O Jovem Törless de Musil: um espelho dos cantos escuros da alma

Adryan Martins

Robert Musil (1880-1942) foi um escritor e filósofo austríaco considerado um dos maiores escritores do século XX ao lado de nomes como Kafka. Nascido em Klagenfurt, no então Império Austro-Húngaro, sua trajetória foi um tanto incomum. Musil se formou em engenharia mecânica, mas logo se voltou para a filosofia, psicologia e matemática, concluindo seu doutorado em 1908. Tal formação híbrida, que conciliava o rigor científico com a especulação filosófica, marcaria profundamente sua literatura.

O conflito entre o pensamento racional e as forças irracionais já se anuncia em seu romance de estreia, O Jovem Törless (1906). A obra é em grande medida um reflexo de sua própria biografia. Na adolescência, Musil foi enviado pelos pais para um rigoroso internato militar, experiência que o marcou profundamente. Embora Musil mais tarde tenha negado qualquer relação autobiográfica, o livro aproveita diretamente desse ambiente opressor, transformando a memória em uma investigação psicológica e moralmente impiedosa. Mais do que um simples “romance de formação” (Bildungsroman1), a obra de Musil utiliza o ambiente do internato para mostrar o despertar da sexualidade, a mecânica do poder e a fragilidade da ética, antecipando com uma lucidez perturbadora as sombras que em breve pairariam sobre a Europa.

Não é apenas um texto sobre a própria juventude, pois a escrita de Musil em O Jovem Törless revela um olhar curioso e ao mesmo tempo perturbador sobre o que se passa nos cantos escuros da alma. Ele não se contenta em narrar os fatos, prefere analisar as contradições que habitam o peito de Törless, a excitação que vem junto com o nojo, o impulso de proteger que se confunde com o desejo de destruir. O internato, com seus corredores vazios e regras rígidas, serve como uma lente de aumento para essas tensões e Musil conduz o leitor não por explicações prontas, mas por uma atmosfera de desconforto e estranhamento, como quem aponta para o que a razão insiste em ignorar, a fragilidade dos limites entre o certo e o errado quando os instintos torna-se a principal linha de raciocínio.

  1. Segundo consta na Wikipedia, o termo Bildungsroman é usado para o tipo de romance em que é exposto, de forma minuciosa, o processo de desenvolvimento físico, moral, psicológico, estético, social ou político de uma personagem, geralmente desde a sua infância ou adolescência até um estado de maior maturidade.

Existe um austríaco típico? E um alemão típico? 

Raíza Custódio, aluna da disciplina de Alemão I como parte do projeto de extensão do curso de Letras Português-Alemão da UFPR 

Muitas vezes, quando começamos a aprender uma língua, já temos várias impressões formadas sobre como um povo é. Alemães são sempre diretos e pontuais – nada de fazer sala. Austríacos são frios e introvertidos. Mas será que é assim mesmo? 

A instrutora Mala Ullal, que trabalha como formadora intelectual na Alemanha, ajudando estrangeiros a se adequarem ao país, conta em uma entrevista para o site deutschland.de que, apesar da comunicação ser sim mais direta do que em vários outros países, as interações têm muitas outras nuances que dependem de região e experiências pessoais. 

Pensando justamente em abordar essas complexidades sobre o que é um austríaco típico, o jornal Der Standard fez uma série de quatro vídeos trabalhando o tema, passando por temas como comida, hobbies e organização. Veja o primeiro a seguir:

Recomendação de leitura: Wittgenstein e a filosofia austríaca – Questões de Rudolf Haller

Texto escrito por Felipe dos Santos Tassini, aluno da disciplina Alemão I como parte do projeto de extensão do curso de Letras Português-Alemão da UFPR

A filosofia no século XX costuma ser dividida em duas grandes correntes opostas: a tradição continental e a vertente analítica. Esta última, ainda extremamente dominante nos países anglófonos, tem sua história intimamente ligada à apropriação dos resultados da lógica formal contemporânea pelos pensamentos filosóficos de Gottlob Frege e Bertrand Russell, bem como às críticas ao idealismo britânico formuladas por este último em parceria com G. E. Moore. Entretanto, a filosofia analítica só alcançará o caráter de um novo paradigma especulativo — e seu impacto verdadeiramente transformador — a partir dos resultados obtidos por Ludwig Wittgenstein em sua juventude.

Foi Wittgenstein quem, com a publicação do Tractatus Logico-Philosophicus em 1921, operou um salto qualitativo na utilização da análise das condições lógicas da linguagem como método de esclarecimento e dissolução de aporias filosóficas, já presentes nos projetos de Russell e Frege. Porém, mesmo sendo majoritariamente influenciado pelos seus pares fundadores da perspectiva analítica — como reconhecido por ele mesmo no prólogo de sua primeira obra —, suas inspirações vão muito além dessas figuras.

Como um vienense proveniente de uma família muito abastada — seu pai, Karl Wittgenstein, foi um empreendedor tcheco de sucesso cujos negócios na indústria de ferro e aço o alçaram à condição de um dos homens mais ricos do Império Austro-Húngaro —, Wittgenstein teve um acesso privilegiado ao cenário intelectual da Áustria de sua época.

Rudolf Haller (1929–2014), filósofo austríaco e professor catedrático de pesquisa fundamental em filosofia na Universidade de Graz, pretendeu em seu livro de 1988, Wittgenstein e a filosofia austríaca: Questões, abordar essa relação entre o pensamento de Wittgenstein e a filosofia austríaca, procurando tanto construir uma história intelectual da Áustria desde Johann Friedrich Herbart (1776–1841) e Bernard Bolzano (1781–1848) quanto realizar análises comparativas entre os temas centrais do Tractatus e as ideias de autores como Fritz Mauthner, Otto Weininger e Oswald Spengler.

A tese que percorre os nove ensaios reunidos no volume é a de que existe uma tradição filosófica especificamente austríaca, cujos traços distintivos — empirismo, proximidade com as ciências, crítica da linguagem e rejeição da metafísica grandiosa — não apenas antecederam o surgimento da filosofia analítica, como ajudaram a moldá-la de maneira decisiva. Para Haller, Wittgenstein não é simplesmente um herdeiro de Frege e Russell que por acaso nasceu em Viena; ele é, antes, um pensador situado no cruzamento de duas tradições, alguém que levou para Cambridge uma sensibilidade filosófica forjada no ambiente intelectual austríaco e que, ao mesmo tempo, transformou essa herança ao submetê-la ao rigor da lógica formal.

Com isso, Haller nos oferece uma chave de leitura duplamente reveladora. Por um lado, ele ilumina facetas do pensamento de Wittgenstein que a historiografia convencional costuma deixar na sombra — como sua dívida para com a Sprachkritik de Mauthner ou sua admiração pelo rigor ético de Weininger. Por outro, ele reconstrói uma genealogia alternativa da filosofia contemporânea, na qual a Áustria deixa de figurar como mera coadjuvante e passa a ocupar o centro do palco. O resultado é um livro que, mais de três décadas após sua publicação, continua sendo leitura obrigatória para quem deseja compreender não apenas Wittgenstein e a tradição austríaca, mas o próprio desenvolvimento da filosofia no século XX.

Três vezes em que a Áustria esteve presente na história do Brasil

Texto de Giselle Pereira Maia, aluna da disciplina Alemão I como parte do projeto de extensão do curso de Letras Português-Alemão da UFPR. 

Apesar da distância e das diferenças culturais, o Brasil e a Áustria compartilham momentos históricos importantes. Por trás de diversos elementos do nosso cotidiano há heranças austríacas que muitos brasileiros nem imaginam. Veja três delas:

O amarelo da bandeira nacional

Ao contrário do que muitos aprendem na escola, a cor amarela na bandeira do Brasil não significa apenas o ouro do país. A cor foi escolhida como homenagem à Casa de Habsburgo, família austríaca de Maria Leopoldina, a primeira imperatriz do Brasil e esposa de Dom Pedro I.

Quer saber mais sobre Maria Leopoldina? O Centro Austríaco desenvolveu um material para alunos de alemão de nível A1 sobre a imperatriz. Conheça aqui.

As primeiras grandes pinturas do Rio de Janeiro

A chegada de Maria Leopoldina ao Rio de Janeiro, em 1817, mudou a ciência no país. A arquiduquesa tinha uma enorme paixão por botânica e mineralogia, e trouxe consigo muitos cientistas, médicos e pintores europeus. Durante anos, eles exploraram o território brasileiro, registraram a fauna e a flora e criaram as mais famosas pinturas das paisagens do Rio de Janeiro daquele século.

Pintura de Thomas Ender (Vista do Rio de Janeiro, 1837): acervo da Galeria de Pinturas da Academia de Belas Artes de Viena, Áustria

A origem da expressão “Brasil, país do futuro

Stefan Zweig foi um escritor austríaco de grande influência da década de 20. Por ser judeu, ele precisou fugir da Europa durante a Segunda Guerra Mundial e abrigar-se no Brasil. Durante a sua estadia, escreveu sobre o país e nomeou-o como “Brasil, país do futuro”, essa expressão fez tanto sucesso na época que é possível ouvi-la até os dias de hoje, como na música “Perfeição” da banda Legião Urbana.

O Centro Austríaco também já fez um material didático sobre o período que Stefan Zweig e sua esposa, Lotte Zweig, passaram no Brasil. Veja mais aqui.

Esses fatos, que são pouco conhecidos, demonstram que é muito importante conhecer a história de outros países para entender o nosso, afinal, o Brasil foi formado por uma mistura de etnias e culturas. Logo, a Áustria deixou diversas marcas na nossa arte, literatura e até mesmo na nossa bandeira nacional.

Anton Zeilinger, o “Papa Quântico”

Susi Horn

Anton Zeilinger, nascido em 1945 em Ried im Innkreis, é um dos mais renomados físicos quânticos da atualidade e, requisito básico para receber um blog por aqui, austríaco. Em 2022, recebeu o Prêmio Nobel de Física por seus experimentos com fótons emaranhados, em conjunto com seus colegas Alain Aspect e John Clauser. Esse e outros experimentos seus confirmaram que o entrelaçamento quântico está certo, o que pavimenta o caminho para computadores quânticos, redes quânticas e comunicação criptografada quântica.

Mas, afinal, o que é essa tal de física quântica? A palavra “quântico” se ouve por aí vez ou outra, principalmente quando alguém quer deixar um certo tema mais interessante e complexo. Na física, no entanto, ela tem um significado muito específico, então convido-os a um breve episódio de Physics for Dummies (e entre esses dummies encontra-se também a autora que vos fala).

De acordo com uma pesquisa muito séria no modo IA do Google, a palavra vem do latim quantum, significando “quanto” ou “qual a quantidade”, ou seja, no próprio nome desse ramo da física, os físicos já mostram que nem eles sabem do que se trata. Mas, brincadeiras à parte, pesquisas em páginas mais confiáveis dizem que esse ramo da física estuda aquilo que acontece em escala extremamente pequena, trabalhando nas escalas de partículas até mesmo subatômicas. Assim, estuda-se o comportamento das partículas fundamentais, aquelas que formam tudo o que há no mundo. Essa física lida muito mais com probabilidades do que com leis determinísticas tal qual a física clássica.

A título de curiosidade, alguns dos fenômenos que a física quântica ajuda a iluminar ou ajudou a inventar/descobrir, onde a clássica newtoniana não deu conta, são a física nuclear, o laser, os computadores quânticos, o decaimento radioativo, a espectroscopia atômica (seja o que for isso), entre outros. Além disso, ainda pode-se mencionar alguns nomes importantes da área, como o de Max Planck, conhecido como o pai da física quântica, Albert Einstein, Ernest Rutherford, Niels Bohr, Werner Heisenberg e Erwin Schrödinger, também austríaco.

Assim, Zeilinger não só conseguiu o feito de “desemaranhar” esse ramo da física, mas de fazer o mesmo com os seus fótons emaranhados.

Desde criança, ele gostava de entender como as coisas funcionam, indicando isso já ao desmontar as pobres bonecas de sua irmã. Após completar o ensino médio, entre 1963 e 1971 o jovem estudou física e matemática na Universidade de Viena. Depois de formado, foi professor visitante em diversas universidades fora da Áustria, como nos EUA, na Alemanha, na Grã-Bretanha e na França — um talento nato como professor, ele foi um docente que, com muito carisma, também ensinou a física ao público amplo. Até se tornar professor emérito em 2013, Zeilinger lecionou na Universidade de Viena, onde também foi decano da faculdade de física e participou do conselho do Instituto para Física Experimental. Além do prêmio Nobel, que não lhe foi concedido à toa, Zeilinger pela primeira vez teve sucesso com a teletransporte quântico de partículas de luz, em 1997, criptografou a primeira transação bancária pelo emaranhamento quântico em 2007 e ganhou diversos outros prêmios pelos seus trabalhos na física.

Numa entrevista publicada pelo canal de YouTube da Universidade de Viena, lhe fazem a pergunta “qual foi sua descoberta científica mais importante?”. Anton Zeilinger reponde, de modo muito simples, que essa descoberta seria o fato de a informação ser a base da ciência, e não a investigação de uma realidade material. Essa afirmação ganha cada vez mais defensores em meio aos físicos modernos: a informação seria o ingrediente básico da qual todo o resto — partículas, campos, forças, tempo, espaço — emerge. Por exemplo, a dureza de um diamante é apenas uma informação de como os átomos dele estão ligados; a cor de um pôr do sol, então? Informação sobre a frequência das ondas de luz. 

E, para finalizar com algo mais leve e compreensível, o cientista ainda dá um conselho aos recém-ingressados na universidade: façam aquilo pelo que se interessam, não o que os seus avós ou pais querem de vocês. Parece uma dica óbvia, mas não é tão óbvia assim quando se observa os jovens nos ambientes universitários, dos quais tantos seguem desejos alheios nas suas escolhas acadêmicas, e não os próprios. Imaginem só se um gênio como Zeilinger tivesse seguido qualquer área menos a que é sua paixão, imaginem os descobrimentos que se teria adiado por isso! Dito isso, sigam o que acende sua curiosidade, de onde podem surgir as maiores e melhores descobertas.

Bons dias. 

Relato de aprendizagem: Influências linguísticas e fonológicas entre alemão, português e espanhol

Texto de Carlos Alejandro Peña Suárez (como parte da extensão da disciplina Alemão I dos alunos do curso de Letras Alemão da UFPR)

A aprendizagem de uma nova língua não é influenciada apenas pela gramática e pelo vocabulário, mas também pelas estruturas linguísticas que o aprendiz já conhece. Pesquisas na área de aquisição de segunda e terceira língua demonstram que a língua materna e outras línguas previamente aprendidas influenciam diretamente a pronúncia, a percepção auditiva e a compreensão de novos padrões linguísticos.

Como falante nativo de espanhol e estudante de português e alemão, é interessante observar como essas três línguas interagem entre si. Principalmente no nível fonológico, surgem vantagens e dificuldades específicas.

O alemão pertence à família germânica, enquanto o português e o espanhol fazem parte das línguas românicas. Apesar dessas diferenças, estudos sobre “cross-linguistic influence” mostram que até mesmo línguas tipologicamente distantes podem compartilhar características que influenciam o processo de aprendizagem.

Aprender alemão sendo falante de português ou espanhol

Para falantes de português e espanhol, o alemão costuma parecer difícil inicialmente devido aos casos gramaticais, à ordem das palavras e às palavras compostas longas. O sistema de nominativo, acusativo, dativo e genitivo não existe da mesma forma no português e no espanhol.

No entanto, no campo da fonologia aparecem diferenças interessantes entre lusófonos e hispanofalantes. Pesquisas sobre interferência fonológica mostram que hábitos articulatórios da língua materna influenciam diretamente a produção de novos sons.

O português brasileiro apresenta sons mais guturais e posteriores do que o espanhol em alguns contextos fonéticos. Isso pode facilitar para falantes de português a percepção e a reprodução de certos sons do alemão, como o “ch” e determinados sons fortes de “r”. Já falantes de espanhol costumam possuir um sistema vocálico mais estável e regular. Isso pode favorecer a pronúncia clara de vogais alemãs. Por outro lado, sons guturais e algumas combinações consonantais do alemão podem representar maior dificuldade.

Aprender português ou espanhol sendo falante de alemão

Falantes de alemão encontram inicialmente elementos familiares no português e no espanhol, como o alfabeto latino e diversas palavras internacionais. Entretanto, novas dificuldades surgem especialmente no aspecto fonológico.

No português brasileiro, as vogais nasais possuem grande importância. Palavras como “não”, “mãe” e “pão” apresentam nasalização, característica ausente no alemão. Pesquisas sobre percepção fonológica indicam que sons inexistentes na língua materna tendem a ser mais difíceis de reproduzir corretamente.

Além disso, o ritmo da fala em português difere bastante do alemão. O português brasileiro apresenta uma entonação mais fluida e musical, enquanto o alemão costuma ser percebido como mais segmentado ritmicamente.
No espanhol, a relação entre escrita e pronúncia costuma ser mais regular. Mesmo assim, a velocidade da fala e a variedade de formas verbais podem representar desafios para falantes de alemão.

Interferência linguística e multilinguismo

Pesquisas sobre multilinguismo demonstram que, ao aprender uma terceira língua, não apenas a língua materna exerce influência, mas também outras línguas previamente aprendidas. Esse processo é conhecido como “cross-linguistic influence”.

Entre português e espanhol ocorre frequentemente interferência lexical e fonológica. Devido à proximidade entre essas línguas, aparecem falsos cognatos, misturas gramaticais e influências na pronúncia.

Ao mesmo tempo, a proximidade linguística pode acelerar o processo de aprendizagem. Entretanto, estudos indicam que o excesso de semelhança também pode gerar simplificações excessivas e erros fossilizados.

Conclusão

A aprendizagem de alemão, português e espanhol mostra como língua, fonologia e experiência cultural estão profundamente conectadas. A língua materna influencia não apenas a gramática, mas também a percepção e a produção de novos sons.

Falantes de português podem apresentar vantagens em determinados sons guturais do alemão, enquanto falantes de alemão frequentemente encontram dificuldades com a nasalização do português. Já falantes de espanhol podem se beneficiar de um sistema vocálico mais estável, embora enfrentem outros desafios fonológicos.

Aprender diferentes línguas, portanto, não é apenas um processo linguístico, mas também cultural e cognitivo.

Referências e fontes de pesquisa
Odlin, Terence. Language Transfer: Cross-Linguistic Influence in Language Learning.
Cambridge University Press.
Ellis, Rod. Understanding Second Language Acquisition. Oxford University Press.
Cenoz, Jasone; Hufeisen, Britta; Jessner, Ulrike. Cross-linguistic Influence in Third Language
Acquisition.
Estudos sobre interferência fonológica e aquisição multilíngue:
Cambridge University Press – Cross-linguistic Influence in Multilingual Development.
Pesquisas sobre percepção fonológica e transferência articulatória em aquisição de L2 e L3.
Estudos comparativos sobre fonologia do português brasileiro, espanhol e alemão.
Conceitos gerais de fonética articulatória, fonologia e multilinguismo aplicados ao ensino de
línguas.
Observações pessoais desenvolvidas a partir do estudo acadêmico de português e alemão.

Conheça a banda austríaca “Sanguis et Cinis”

Joe Silva (como parte da extensão da disciplina Alemão I dos alunos do curso de Letras Alemão da UFPR)

Sanguis et Cinis: Biografia e Legado

Fundada em 1994 após o encontro entre Eve Evangel e Ashley Dayour, a banda austríaca Sanguis et Cinis consolidou-se como um dos nomes fundamentais da cena darkwave europeia. Seus primeiros passos foram marcados pela demo Requiem 1791, que trazia faixas emblemáticas como “Schicksalswölfe” e “Gedankensplitter”.

Trajetória

Em 1996, o lançamento do álbum de estreia, Schicksal, atraiu a atenção da gravadora MOS Records. Com o tempo, a formação passou por mudanças estratégicas: Eve buscou uma nova identidade visual para o grupo, integrando Celine Cecila Angel. Após a saída de Ashley Dayour e a passagem de membros como Arthur e Richard, a banda estabilizou-se como um trio.

A banda conquistou palcos internacionais, realizando shows memoráveis na Alemanha, Portugal, Itália e Áustria, além de turnês por locais tão distintos quanto México, África do Sul, Rússia e Estados Unidos. Dividiram festivais com ícones como Diva Destruction, Noctivagus e Within Temptation. Em 2003, o prestígio do grupo foi selado com a capa da revista alemã Orkus.

Nos anos 90, o grupo era um dos principais expoentes do Neue Deutsche Todeskunst, movimento que introduziu o idioma alemão na sonoridade darkwave. Com o tempo, sua estética evoluiu para uma fusão de Rock Alternativo e Rock Gótico.

Recomendações: O Som em Alemão Austríaco

Para quem deseja explorar a fase mais autêntica da banda, os álbuns abaixo são essenciais. Eles trazem letras inteiramente em alemão, mesclando sintetizadores atmosféricos com guitarras de timbres bem característicos:

  • Wie der unberührte Traum einer Jungfrau (Como o sonho intocado de uma virgem)
  • Schicksal (Destino)

Onde Escutar
Mergulhe na discografia oficial através das plataformas de streaming:

Capa do primeiro álbum lançado pela banda



Vaca austríaca impressiona pesquisadores por uso de ferramentas

Uma vaca austríaca simpática chamada Veronika viralizou nas redes sociais e impressionou biólogos, tudo isso porque usa uma vassoura para se coçar. Até aí, tudo bem: vários animais são capazes de usar ferramentas. O que chama atenção no caso de Veronika, porém, é o uso complexo que faz do objeto. Ela consegue usar a vassoura para se coçar e a ponta do cabo para se cutucar. O grupo de animais capazes do feito é bem mais seleto, e envolve chimpazés e humanos.

Veja a seguir um vídeo sobre Veronika feito pelo jornal Der Standard:

Além das muitas visualizações, o tema gerou também um debate sobre a relação entre humanos e animais e principalmente como vemos e pesquisamos outras espécies. Para ver mais sobre isso, recomendamos o texto de Eva Stanza no Wiener Zeitung (em alemão).

Para pessoas que ensinam ou aprendem alemão, a Deutsche Welle preparou um áudio e exercícios de compreensão sobre o tema. O material é indicado a partir do nível B1.

Exibição do Documentário: Schladming Misteriosa – a conexão dos Habsburgos com o Brasil

Herança da Áustria Schladming misteriosa – a conexão dos Habsburgos com o Brasil
O diretor Alexander Frohner e o autor Günter Fuhrmann desvendam o mistério de Schladming a partir daqui, viajando até o Brasil no rastro dos descendentes da arquiduquesa austríaca Leopoldina, que se casou lá.
Um de seus herdeiros, August Leopold, mais tarde fez de Schladming sua residência principal. O nativo de Coburg com raízes brasileiras atraiu a aristocracia internacional e artistas de toda a monarquia do Danúbio para a cidade alpina.

O documentário que mostra algumas das raízes austríacas no Brasil será exibido em Curitiba exclusivamente aos alunos da UFPR (por conta de direitos autorais) no dia 4 de junho, às 9:40.

Não perca!

O teatro do século XVIII ainda faz sentido hoje?

Você prefere encenações clássicas ou releituras provocativas? A peça Ifigênia em Táuris, de Goethe, é um exemplo perfeito para refletir sobre isso.

Inspirada na tragédia de Eurípides e escrita em 1779, a peça coloca Ifigênia em um dilema moral entre lealdade e liberdade, destacando o poder da razão e do diálogo. Ifigênia, sacerdotisa do templo de Diana na terra dos Táurios, luta para manter sua integridade moral em meio a um povo bárbaro. Quando seu irmão Orestes e seu amigo Pílades chegam à ilha em busca da estátua de Diana para expiar a culpa de Orestes, Ifigênia precisa escolher entre a lealdade à sua nova pátria e o desejo de retornar à Grécia. Diferente da versão trágica de Eurípides, Goethe enfatiza o poder da razão, da verdade e do humanismo, permitindo que o conflito seja resolvido sem violência, apenas pelo diálogo e pela honestidade de Ifigênia.

Na Áustria, duas montagens atuais interpretam essa história de formas bastante distintas, mas ambas dialogando com a realidade que estamos vivendo fora dos teatros:

Akademietheater (Viena) – Dirigida por Ulrich Rasche, a produção transforma o palco em uma experiência hipnótica: cenários monumentais, ritmos mecânicos, percussão intensa e atores em esforço físico constante. A peça vira um espetáculo visual e sonoro sobre poder, violência e resistência feminina. Assista um trecho:

Stadttheater Klagenfurt – Com direção de Ana Stepiani, essa versão foca na autossuficiência de Ifigênia como um manifesto pela desobediência e o empoderamento feminino. Em vez de uma tragédia distante, temos uma peça que questiona normas sociais e dá voz à luta pela liberdade.

Duas abordagens, um mesmo texto – e um convite à reflexão! E você, qual estilo prefere? Tradicional ou reinterpretado?