Você sabe quem é Johann Nepomuk Nestroy?

Johann Nepomuk Nestroy (1801-1862) é o ancestral da vanguarda literária e teatral da Áustria. Ator e autor aclamado durante seu tempo, é também nome de referência e enorme influência para muitos escritores austríacos canônicos do século XX e do começo do XXI, que até hoje se definem como devedores de sua poética dramatúrgica (por exemplo, Karl Kraus ou Elfriede Jelinek).

Seu traço distintivo como dramaturgo não está nos enredos de suas peças (os quais poucas vezes são de sua autoria), nem na construção psicológica de seus personagens (praticamente inexistente), mas na própria língua – uma língua “que se fala e que fala consigo mesma”, como disse Elfriede Jelinek (2001) – escritora austríaca laureada com o Prêmio Nobel de 2004 –, num pequeno texto que dedicou a Nestroy.

Quer saber mais sobre Nestroy e as poucas traduções que temos de sua obra aqui no Brasil? Clique aqui para ler um artigo de Ruth Bohunovsky sobre o autor.

O escritor Karl Kraus – cujo trabalho foi traduzido para o inglês pelo escritor americano Jonathan Franzen – tinha Nestroy como um de seus heróis literários

Ruth Klüger faria aniversário de 90 anos no dia 30 de outubro

A escritora e pesquisadora Ruth Klüger faria 90 anos no dia 30 de outubro. Falecida em outubro de 2020, ganhou vários prêmios por seu trabalho como crítica e pesquisadora de literatura. 

Em sua obra ensaística, por exemplo, Klüger se debruça sobre as possibilidades e limites da literatura para tratar de assuntos como o holocausto e a memória de um modo mais geral; sobre a relação entre literatura e realidade; sobre a mulher na literatura, seja como autora seja como personagem; e sobre clássicos da literatura mundial. O livro de sua autoria que mais recebeu atenção e reconhecimento internacional foi a coleção de ensaios Frauen lesen anders, de 1996. 

Klüger nasceu em 1931 em Viena. Aos 11 anos, foi deportada com sua mãe para o campo de concentração Theresienstadt. Em 1945, logo antes do fim da guerra, conseguiu fugir do campo de concentração e foi morar com a mãe na Baviera, então ocupada pelos americanos. Essa experiência foi narrada na sua autobiografia, Weiter leben, publicada em 1992 – publicada no Brasil com o título de Paisagens da memória: Autobiografia de uma sobrevivente do Holocausto (trad. Irene Aron, Editora 34, 2005).

Em 1947, Klüger emigrou com sua mãe para os EUA, onde estudou biblioteconomia e germanística. Foi professora da Universidade de Princeton, da Universidade da Califórnia e professora convidada da Universidade Georg-August, em Göttingen. 

O Centro Austríaco possui quatro livros da autora em sua coleção: Frauen lesen anders, Weiter leben, Gelesene Wirklichkeit e Freuds Ödipus im androgynen Rosenkavalier

Elfriede Jelinek comemora aniversário de 75 anos

Chamada de representante da “literata raivosa” da Áustria, como foi chamada numa publicação da Deutsche Welle, Elfriede Jelinek comemora hoje, 20 de outubro, seu aniversário de 75 anos.  

Um dos nomes de peso da literatura contemporânea, ganhadora do Prêmio Nobel de 2004, Elfriede Jelinek vive isolada e distante do mundo agitado dos eventos literários. Mesmo assim, é capaz de causar mais polêmicas e discussões acaloradas que muitos escritores e dramaturgos bem mais presentes nas mídias e redes sociais. Conhecida por sua voz crítica e por tocar de modo inusitado em temas como sexualidade, violência, facismo e consumismo, se posiciona por meio de ensaios, artigos, romances e, sobretudo, textos teatrais, a maioria deles acessíveis em seu próprio site (elfriedejelinek.com). 

Com seu último texto teatral, “Lärm. Blindes Sehen. Blinde Sehen!” [Barulho. Ver cego. Cegos vêem!], já encenado em diversos palcos europeus, ela reagiu rapidamente à pandemia, dialogando ao mesmo tempo com mitos da Antiguidade e a tecnologia moderna de comunicação. 

No Centro Austríaco, estamos trabalhando na tradução de alguns textos da escritora. Confira aqui um dos primeiros resultados. 

Além disso, disponibilizamos também o curso “Não quero teatro! O teatro de Peter Handke e Elfriede Jelinek no contexto da dramaturgia pós-dramática”, organizado pelo Centro Austríaco e ministrado por Artur Kon, na íntegra no YouTube. 

Companhia das Letras publica “Mestres Antigos”, último livro de Thomas Bernhard, no Brasil

A editora Companhia das Letras acaba de publicar no Brasil o livro “Mestres Antigos“, do escritor austríaco Thomas Bernhard, com tradução de Sergio Tellaroli. Publicado originalmente em 1985, foi o último romance escrito por Thomas Bernhard (Extinção, publicado apenas em 1986, já tinha sido escrito nos anos anteriores). É um romance ambientado no famoso Museu da História de Arte de Viena, lugar em que o narrador Atzbacher observa seu velho amigo Reger, um sarcástico crítico da arte que costuma frequentar o museu a cada dois dias para mergulhar na observação de um quadro de Tintoretto e refletir sobre temas como o sentido da vida ou a limpeza dos banheiros públicas da Áustria. Escrito no estilo monológico, vertiginoso, mal-humorado e muitas vezes hilário de Bernhard, o livro é um dos mais brilhantes do autor. As passagens referentes à falecida esposa de Reger podem ser lidas como uma homenagem à pessoa mais importante na vida do próprio Bernhard, seu “ser vital”, Hedwig Stavianicek, amiga que o acompanhou por boa parte de sua vida e que havia falecido em 1984.

Confira também os títulos sobre Thomas Bernhard que já foram publicados pela Editora UFPR: Artista do Exagero: a literatura de Thomas Bernhard e Thomas Bernhard e seus seres vitais; assim como a peça O Presidente. O lançamento de Uma festa para Boris, também pela Editora UFPR, está previsto para 2022.

ABEG prorroga o prazo de inscrição de comunicações

O 4º Congresso da Associação de Estudos Germanísticos prorroga o prazo de inscrição de comunicações para o dia 24 de outubro. O evento acontece entre os dias 24 e 26 de novembro de 2021 em formato online. Clique aqui para ver as propostas de seções e aqui para acessar os resumos.

Também convidamos todas e todos a conhecer a seção DACH(L): a diversidade linguística e cultural dos países de língua alemã na teoria e em sala de aula, organizada por Ruth Bohunovsky (UFPR), coordenadora do Centro Austríaco, e Anisha Vetter (UNICAMP). Confira a descrição:

DACH(L): a diversidade linguística e cultural dos países de língua alemã na teoria e em sala de aula
Criado nos anos 1990 para substituir as “ABCD-Thesen”, o conceito “DACH(L)” – acrônimo que representa os três países de língua alemã Alemanha (D), Áustria (A) e Suíça (CH), assim como a pequena Liechtenstein – continua presente e relevante na área de ensino/aprendizagem de alemão como segunda língua/língua estrangeira. A coletânea Weitergedacht – Das DACH-Prinzip in der Praxis (Shafer, Middeke, Hägi-Mead, Schweiger 2020) – que, aliás, foi publicada integral e gratuitamente na internet – mostra a atual diversidade de abordagens teóricas e práticas relativas à questão de como, porque e em que medida abordar em sala de aula assuntos ligados à diversidade cultural e linguística dos países de língua alemã. Hoje, há unanimidade de que as três variações nacionais do idioma alemão, o alemão, o austríaco e o suíço, são igualmente corretas e que temas e discursos relacionados com todos os países e regiões de língua alemã devem ser integrados no ensino, em livros didáticos e em provas oficiais. Partindo dessas premissas, esta sessão tem como objetivo refletir como o conceito DACH(L) pode e deve fazer parte do ensino de alemão como LE no Brasil, um país muito distante dos países de língua alemã e onde a maioria dos aprendizes se encontra em níveis iniciais. Convidamos a participar da nossa sessão todas e todos interessadas/os em questões como: a diversidade linguística do alemão, isto é, as três variações nacionais consideradas Standarddeutsch, pode e/ou deve ser levada em consideração no ensino da língua no Brasil? Em que momento, em que medida e com que material didático esse tema deve ser abordado? Como podemos tratar de assuntos culturais relacionados aos diversos países e regiões de língua alemã, sem lançar mão de estereótipos turísticos e/ou culturais? Como podemos entender o conceito de “cultura” no intuito de estabelecer um diálogo entre a teoria e a prática? Quais as abordagens teóricas e didáticas mais úteis, mais atuais ou mais relevantes para nos ajudar a estabelecer esse diálogo de uma maneira viável para os docentes e benéfica para os aprendizes?

Anisha Vetter (UNICAMP)
Ruth Bohunovsky (UFPR)

Em caso de dúvidas, escrever para ruth.bohunovsky@gmail.com. As propostas de comunicações podem ser enviadas para o mesmo endereço.

Curso “Não quero teatro!” está disponível no YouTube

O curso “Não quero teatro!: O teatro de Peter Handke e Elfriede Jelinek no contexto da dramaturgia pós-dramática”, ministrado por Artur Kon e organizado pelo Centro Austríaco, está disponível na íntegra no canal de YouTube da Pós Graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná.

Confira:

Primeiro Encontro

Segundo encontro

Terceiro encontro

Quarto encontro

Quinto encontro

As atividades do Centro Austríaco recebem apoio da Universidade Federal do Paraná, do Setor de Humanas da UFPR, do Departamento de Polonês, Alemão e Clássicas da UFPR, do Programa de Pós Graduação em Letras-UFPR, da Embaixada da Áustria em Brasília, do Consulado da Áustria em Curitiba, da Agência Brazil Way e patrocínio da Referência Rent a Car.

Convite para aula aberta sobre Stefan Zweig

O Instituto Martius-Staden de Ciências, Letras e Intercâmbio Cultural Brasileiro-Alemão convida para uma aula pública sobre o escritor Stefan Zweig.

A aula virtual será ministrada pela Sra. Kristina Michahelles, jornalista de economia e trabalhou no Jornal do Brasil, na revista Veja e na Rede Globo. Além disso, é autora, editora e tradutora de vários livros. Em 2013, ganhou o Prêmio Jabuti na categoria de tradução do alemão para o português. Atualmente, é diretora da Casa Stefan Zweig – Petrópolis-RJ.

Data: 05 de outubro de 2021

Horário: 14h

Local: canal do Instituto Martius-Staden no YouTube 

As atividades do Instituto Martius-Staden destinam-se a fomentar o intercâmbio cultural entre o Brasil e países de língua alemã, como a Alemanha, a Áustria e a Suíça. A principal atuação do Instituto Martius-Staden é manter acessível ao público em geral um dos mais importantes acervos sobre a imigração dos povos de língua alemã para o Brasil, formado por documentos, jornais, livros, mapas, fotografias e outros materiais.

Evento: Ernst Jandl – Experimentações Poéticas

A Casa de Estudos Germânicos (CEG), da UFPA, e o Projeto de Pesquisa “Mobilidades Literárias” convidam para mais uma “Roda de literatura em tradução”!

As experimentações poéticas do poeta austríaco Ernst Jandl serão apresentadas em nossa Roda pela convidada Fabiana Macchi. Tradutora, pesquisadora e docente na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Fabiana nos acompanhará na leitura compartilhada de poemas de Jandl traduzidos por ela.

As inscrições estão abertas até o dia 01/10 e podem ser feitas por meio deste formulário.

Data e horário: 05/10, terça-feira, das 15h às 17h
Organização: Casa de Estudos Germânicos e Projeto de Pesquisa “Mobilidades Literárias”
Convidada: Fabiana Macchi
Moderadora: Fernanda Boarin Boechat

Um poema uma rosa: tempos de ar-reverso

O evento “Um poema uma rosa”, que celebra 101 anos do nascimento de Paul Celan, está disponível no YouTube.

A primeira parte do evento foi também o pré-lançamento do livro de poemas “A rosa de ninguém”, de Paul Celan (trad. Mauricio Mendonça Cardozo, Editora 34). Veja mais:

Já a segunda parte foi também um pré-lançamento do livro de poemas “Ar-reverso”, de Paul Celan (trad. Guilherme Gontijo Flores, Editora 34):

Escritor austríaco Clemens J. Setz recebe o Prêmio Georg-Büchner de 2021

Foto de Max Zerrahn

A Academia Alemã de Língua e Poesia (Deutsche Akademie für Sprache und Dichtung) premiou o escritor austríaco Clemens J. Setz com o prêmio Georg-Büchner de 2021.

“Com Clemens J. Setz, a Academia Alemã de Língua e Poesia homenageia um artista linguístico que repetidamente explora a fronteira humana em seus romances e histórias. Sua drástica e, às vezes, perturbadora, punhalada está no coração de nosso presente porque segue um impulso profundamente humanista. Clemens J. Setz combina esta filantropia com um conhecimento enciclopédico e uma riqueza de imaginação poética e linguística. Com surpreendente versatilidade, ele demonstra uma contemporaneidade radical que, livro após livro, atesta a beleza e a obstinação de uma grande literatura”, disse o júri.

Clemens J. Setz nasceu em 1982 em Graz, onde estudou matemática e língua alemã. Escreve romances, histórias, poemas e peças de teatro. Ele já recebeu muitos prêmios, inclusive: Prêmio de Literatura da Cidade de Bremen 2010, Prêmio da Feira do Livro de Leipzig 2011, Prêmio de Literatura do Kulturkreis der Deutschen Wirtschaft 2013, Prêmio de Literatura Wilhelm Raabe 2015, Prêmio de Literatura de Berlim 2019, Prêmio Kleist 2020. Mora atualmente em Viena.

Veja o anúncio completo no site do prêmio.