhor qualidade de vida do mundo! Seja cultura, tempo livre, clima econômico, política ou segurança social, Viena é e continua a ser uma cidade com a qual muitos podem aprender.

4. Comida e bebida deliciosa

Você adora café? Então a Áustria é definitivamente o seu lugar! A cultura do café tem uma longa tradição no país, até os maiores pensadores deram rédea solta à sua inspiração nos cafés mais antigos da Áustria … Lá, junto com uma Sachertorte ou um Apfelstrudel, não pode faltar nada para ser feliz.

5. Áustria: o coração da Europa

Em uma viagem de trem saindo da Áustria, você pode saborear um delicioso gelatto na bela Itália ou uma cerveja na Oktoberfest de Munique. Graças às excelentes ligações de mobilidade entre os países vizinhos, em poucas horas poderá dar uma ideia dos 8 países que circundam o coração da Europa.

Quer saber mais? Descubra aqui bolsas e possibilidades de financiamento de estudos na Áustria.

Conferência internacional de Professores de Alemão (IDT 2022), em Viena, está com chamada aberta para apresentações

A ÖDaF está organizando a XVII Conferência Internacional de Professores de Alemão (IDT 2022) em Viena, de 15 a 20 de agosto de 2022, com o tema *mit.sprache.teil.haben. A inscrição de comunicações em 55 seções pode ser feita até 20 de outubro de 2021. Clique aqui para ver mais informações.