Gravação do evento de lançamento de “O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades”

No mês de abril, o Centro Austríaco junto com a Embaixada Austríaca e os institutos Goethe de São Paulo, Brasília e Curitiba, promoveu eventos de lançamento de O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades, de Elfriede Jelinek. 

Para quem não conseguiu comparecer ao evento, a editora Temporal disponibilizou, em seu canal do YouTube, a gravação da mesa com Bettina Hering. Dramaturgista e diretora teatral do renomado Festival de Salzburgo, Hering compartilhou com o público informações sobre Henrik Ibsen e Elfriede Jelinek e aspectos de suas obras. 

Confira o vídeo completo aqui:

O texto, traduzido por Angélica Neri, Gisele Eberspächer, Luiz Abdala Jr. e Ruth Bohunovsky, apresenta um dos traços fundamentais da escrita de Elfriede Jelinek: a intertextualidade – principalmente com as peças Uma Casa de Bonecas e Pilares da Sociedade, de Henrik Ibsen, mas conversa também com textos de diversas áreas (como política, feminismo, cultura pop etc.)

Após o fim da peça Uma Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen, Nora passa a ser uma mulher emancipada, que sai em busca da sua liberdade. Como forma de tematizar questões sociais complexas, Elfriede Jelinek retrata as diferentes estruturas de submissão da mulher na sociedade. No caso de Nora, seja pela sua condição de operária de fábrica, seja em seu novo casamento com o Cônsul Weygang – personagem que ela emprestou de outra peça de Ibsen, “Pilares da Sociedade” – ela se vê submissa diante de todas as estruturas que a reprimem – mas também contribui, contrariando suas próprias intenções no começo da peça, para que essas estruturas não se alterem.

Você ainda pode conferir o artigo Henrik Ibsen, criador de “Uma Casa de Bonecas” e outras peças, de Bettina Hering, publicado no blog da editora temporal.

O livro pode ser adquirido no site da editora temporal.

Webinar “Tourismus in Österreich: Urlaub, Umwelt und Unzufriedenheit”

No Webinar “Tourismus in Österreich: Urlaub, Umwelt und Unzufriedenheit”, com a Profa. Ruth Bohunovsky, que acontecerá no dia 23 de junho, será examinado mais de perto o tópico “Turismo na Áustria”. Os participantes conhecerão pontos turísticos e locais conhecidos do país, assim como diferentes tipos de turismo e ainda terão uma visão das discussões e discursos atuais sobre o tema. Além disso, materiais didáticos (a partir do nível A2) serão apresentados e testados pelos participantes que poderão usar esses materiais em suas aulas.

Saiba mais sobre esse evento e faça a sua inscrição acessando o link disponível aqui.

Red Bull: a gigante austríaca

De velocidades que chegam a mais de 200 km/h até estádios de futebol lotados, a gigante Red Bull não parece diminuir o ritmo quando o assunto é negócios no mundo esportivo. Nos últimos anos o nome Red Bull se tornou um sinônimo de esportes radicais e projetos extremos (um salto da estratosfera é um feito difícil de superar), porém suas empreitadas não param aí. Atualmente dona de duas equipes na Fórmula 1, oito times de futebol, e patrocinando cerca de 700 atletas em diversas áreas, o sucesso da empresa austríaca neste ramo é inegável.

Sucesso este que se mantém quando pensamos os projetos individualmente. O Red Bull Racing e seus pilotos prodigiosos Max Verstappen e Sergio Perez estão atualmente em uma temporada absolutamente dominante de GPs. No que tange o futebol a compra do Bragantino de São Paulo parece ter surtido o efeito desejado, o time, atualmente Red Bull Bragantino, saiu da série B e agora segue firme na disputa para a primeira página da série A do Brasileirão. Mais forte ainda segue o Red Bull Leipzig, oficialmente RasenBall Leipzig devido a leis alemãs referentes a patrocínios, muito próximo de encerrar a Bundesliga em terceiro lugar e garantindo seu lugar na próxima Liga dos Campeões.

Uma empresa com este tipo de sucesso, a terceira maior dos “soft drinks” e a maior dos energéticos, só poderia ter uma história de origem digna de se conhecer um pouco. Em 1982, o empresário austríaco Dietrich Mateschitz viajou para a Tailândia e se encontrou com Chaleo Yoovidhya, proprietário da T.C Pharmaceutical. Durante a visita, Mateschitz percebeu que a bebida “Krating Daeng” de Chaleo o ajudou significantemente com a fadiga causada pela diferença de fuso horário. Então em 1984, Mateschitz fundou a Red Bull GmbH em parecia com Chaleo Yoovidhya e a transformou em uma marca internacional. Os dois proprietários então repartiram a empresa em 49% para cada, com os 2% restantes ficando para o filho de Yoovidhya, porém ficou acordado que Mateschitz é que comandaria a empresa. O primeiro Red Bull viria a ser lançado em 1987 na Áustria.

Atualmente a Red Bull GmbH é sediada na cidadezinha de Fuschl am See na Áustria, perto de Salzburg. Comandada pela família Yoovidhya após a morte de Mateschitz em 2022, que lutava há anos contra uma doença.

Bolsa de pós-doutorado NOMIS

O Programa de Bolsas NOMIS no Instituto de Ciência e Tecnologia da Áustria (ISTA) oferece a pesquisadores de pós-doutorado a liberdade de trabalhar em questões na interseção de duas ou mais disciplinas científicas em um ambiente científico único, ao mesmo tempo em que oferece a segurança de orientação científica excepcional de profissionais que são referências em suas respectivas áreas. Uma proposta de projeto interdisciplinar, a ser coorientada por dois representantes de grupos de diferentes disciplinas, identifica projetos e bolsistas que demonstram grande flexibilidade, criatividade e colaboração.

Todos os campos de pesquisa apoiados pelo ISTA serão elegíveis (consulte aqui). Caso a especialização interdisciplinar específica necessária para a pesquisa proposta não esteja disponível no ISTA, um supervisor secundário externo pode ser proposto.

NOMIS e ISTA concederão duas bolsas NOMIS anualmente, após um processo de inscrição em duas etapas (incluindo entrevista).

Benefícios de uma bolsa NOMIS:

Recursos de ponta e de última geração: unidades de serviço científico, fundos de pesquisa e viagens
Liberdade para explorar conceitos de alto risco; posição totalmente financiada por três anos (salário mínimo de 60.500 EUR (bruto) anualmente)
Ambiente de pesquisa aberto, colaborativo e interdisciplinar
Capacitação para o desenvolvimento de habilidades interdisciplinares; orientação dupla
O ensino no ISTA é incentivado (mas não obrigatório), com o objetivo de criar o ambiente mais propício para a criação e transferência de conhecimento
Integridade científica e treinamento de liderança, bem como suporte ao desenvolvimento de carreira
Contato com às redes globais da ISTA e da Fundação NOMIS de pesquisadores excepcionais e pioneiros


Requisitos de elegibilidade:

No momento do recrutamento (ou seja, no prazo de 8 meses após o prazo de candidatura), os candidatos devem ter obtido o seu doutorado e, de preferência, ter adquirido a sua primeira experiência de pós-doutorado e/ou formação interdisciplinar. No entanto, o Painel de Seleção de Bolsas NOMIS também considerará candidatos excepcionalmente promissores que não se enquadrem nos critérios acima.
Idealmente, os candidatos terão experiência inicial de pós-doutorado (ou interdisciplinar significativa). No entanto, o júri de seleção do NOMIS considerará todos os candidatos pendentes.
Os candidatos devem ter uma afiliação existente a uma instituição acadêmica/de pesquisa (nota: os candidatos internos não devem ter trabalhado no ISTA por mais de 12 meses na data limite de inscrição).
Após a rodada de avaliação inicial, os candidatos com melhor classificação devem estar disponíveis para uma entrevista remota após, aproximadamente, 4 a 6 semanas do prazo de envio.
No momento do recrutamento, os candidatos aprovados já devem ter obtido seu doutorado.
Se for bem-sucedido, a bolsa NOMIS deve começar dentro de seis meses a partir da notificação.
Consulte o guia do candidato, as perguntas frequentes e o formulário de auto avaliação de ética antes de se inscrever.

Enquanto isso, envie qualquer dúvida que possa ter sobre o programa para nomis-fellowship@ista.ac.at

Mais informações aqui

Prazo de inscrição: 15 de junho de 2023

Elfriede Jelinek e Peter Handke, dois ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura

Desde o começo deste milênio, uma escritora e um escritor austríacos ganharam o Prêmio Nobel de Literatura: em 2004, foi Elfriede Jelinek quem ganhou a cobiçada condecoração “por seu fluxo musical de vozes e contra-vozes em romances e dramas que, com extraordinário zelo linguístico, revelam o absurdo dos clichés da sociedade e seu poder de subjugo”. Em 2019, Peter Handke. Na ocasião, o comitê justificou a escolha com as palavras de que o autor mereceria o prêmio “por sua obra influente que explorou, com engenho linguístico, as áreas marginais e a peculiaridade da experiência humana“. 

As frases citadas sobre os motivos da entrega da distinção já apontam que estamos lidando com obras bastante diversas: enquanto Jelinek está interessada, através de sua literatura, em abordar, criticar e revelar contradições da sociedade em que vivemos e tratar de seus mecanismos de poder e discriminação, a obra de Handke se dedica em grande parte a questões de âmbito mais subjetivo ou a relação entre linguagem e a nossa percepção da realidade. 

Vejamos dois exemplos: num dos seus primeiros romances, As amantes [Die Liebhaberinnen], ainda sem tradução no Brasil, Jelinek trata da vida familiar, da construção de famílias e dos imaginários acerca dessa instituição no meio rural. Em vez de histórias de amor romântico com final feliz, a autora apresenta os esforços das duas protagonistas femininas para formar uma família como uma luta em que cada uma tenta eliminar as concorrentes mais fortes, mais atrativas e/ou mais ricas, para se casar com o homem que mais parece prometer uma ascensão social. A possibilidade de uma vida independentemente, também em termos econômicos, existe, mas são as próprias mulheres que optam pelo caminho do casamento para subir na vida. As mulheres, apesar de vítimas das estruturas patriarcais, contribuem assim para a manutenção dessas estruturas que as mantêm num lugar de segunda categoria. Mais que qualquer outro autor ou outra autora, Jelinek analisa e expõe fria e cruelmente o mundo das pequenas mentiras que nos contamos no dia a dia para manter em pé o nosso imaginário acerca da própria felicidade e do nosso sucesso.  

Já Peter Handke, embora às vezes também se manifesta sobre questões políticos (lembrando aqui as polêmicas em que se envolveu no que diz respeito à Sérvia durante a Guerra dos Balcãs), se debruça com grande intensidade sobre questões de âmbito subjetivo e o processo de escrita literária, a relação entre realidade e palavra. Citamos aqui um trecho do texto de orelha de uma das últimas traduções de sua obra aqui no Brasil, A segunda espada – uma história de maio (Tradução de Luis S. Krausz; Estação Liberdade, 2022): “Um exercício de escrita, uma introspecção no ofício. Peter Handke permanece fiel a si mesmo numa balada ao redor de seu terreiro nos arrabaldes parisienses. É nessas cercanias que o Prêmio Nobel de 2019 consegue dar as mais longínquas escapadas reais e imaginárias. Leva em sua navegação desde operários no bar local em fim de expediente até questionamentos à família sobre o nazismo. Qualquer semelhança com os road movies de Wim Wenders em seus melhores tempos não será coincidência: um se alimenta do outro.” 

A palavra “introspecção” talvez seja uma chave possível para comparar, mesmo que de modo bastante superficial, as obras de Jelinek e Handke, pois enquanto o termo é bastante útil para se referir à literatura de Handke, a de Jelinek não combina bem com esse termo, pois a escritora faz algo bem diferente, coloca o mundo, a sociedade, o patriarcado, o capitalismo, o racismo – para citar apenas alguns exemplos – na sua mira e abaixo de seu microscópio literário. 

Para leitores e leitoras interessadas nas obras de Jelinek e Handke, seguem aqui ainda algumas indicações de traduções brasileiras. De Elfriede Jelinek, temos 2 romances traduzidos (A pianista, 2011, Tordesilhas, tradução de Luis S. Krausz; Desejo, 2013, Tordesilhas, tradução de Marcelo Rodinelli). Há poucas semanas, saiu também o texto teatral O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades (2023, Temporal, trad. Angélica Neri, Gisele Eberspächer, Luiz Abdala Jr., Ruth Bohunovsky).  

Já de Peter Handke, há mais traduções disponíveis. Textos em prosa: A mulher canhota & Breve carta para um longo adeus (1985, Brasiliense, trad. Lya Luft); O medo do goleiro diante o pênalti & Bem-aventurada infelicidade (1988, Brasiliense, trad. Zé Pedro Antunes); A repetição (1988, Rocco, trad. Betty Kunz); A ausência (1989, Rocco, trad. Lya Luft); História de uma infância (1990, Companhia das Letras, trad. Nicolino Simone Neto); A tarde de um escritor (1993, Rocco, Reinaldo Guarany); Don Juan – Narrado por ele mesmo (Estação Liberdade, 2003, trad. Simone Homem de Mello); A perda da imagem: ou através da Sierra dos Gredos (2009, Estação Liberdade, trad. Simone Homem de Mello); Ensaio sobre o louco por cogumelos: uma história em si (2019, Estação Liberdade, trad. Augusto Rodrigues); Ensaio sobre a jukebox (2019, Estação Liberdade, trad. Luis S. Krausz); Ensaio sobre o cansaço (2020, Estação Liberdade, trad. Simone Homem de Mello); Ensaio sobre o dia exitoso: sonho de um dia de inverno (2020, Estação Liberdade, trad. Simone Homem de Mello); A segunda espada (2022, Estação Liberdade, trad. Luis S. Krausz). Ainda temos a coletânea de textos teatrais Peças faladas (2015, Perspectiva, trad. Samir Signeu). 

Estudar e trabalhar na Áustria – noções básicas legais e recursos da Uniport

A Uniport, Serviço de Carreira Universidade de Viena, informou em uma palestra online sobre estudar e trabalhar na Áustria como nacional de um país terceiro. Compartilhamos aqui o resumo dos assuntos mais importantes.

Noções básicas legais:

Permissão de Residência – Estudante/ Aufenthaltsbewilligung – Student

• Para nacionais de países terceiros que tenham sido admitidos a estudar no ensino superior em uma instituição da Áustria. 

• Normalmente será emitido por um período de 12 meses, podendo ser renovado posteriormente. 

• Prova de aproveitamento escolar: 16 créditos ECTS por ano letivo. 

• Você deve levar sua “Permissão de Residência – Estudante” em todos os momentos para provar seu direito a residência na Áustria (especialmente durante uma viagem!) 

Trabalhando enquanto estuda…. importante saber

• Acesso ao mercado de trabalho: 20 horas/semana 

• Observação: comece a trabalhar apenas com uma autorização de trabalho válida/”Beschäftigungsbewilligung” 

• Não há alteração no número de horas permitidas (20 horas/semana) durante o intervalo do semestre ou feriados. 

Estágios profissionais (Berufspraktikum) e não remunerados (Volontariat) 

• Estágios profissionais: a autorização para fazer um estágio depende do fato de o estágio ser ou não um requisito obrigatório pelo currículo da sua licenciatura. 

• Estágios não remunerados: até três meses por ano civil com o único objetivo de adquirir conhecimentos práticos e habilidades sem compromisso com o trabalho e sem qualquer direito a remuneração. 

E depois da formatura? 

• Renovação da autorização de residência por mais 12 meses para procura de emprego ou constituição de empresa. 

• Cartão Vermelho-Branco-Vermelho 

O que é o Cartão Vermelho-Branco-Vermelho para graduados universitários/ Rot-Weiß-Rot-Karte für Studienabsolvent*innen?  

Com o Cartão Vermelho-Branco-Vermelho, a Áustria oferece uma autorização de residência para nacionais de países terceiros que desejam trabalhar como trabalhadores qualificados na Áustria e desejam permanecer na Áustria permanentemente. 

O que é preciso para obter o cartão?

Prova de oferta de emprego adequado: 

• O trabalho deve ser correspondente às preferências do candidato, 

• ser pago, e 

• cumprir os critérios especiais de elegibilidade. 

Para um cartão RWR (Rot-Weiß-Rot-Karte ) para graduados universitários, estes são, em particular, os pré-requisitos: 

• Conclusão de um programa de bacharel, pelo menos a segunda etapa de um tradicional programa de diplomas  (“Diplomstudium”), um programa completo de mestrado ou um programa de doutorado/doutorado numa instituição de ensino superior austríaca 

• Contrato de trabalho/contrato preliminar para um emprego correspondente ao seu nível de educação e com um salário mínimo local para trabalho profissional e experiência.

O que deve conter em um curriculum vitae? 

¬ Disposição e estrutura 

¬ Foto (profissional e atualizada) 

¬ Conteúdo 

⎫ Dados pessoais 

⎫ Experiência profissional/estágios/outras experiências profissionais 

⎫ Educação 

⎫ Formação contínua/qualificações adicionais 

⎫ Estudar / ficar no exterior 

⎫ Idiomas, habilidades de TI e outras habilidades relevantes 

⎫ Voluntariado, interesses e hobbies (opcional) 

Outros recursos on-line 

• Informação do Serviço Nacional de Emprego / Arbeitsmarktservice (AMS) sobre emprego de estrangeiros: aqui.

• Site oficial do governo sobre migração: informações sobre autorizações de residência, autorizações de trabalho,  etc.: aqui.

• Informações extensas e específicas do grupo-alvo sobre entrada e residência para estudantes e investigador, compilado por OEAD (Österreichischer Austauschdienst) aqui.

Todas as informações também disponíveis em inglês aqui.

• ABA – Austrian Business Agency: Ampla informação sobre o processo de imigração aqui.

• Aconselhamento profissional multilíngue e apoio em questões de reconhecimento. Auxílio na busca de „cursos intermediários“/formação contínua e seu financiamento aqui.

• Infos des Arbeitsmarktservices (AMS) zu den Themen Ausländer*innenbeschäftigung aqui.

• Brutto-Netto-Rechner der Arbeiterkammer – Calculadora online gratuita para calcular o seu salário antes e depois dos impostos, e/ou convertendo o salário anual em mensal e vice-versa aqui.

• Vienna Business Agency (Informações para pessoas que planejam iniciar seu próprio negócio) disponível aqui.

Literatura no Modernismo Vienense, uma breve introdução com o Professor Lughofer

Na quarta-feira, dia 26 de abril, aconteceu a palestra com o professor austríaco Johann Georg Lughofer, especialista em literatura, da Universidade de Ljubljana (Eslovênia), sobre literatura no modernismo vienense.

O palestrante fez uma breve explanação sobre o contexto do modernismo vienense, uma época revolucionária, também chamada de Vale do Silício da alma, que deu origem a um importante período cultural e histórico em Viena. Muitos assuntos foram questionados, como, por exemplo, a questão de gênero, que possibilita uma comparação com o momento atual. Outro fator central foi a segunda revolução industrial com o desenvolvimento da tecnologia eletrônica. Além disso, essa época foi marcada por grandes avanços na área acadêmica e intelectual, com pensadores como Sigmund Freud ou o físico Ernst Mach. Outras questões como o antissemitismo e o sionismo também foram discutidas.

Todas essas mudanças influenciaram fortemente a percepção de identidade: por exemplo, a diferença entre dia e noite foi relativizada pela possibilidade de iluminação noturna elétrica. Da mesma forma, a percepção espacial mudou com meios de transporte mais rápidos ou com o acesso a novos meios de comunicação. A mudança da percepção do ser no tempo e no espaço talvez tenha provocado uma reflexão mais profundo do ser. Nervos e alma são, portanto, palavras-chave daqueles tempos, paralelos podem ser vistos com os tempos de hoje. Com as novas hipóteses sobre a psique, novos discursos foram gerados em torno do ser humano, que não parece estar no controle total de seu ser, mas constantemente controlado por autoridades superiores do subconsciente, segundo as teorias de Freud. Todos esses aspectos inquietantes e intrigantes, que provocam a ruptura de velhas percepções sobre a própria identidade, se refletem em um novo movimento literário.

O movimento Jung Wien foi então introduzido pelo palestrante, o grupo ficou conhecido pelo alcance de novas formas e tradições de escrita literária. O que eles tinham em comum era o interesse pela experiências íntimas e internadas do individuo; a alma inesgotável. Lughofer cita o escritor Hofmannsthal sobre a alma: “é uma observadora e um objeto ao mesmo tempo, ou seja, um assunto sobre o qual não se pode escrever e articular”.

Em seguida, Lughofer apresentou alguns dos mais importantes escritores da época, entre eles Hermann Bahr, Peter Altenberg, Leopold Andrian, Felix Salten e Arthur Schnitzler. Ao final da palestra, o público teve a oportunidade de interpretar alguns poemas, entre outros, o famoso poema “Ballade des äußeren Lebens ”, de Hofmannsthal. Convidamos aos leitores a se sentir um pouco mais próximos do pensar dessa época com a leitura deste poema:

BALLADE DES ÄUSSEREN LEBENS

Und Kinder wachsen auf mit tiefen Augen,
Die von nichts wissen, wachsen auf und sterben,
Und alle Menschen gehen ihre Wege.

Und süße Früchte werden aus den herben
Und fallen nachts wie tote Vögel nieder
Und liegen wenig Tage und verderben.

Und immer weht der Wind, und immer wieder
Vernehmen wir und reden viele Worte
Und spüren Lust und Müdigkeit der Glieder.

Und Straßen laufen durch das Gras, und Orte
Sind da und dort, voll Fackeln, Bäumen, Teichen,
Und drohende, und totenhaft verdorrte …

Wozu sind diese aufgebaut? und gleichen
Einander nie? und sind unzählig viele?
Was wechselt Lachen, Weinen und Erbleichen?

Was frommt das alles uns und diese Spiele,
Die wir doch groß und ewig einsam sind
Und wandernd nimmer suchen irgend Ziele?

Was frommts, dergleichen viel gesehen haben?
Und dennoch sagt der viel, der ›Abend‹ sagt,
Ein Wort, daraus Tiefsinn und Trauer rinnt

Wie schwerer Honig aus den hohlen Waben

De vítimas caladas e culpados inocentes

Hoje, às 14 horas aqui no Brasil, acontecerá a apresentação do novo livro de Klemens Renoldner, diretor do Centro Stefan Zweig em Salzburgo durante muito anos.

O livro História de dois acusados [Geschichte zweier Angeklagter, 2023] conta as histórias do avô do autor, o major da polícia Alois Renoldner, preso um dia após a “anexação” da Áustria pela Alemanha nazista. Ele passou quase dois anos em prisões e campos de concentração, sem acusação clara. Sabia desde o começo que o responsável pela prisão foi seu chefe, um fanático nazista, que mandou prender e deportar vários colegas. Depois de voltar, Alois Renoldner nunca falou para sua família sobre a experiência vivida, suas únicas palavras a respeito foram “Foi muito difícil”. Depois da guerra, seu chefe, Ewald Simmer, também foi preso e acusado formalmente, mas escapou de uma punição justa e voltou a integrar a sociedade como homem respeitado e inocente.

O livro de Klemens Renoldner conta a história de uma vítima que pede por perdão para o responsável de seu próprio sofrimento, assim como a história de um traidor, responsável por várias prisões e mortes, que se apresenta como vítima. 

O autor Klemens Renoldner vai falar sobre seu livro hoje, numa apresentação em Viena, aproximadamente às 19 horas (14 horas no Brasil). O evento será transmitido ao vivo e pode ser assistido pelo link disponível aqui.

Meaoiswiamia

O título enigmático deste artigo é, também, o lema da participação da Áustria na renomada Feira do Livro que está acontecendo nestes dias, em Leipzig (de 27 a 30 de abril). A Áustria é o país convidado deste ano, ou seja, sua produção literária ganha destaque especial no evento. Isso traz à tona, mais uma vez, a velha pergunta: existe uma literatura austríaca? E: fazer essa pergunta é relevante?  

A revista Die Zeit pediu a algumas pessoas, poetas e estudiosos, a completarem a frase “Literatura austríaca é…”. O que recebeu foram definições, reflexões e argumentações bem diversas. O escritor Thomas Stangl lembra que nem todo escritor ou toda escritora austríaca nasceu nesse país ou tem o alemão (austríaco) como primeira língua. Maja Haderlap, Florjan Lipuš ou Fiston Mwanza Mujila são exemplos de autores e autoras que vêm de outros contextos linguísticos e, hoje, são parte importante da literatura da Áustria. As margens, o excluído ou os limites borrados são, muitas vezes, as regiões onde se escreve a literatura mais interessante, mais urgente. E as fronteiras nacionais, quando vistas de perto, nunca parecem tão claras e definidas como quando vistas de longe. 

Também o cantor da famosa banda de música pop Wanda, Marco Wanda, tentou completar a frase acima mencionada, mas o resultado apenas mostra que ele está com mais dúvidas que certezas: “Não existe uma literatura austríaca”, diz Wanda, para logo depois listar vários nomes e exemplos de uma tal literatura austríaca e até afirmar que o mero fato de que os poetas da geração Beat dos Estados Unidos terem estudado os textos e músicas de Ernst Jandl e Hans Hölzl (mais conhecido como Falco) faz parte da literatura austríaca. “Querer escrever sobre algo que está mexendo comigo e querer que isso afete também os outros, isso é literatura austríaca. Mas não existe uma literatura austríaca.” 

E a renomada crítica literária Daniela Strigl nem se delonga na questão sobre alguma suposta “essência” da literatura de seu país, mas completa a frase com “… é doida, sobretudo quando vem de Graz”. Pois é lá, na segunda maior cidade do país, onde a literatura experimental e de vanguarda mostra sua maior criatividade e presença. Porque justamente nessa cidade, pergunta-se Strigl: “Não sei”, responde. 

Katharina J. Ferner, poeta e artista performativa, destaca ainda outra característica comum da literatura austríaca: muitas vezes, ela é escrita em alguma forma dialetal e ganha, desse modo, um tom, uma melodia e proximidade especial com os leitores e as leitoras. Já os tradutores dessa literatura ganham um desafio extra quando procuram encontrar em seu idioma uma forma para representar a função do dialeto austríaco (que, aliás, na literatura se transforma em uma linguagem artificial…). 

Por fim, alguns dias antes da Feira do Livro, o escritor Antonio Fian publicou um artigo, em que também reflete sobre a questão da literatura austríaca. Sua conclusão: “Eu já não aguento mais essa pergunta!”  

Antes de os nossos leitores e as nossas leitoras chegarem à uma conclusão semelhante, mudamos de tema e voltando ao título deste artigo, “Meaoiswiamia”. O que será que significa esse lema da participação especial da Áustria na Feira do Livro de Leipzig deste ano? Faça uma pesquisa na internet, tente completar a frase “Meaoiswiemia é ….” e mande sua resposta para o e-mail do Centro Austríaco (centroaustriaco.ufpr@gmail.com). A primeira pessoa que mandar uma resposta (em português) correta, ganha um exemplar do livro Áustria: uma história literária – literatura, cultura e sociedade desde 1650 (Zeyringer, Gollner, 2019, editora UFPR)! 

Vídeo sobre o livro “O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades”

Gisele Eberspächer, uma das tradutoras de “O que aconteceu após Nora deixar a Casa de Bonecas ou Pilares das Sociedades”, gravou um vídeo contando mais sobre esta obra dramática de Elfriede Jelinek.

O texto, publicado pela Editora Temporal e traduzido por Angélica Neri, Gisele Eberspächer, Luiz Abdala Jr. e Ruth Bohunovsky, apresenta um dos traços fundamentais da escrita de Jelinek: a intertextualidade – sobretudo com a peça “Casa de Bonecas” de Henrik Ibsen, mas também com outros textos de diversas áreas (como política, feminismo, cultura pop etc.).

Quer saber mais sobre a relação com os textos de Ibsen, o conceito de New Woman e aspectos que envolvem a obra e o processo de tradução? Então confira esse vídeo super interessante sobre o primeiro texto teatral de Elfriede Jelinek publicado em português brasileiro: