Divulgação: I Simpósio de Literatura Suíça (FALE – UFMG)

Texto de divulgação enviado pela organização do evento.

Durante muitas décadas, toda a literatura de expressão alemã foi englobada sob o rótulo de “literatura alemã”, sem que se fizessem grandes distinções sobre as peculiaridades de cada nacionalidade envolvida. Esse cenário, contudo, está passando por uma lenta transição. Por mais de uma década, a professora da UFPR e coordenadora do Centro Austríaco, Ruth Bohunovsky (2010), tem trabalhado na pesquisa e divulgação de uma literatura especificamente austríaca.

Enquanto isso, a literatura suíça de expressão alemã tem importantes pontos de recepção no Brasil, como as traduções da prosa realista de Romeu e Julieta na aldeia, de Gottfried Keller, e A aranha negra, de Jeremias Gotthelf, ambas por Marcus Mazzari.

Para além da escritora do clássico infantil Heidi, Johanna Spyri, tal literatura apresenta outros nomes de peso, como Robert Walser, e outros menos conhecidos de nosso público leitor, como Carl Spitteler, a despeito de ter sido traduzido entre nós por ninguém menos que Manuel Bandeira. Além disso, há também o naturalizado suíço Hermann Hesse e os artistas dadaístas do Cabaret Voltaire, em Zurique, apenas para ficar no cânone, o contista – tão conhecido das antigas aulas de DaF, Peter Bichsel – e o cabaretista e escritor de livros infantis Franz Hohler.

Temos as recorrentes montagens de peças de Friedrich Dürrenmatt, assim como publicação das traduções de A promessa e A pane, do mesmo autor, disponíveis na Editora Estação Liberdade, que está preparando mais obras de Dürrenmatt e seu conterrâneo Max Frisch.
Outro expoente da prosa e dramaturgia suíça-germanófona do século XX e grande interlocutor de Dürrenmatt, Max Frisch, também está representado no Brasil, pelas traduções de Homo Faber por Herbert Caro e de Stiller por Irene Aron. – E não falta a nosso público um sucesso editorial (traduzido para mais de trinta idiomas) como Trem noturno para Lisboa, de Pascal Mercier (pseudônimo de Peter Bieri).

E devemos destacar que ainda há certa falta de traduções, dificultando uma mais plena recepção da literatura suíça, que conta com um bastante vivo movimento contemporâneo. Martin Suter é um escritor favorito nacional com seus romances policiais e thrillers. O dramaturgo e autor Lukas Bärfuss, cuja obra tem forte tônica pós-colonial, recebeu em 2019 o principal prêmio de língua alemã, o Georg-Büchner-Preis. Christian Kracht frequentemente levanta polêmicas com suas publicações, que são altamente aguardadas também em toda a Alemanha. Nascida na antiga Iugoslávia e residente em Berna, a escritora Meral Kureyshi é uma relevante voz da migração na Suíça. Além disso, a literatura escrita em alemão-suíço encontrou recentemente seu novo herói, Pedro Lenz, cuja obra foi filmada e começa, agora, a ser traduzida para o alemão padrão.

A presença suíça nas publicações brasileiras, contudo, pouco se reflete em uma discussão na germanística nacional sobre especificidades daquela literatura. Rusterholz e Solbach (2007), organizadores de um compêndio de história da literatura suíça, citam Friedrich Dürrenmatt (1921-1990), que a certa altura de sua carreira assim descreve a própria condição:

O escritor suíço-alemão vive sob a tensão de falar diferente do que escreve. À língua materna junta-se logo a língua paterna (pátria). O alemão suíço, sua língua materna, é o idioma do sentimento; o alemão, como sua ‘língua pátria’ é o de seu intelecto, sua vontade, sua aventura’. (RUSTERHOLZ, SOLBACH 2007, p. XII, tradução nossa)
Entretanto, falar um dialeto e escrever na chamada língua-padrão do Hochdeutsch, ou Standarddeutsch como é chamado na variedade helvética, é apenas uma das muitas questões com que se confrontam e definem autores e autoras da literatura suíça de expressão alemã. A alegada neutralidade política, a multiculturalidade e suas implicações para uma identidade nacional, além do contexto mais recente das migrações oferecem outros objetos de estudo.

Todo este panorama, composto não apenas por obras já traduzidas, mas também por outras que aguardam pesquisa mais intensa e a descoberta por nossos editores, convida-nos, portanto, à releitura, à crítica e ao debate. É para tal empenho, na forma de um simpósio, a ser realizado na forma híbrida (presencial + online) que aqui convidamos pesquisadores/as e tradutores/as interessados, a se realizar nos dias 3, 4 e 5 de setembro de 2025. Submissões até 20 de junho de 2025 pelo e-mail literaturasuicasimposio@gmail.com

Referências
BOHUNOVSKY, Ruth. À procura da literatura austríaca: da construção à análise de um mito. In: Pandaemonium Germanicum, vol. 15, 2010, p. 139-162
MATT, Peter von. Das Kalb vor der Gotthardpost. Zur Literatur und Politik der Schweiz. München: Hanser, 2012.
RUSTERHOLZ, Peter & SOLBACH, Andreas (Hrsg.). Schweizer Literaturgeschichte. Stuttgart/Weimar: J.B.Metzler, 2007.

Call for Papers para o Simpósio “German Abroad 6: Deutsch weltweit: Diversität und Vitalität / A língua alemã no mundo: diversidade e vitalidade”

Estão abertas as inscrições para o Simpósio “German Abroad 6: Deutsch weltweit: Diversität und Vitalität/ A língua alemã no mundo: diversidade e vitalidade”, que acontece entre os dias 1 e 3 de outubro de 2025 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre.

O evento realiza ainda uma excursão para região de fala de língua alemã no dia 4 de outubro.

Os resumos podem ser enviados até 15 de março de 2025. A chamada completa está disponível em alemão e em português.

Vídeo da roda de conversa com a escritora Sarah Habersack

A gravação da roda de conversa com a escritora Sarah Habersack já está disponível no nosso canal do Youtube!

No dia 9 de novembro, a escritora austríaca, que mora no Brasil há quase 5 anos, falou com a jornalista, tradutora e pesquisadora Gisele Eberspächer, sobre o seu livro “O que desejaram”, publicado pela Opera Editorial, em março de 2023. A narrativa conta a história de quatro mulheres, de diferentes gerações e países, que tentam superar conflitos internos e externos durante a história.

Confira a gravação completa:

Oficina presencial sobre material didático

Durante os dias 24 e 25 de novembro, realizamos um encontro presencial do nosso grupo de estudo e de elaboração de material didático. Essa oficina foi coordenada pelas professoras Cristina Rettenberger (Leitora OeAD), Catarina Portinho (UFPR) e Franziska Lorke (UTFPR) e teve apoio financeiro do OeAD. Com o financiamento do OeAD foi possível custear a vinda de colegas de outras regiões do Brasil para a participação do evento aqui em Curitiba. Tivemos participantes de Belém, de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de Pomerode e de Curitiba. 

Como propósito da oficina tínhamos a discussão sobre tendências atuais no campo da elaboração de materiais didáticos para o ensino de ALE e a aplicação dos conceitos e ideias discutidos na elaboração de materiais didáticos inéditos. Para a criação dos materiais os participantes foram divididos em grupos. Cada grupo tinha um enfoque temático e deveria montar seu material didático ao redor dele. As temáticas a serem abordadas foram Ida Pfeiffer, Ismael Ivo e Fachwerkzimmer.   

No dia 24, após a introdução, cada grupo teve um momento inicial para juntar ideias e debater enfoques temáticos para abordar no material didático. Nesse mesmo dia, deu-se a parte mais teórica do evento. As professoras coordenadoras trataram da aprendizagem cultural, da taxonomia de Bloom e de direitos autorais. Analisamos também materiais didáticos já finalizados para verificar se e como esses conceitos se apresentavam neles. 

A partir dessa preparação teórico-crítica, pôde-se no dia seguinte (25) iniciar a elaboração dos materiais didáticos próprios. Com a aprendizagem cultural-reflexiva em mente, iniciamos a produção de materiais que têm assuntos relacionados ao universo cultural e discursivo da Áustria e do Brasil (que é um dos objetivos dos materiais produzidos pelo Centro Austríaco). No final do evento, cada grupo fez uma apresentação do que foi produzido até então para os demais. Esse momento permitiu um compartilhamento de ideias, além da correção de algumas atividades, graças às observações e sugestões de colegas.

Adorno e o Modernismo Vienense

Por Felipe Serafim Vieira

O pensamento de Theodor Adorno pode ser explorado de diversas formas. Adorno foi um teórico crítico do fascismo sob a ótica da propaganda e a forma como esta influenciava a formação dos indivíduos cada vez mais “massificados” de sua época, mas também foi um ensaísta que, conjuntamente com Max Horkheimer, escreveu um dos clássicos da Filosofia do século XX, a saber, a Dialética do Esclarecimento (1947) e, vinte anos depois, escreveu a Dialética Negativa – obra de cunho mais substancialmente filosófica de sua fase mais madura. Com influências diversas (Freud, Marx, Hegel, Nietzsche, Weber) Adorno se destaca também em áreas como a crítica literária, sua obra Notas de Literatura é dividida em três livros e evidencia outras de suas influências (Proust, Kafka, Beckett, Celan); sem esquecer, claro, de sua produção de crítica musical, que compõe, quantitativamente, a maior parte de sua obra completa. Adorno era compositor e estudou em Viena como discípulo de Alban Berg. Aliás, sua história com Viena poderia começar a ser contada a partir desse evento de importância maior em sua vida e obra. Em 1924 Adorno se torna doutor em Filosofia pela Universidade de Frankfurt e, neste mesmo ano, assiste ao lado de Walter Benjamin Três Fragmentos de Wozzeck, op.7, de Berg, em Frankfurt. Profundamente impactado com este arranjo para vozes e orquestra do compositor vienense, Adorno se muda no ano seguinte para passar uma temporada na Metrópole do Danúbio. Viena não é uma cidade qualquer para Adorno. Sua experiência na cidade pode ser considerada definitiva para o que o filósofo frankfurtiano desenvolverá nos anos seguintes em termos de estética filosófica e elaboração sobre vanguardas artística – sobretudo em música e literatura. Em sua última década de vida, anos 60, Adorno chega até mesmo a redigir dois textos dedicados à Viena, são eles: Viena (1960) em que reflete sobre a importância da cidade para o desenvolvimento da música dodecafônica, ou atonal, da assim chamada “Segunda Escola de Viena” composta por Arnold Schönberg, Anton Webern e Alban Berg; já em Viena, após a Páscoa de 1967 (1967) Adorno reflete sobre suas memórias de jovem estudante naquela cidade durante os anos 20 e as mudanças ocorridas quando a reencontra já na fase final de sua vida. Faço o convite para pensarmos, a partir desses dois textos, a importância da atmosfera intelectual e artística que o modernismo vienense teve no geral e, especialmente, na obra de Adorno.

No dia 21 de dezembro, às 18:30, teremos aqui no Centro Austríaco o evento “O Modernismo de Viena e o Círculo de Viena: características e relevância para o pensamento filosófico moderno”.

O Modernismo de Viena – do qual tratamos em diversos eventos ao longo deste ano – é associado a um período de aproximadamente duas décadas, localizado entre os séculos XIX e XX. Seu impacto revolucionário nas artes, na política e na filosofia foi enorme e nos fascina até hoje. Quase no mesmo período, formou-se, também em Viena, ainda outro grupo de filósofos e cientistas, em torno do físico e filósofo Moritz Schlick, que marcou igualmente o pensamento do século XX em diversas áreas: o famoso Círculo de Viena.

Os palestrantes Prof. Dr. Ivan Ferreira da Cunha e Felipe Serafim Vieira apresentarão as características principais que colocam esse grupo de cientistas, matemáticos e filósofos em contato com o modernismo de sua época, assim como a influência do Modernismo de Viena na obra de um dos filósofos de língua alemã mais importantes do século passado, Theodor Adorno.

Conheça mais os palestrantes:

Prof. Dr. Ivan Ferreira da Cunha: Graduado (UEL, 2005), Mestre (UFSC, 2008) e Doutor em Filosofia (UFSC, 2012). Sua pesquisa é na área de filosofia da ciência e enfoca autores do Círculo de Viena (especialmente Rudolf Carnap e Otto Neurath) e do Pragmatismo Americano (em particular John Dewey). Lattes.


Felipe Serafim Vieira é mestrando em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Graduado em Filosofia (UFPR). Tem experiência na área de Teoria Crítica, com ênfase em estética e política, atuando principalmente nos seguintes temas: Adorno, Benjamin, Paulo Arantes, Teoria crítica da arquitetura e Filosofia política. Lattes.

Para participar do evento, inscreva-se no formulário disponível aqui.

Evento gratuito, online e em português.

Próximo evento do Centro Austríaco: Roda de conversa com a escritora Sarah Habersack

Nessa quinta-feira, 9 de novembro, o Centro Austríaco terá o prazer de receber a escritora Sarah Habersack em um evento online.

A escritora austríaca, que mora no Brasil há quase 5 anos, falará com a jornalista, tradutora e pesquisadora Gisele Eberspächer, sobre o seu livro “O que desejaram”, publicado pela Opera Editorial, em março de 2023. A narrativa conta a história de quatro mulheres, de diferentes gerações e países, que tentam superar conflitos internos e externos durante a história.

O evento é gratuito e aberto para todos os interessados. Para participar, basta fazer sua inscrição através do formulário disponível aqui.

Data: 09/11

Horário: 18:30 às 20:00

Evento em português.

Próximo evento: Art, Gender and Class in Viennese Modernism

Na próxima terça-feira, dia 13 de junho, acontecerá a palestra “Art, Gender and Class in Viennese Modernism”, com a Dra. Elana Shapira.

Estar vestido adequadamente foi estabelecido, há muito tempo, como forma de reivindicação da autoridade social. No entanto, na cena artística vienense, artistas e arquitetos, homens e mulheres, clamavam sua criatividade ao escolher desenhar vestidos incomuns e assim como remover suas próprias roupas e também de outras pessoas, como modelos e acompanhantes. O design intitulado “Jugendstil” e a arte expressionista são tipicamente associados com o modernismo vienense.

Esta palestra abordará a relação entre arte, gênero e classe na arte vienense por volta do ano de 1900. Artistas famosos como Gustav Klimt, Oskar Kokoschka, Egon Schiele e Broncia Koller-Pinell, e os arquitetos e designers Otto Wagner, Adolf Loss, Josef Hoffmann e Vally Wieselthier expuseram, através de seus projetos e, literalmente, da remoção de roupas, rebelião social de gênero, assim como fantasias sexuais cruciais para a compreensão da arte e do design vienense.

A Prof. Dra. Elana Shapira atuou como coeditora, com Anne-Katrin Rossberg, no livro Gestalterinnen: Frauen, Design und Gesellschaft, que será lançado em agosto deste ano. Assim como no projeto que será publicado, com Despina Stratigakos, em 2024, intitulado Ella Briggs: An Unconventional Architect. Shapira também atuou como uma das organizadoras no Simpósio Internacional “It Hurts! Violence Against Women in Art and Society”, confira mais sobre esse evento aqui. Além disso, em 2022, ela organizou o Simpósio Internacional “Austrian Identity and Modernity”, saiba mais sobre o simpósio aqui.

Quer participar do nosso próximo evento? Acesse o formulário de inscrição disponível aqui.

Palestra em inglês.

Webinar “Tourismus in Österreich: Urlaub, Umwelt und Unzufriedenheit”

No Webinar “Tourismus in Österreich: Urlaub, Umwelt und Unzufriedenheit”, com a Profa. Ruth Bohunovsky, que acontecerá no dia 23 de junho, será examinado mais de perto o tópico “Turismo na Áustria”. Os participantes conhecerão pontos turísticos e locais conhecidos do país, assim como diferentes tipos de turismo e ainda terão uma visão das discussões e discursos atuais sobre o tema. Além disso, materiais didáticos (a partir do nível A2) serão apresentados e testados pelos participantes que poderão usar esses materiais em suas aulas.

Saiba mais sobre esse evento e faça a sua inscrição acessando o link disponível aqui.

Literatura no Modernismo Vienense, uma breve introdução com o Professor Lughofer

Na quarta-feira, dia 26 de abril, aconteceu a palestra com o professor austríaco Johann Georg Lughofer, especialista em literatura, da Universidade de Ljubljana (Eslovênia), sobre literatura no modernismo vienense.

O palestrante fez uma breve explanação sobre o contexto do modernismo vienense, uma época revolucionária, também chamada de Vale do Silício da alma, que deu origem a um importante período cultural e histórico em Viena. Muitos assuntos foram questionados, como, por exemplo, a questão de gênero, que possibilita uma comparação com o momento atual. Outro fator central foi a segunda revolução industrial com o desenvolvimento da tecnologia eletrônica. Além disso, essa época foi marcada por grandes avanços na área acadêmica e intelectual, com pensadores como Sigmund Freud ou o físico Ernst Mach. Outras questões como o antissemitismo e o sionismo também foram discutidas.

Todas essas mudanças influenciaram fortemente a percepção de identidade: por exemplo, a diferença entre dia e noite foi relativizada pela possibilidade de iluminação noturna elétrica. Da mesma forma, a percepção espacial mudou com meios de transporte mais rápidos ou com o acesso a novos meios de comunicação. A mudança da percepção do ser no tempo e no espaço talvez tenha provocado uma reflexão mais profundo do ser. Nervos e alma são, portanto, palavras-chave daqueles tempos, paralelos podem ser vistos com os tempos de hoje. Com as novas hipóteses sobre a psique, novos discursos foram gerados em torno do ser humano, que não parece estar no controle total de seu ser, mas constantemente controlado por autoridades superiores do subconsciente, segundo as teorias de Freud. Todos esses aspectos inquietantes e intrigantes, que provocam a ruptura de velhas percepções sobre a própria identidade, se refletem em um novo movimento literário.

O movimento Jung Wien foi então introduzido pelo palestrante, o grupo ficou conhecido pelo alcance de novas formas e tradições de escrita literária. O que eles tinham em comum era o interesse pela experiências íntimas e internadas do individuo; a alma inesgotável. Lughofer cita o escritor Hofmannsthal sobre a alma: “é uma observadora e um objeto ao mesmo tempo, ou seja, um assunto sobre o qual não se pode escrever e articular”.

Em seguida, Lughofer apresentou alguns dos mais importantes escritores da época, entre eles Hermann Bahr, Peter Altenberg, Leopold Andrian, Felix Salten e Arthur Schnitzler. Ao final da palestra, o público teve a oportunidade de interpretar alguns poemas, entre outros, o famoso poema “Ballade des äußeren Lebens ”, de Hofmannsthal. Convidamos aos leitores a se sentir um pouco mais próximos do pensar dessa época com a leitura deste poema:

BALLADE DES ÄUSSEREN LEBENS

Und Kinder wachsen auf mit tiefen Augen,
Die von nichts wissen, wachsen auf und sterben,
Und alle Menschen gehen ihre Wege.

Und süße Früchte werden aus den herben
Und fallen nachts wie tote Vögel nieder
Und liegen wenig Tage und verderben.

Und immer weht der Wind, und immer wieder
Vernehmen wir und reden viele Worte
Und spüren Lust und Müdigkeit der Glieder.

Und Straßen laufen durch das Gras, und Orte
Sind da und dort, voll Fackeln, Bäumen, Teichen,
Und drohende, und totenhaft verdorrte …

Wozu sind diese aufgebaut? und gleichen
Einander nie? und sind unzählig viele?
Was wechselt Lachen, Weinen und Erbleichen?

Was frommt das alles uns und diese Spiele,
Die wir doch groß und ewig einsam sind
Und wandernd nimmer suchen irgend Ziele?

Was frommts, dergleichen viel gesehen haben?
Und dennoch sagt der viel, der ›Abend‹ sagt,
Ein Wort, daraus Tiefsinn und Trauer rinnt

Wie schwerer Honig aus den hohlen Waben

De vítimas caladas e culpados inocentes

Hoje, às 14 horas aqui no Brasil, acontecerá a apresentação do novo livro de Klemens Renoldner, diretor do Centro Stefan Zweig em Salzburgo durante muito anos.

O livro História de dois acusados [Geschichte zweier Angeklagter, 2023] conta as histórias do avô do autor, o major da polícia Alois Renoldner, preso um dia após a “anexação” da Áustria pela Alemanha nazista. Ele passou quase dois anos em prisões e campos de concentração, sem acusação clara. Sabia desde o começo que o responsável pela prisão foi seu chefe, um fanático nazista, que mandou prender e deportar vários colegas. Depois de voltar, Alois Renoldner nunca falou para sua família sobre a experiência vivida, suas únicas palavras a respeito foram “Foi muito difícil”. Depois da guerra, seu chefe, Ewald Simmer, também foi preso e acusado formalmente, mas escapou de uma punição justa e voltou a integrar a sociedade como homem respeitado e inocente.

O livro de Klemens Renoldner conta a história de uma vítima que pede por perdão para o responsável de seu próprio sofrimento, assim como a história de um traidor, responsável por várias prisões e mortes, que se apresenta como vítima. 

O autor Klemens Renoldner vai falar sobre seu livro hoje, numa apresentação em Viena, aproximadamente às 19 horas (14 horas no Brasil). O evento será transmitido ao vivo e pode ser assistido pelo link disponível aqui.