Paul Celan: Poeta entre línguas

Hugo Simões apresenta sua pesquisa de mestrado, intitulada “A tradução do que se cala: Paul Celan entre genocídios”, disponível em https://www.academia.edu/36877647/SIM… , com participação da Dr. Irene Giner-Reichl, embaixadora austríaca no Brasil, e do pianista Jonathan Silva, que executa as seguintes peças:

  • Ponteio No. 49 — C. Guarnieri
  • Ponteio No. 1 — C. Guarnieri
  • Ponteio No. 17 — C. Guarnieri

Hölderlin Vanguarda: Desejo de Elfriede Jelinek

Palestra de Uta Degner da Universidade de Salzburg sobre “Hölderlin Vanguarda: Desejo de Elfriede Jelinek”, no âmbito de um ciclo de palestras sobre Hegel e Hölderlin, organizada pela UFRGS (Centro de Estudos Europeus e Alemães). Na sua fala, Degner aborda um dos aspectos mais características da obra de Jelinek, sua intertextualidade criativa (aqui, com foco na poesia de Hölderlin). Depois, discute com especialistas brasileiras sobre a obra da escritora e dramaturga austríaca, inclusive sobre aspectos e problemas da tradução. A palestra é em alemão, mas acompanhada por tradução em língua portuguesa e boa parte da conversa acontece também em português. Em breve, todo o vídeo será legendada.

Cem anos de Paul Celan

Em 1949, o filósofo alemão Theodor W. Adorno escreveu que seria “bárbaro” escrever poesia “após Ausschwitz”. A “Fuga da Morte” – senão toda a obra – de Paul Celan pode ser lida como uma prova do contrário, como um trabalho e um confronto poético-estético cujo tema é justamente a experiência do holocausto.

Paul Celan nasceu há exatamente cem anos, em 23 de novembro de 1920, em Chernivtsi, cidade que hoje fica na Ucrânia, mas que naquela época ainda fazia parte do Império Austro-Húngaro. Para Celan, o idioma alemão foi, ao mesmo tempo, “língua materna”, “língua dos assassinos” de seus pais (ambos mortos em campos de concentração durante o regime nazista) e, também, “língua poética”. A reflexão sobre os limites da língua e da comunicação humana para expressar experiências extremas e de não-pertencimento foram essenciais para sua obra poética.

Para conhecer mais:

Paul Celan

KALLIOPE: Margarete Schütte-Lihotkzy

Quando Margarete Schütte-Lihotzky celebrou seu centésimo aniversário em 1997, disse que em 1916 ninguém teria encarregado a uma mulher o projeto de uma casa. Mas ela não só conseguiu estudar Arquitetura na Escola de Artes Industriais como também criou um modelo de cozinha que é usado até hoje. Além de sua vida profissional exemplar, Schütte-Lihotkzy participou do movimento de resistência contra o regime nazista.

Conheça mais sobre a vida da arquiteta:

A exibição do documentário é parte de uma parceria entre o Centro Austríaco e a Embaixada da Áustria. O material ficará disponível entre 20 de novembro de 2020 e 20 de dezembro de 2020.

Clique aqui para conhecer a exposição Kalliope – Mulheres na Sociedade, na Cultura e na Ciência. A seguir, veja a programação completa de exibição de documentários:

Convocatória de tradução para o alemão de contos brasileiros

A Embaixada do Brasil na Áustria e a Universidade de Viena estão recebendo projetos de tradução, para o alemão, de contos brasileiros publicados a partir de 1822, por ocasião da publicação de uma antologia bilíngue comemorativa do bicentenário da independência.  

Projetos devem ser enviados às organizadoras do projeto, Alice Leal (alice.leal@univie.ac.at) e Carolina Borges (carolina.borges@univie.ac.at). Dúvidas também podem ser enviadas a esses dois endereços.

O prazo para o envio de projetos é 14 de dezembro de 2020. O texto completo da convocatória encontra-se no anexo

Evento: apresentações sobre Rose Ausländer e Paula Ludwig na Abralic

Rose Ausländer (à esquerda) e Paula Ludwig (à direita)

O simpósio “Deslocamentos Literários: cultura, tradução e migração”, parte do XVII Congresso Internacional Abralic, terá duas apresentações dedicadas às poetas Rose Ausländer e Paula Ludwig.

O mestrando Luiz Carlos Abdala Junior (UFPR) apresenta o trabalho “As diferentes moradas do exílio: Rose Ausländer e a tradução entre línguas” no dia 05 de novembro de 2020 às 14h15. Em seguida, às 14h30, a doutoranda Mariana Chirico Machado Holms (USP) apresenta “Brasil 1943 – a natureza estrangeira à espreita em um poema do exílio de Paula Ludwig”.

A programação completa do simpósio pode ser vista aqui. As apresentações serão transmitidas ao vivo no canal do YouTube da Abralic.

Conversa com Claudia Cavalcanti sobre Ingeborg Bachmann e seus poemas

A tradutora Claudia Cavalcanti e as professoras Susana Kampff Lages (UFF) e Ruth Bohunovsky (UFPR e coordenadora do Centro Austríaco) conversaram sobre Ingeborg Bachmann e seus poemas, como parte das atividades do Núcleo de Tradução e Criação da Universidade Federal Fluminense (UFF). A conversa está disponível no YouTube:

De Ingeborg Bachmann, Claudia Cavalcanti traduziu o livro O tempo adiado e outros poemas, publicado pela Todavia Livros em 2020. Mais informações aqui.

Ernst Herbeck: poeta que nasce no Gugging

por Cristiane Bachmann

Manhã

No outono lá se alinha o
vento das fadas
enquanto na neve as
crinas sacodem.
Melros cantam forte
ao vento e comem.


(Ernst Herbeck. Tradução: Cristiane Bachmann)

Estes versos, os primeiros compostos por Ernst Herbeck, figuravam ao lado de outros 82 poemas que marcaram sua estreia literária, em 1966. De imediato, Herbeck causou forte impressão na cena intelectual de língua alemã, chamando a atenção de escritores como Elfriede Mayröcker, Ernst Jandl, Gerhard Roth, Elfriede Jelinek e W. G. Sebald. No entanto, esses textos iniciais não compunham uma antologia poética, mas sim um estudo na área médica: o livro Schizophrenie und Sprache (“Esquizofrenia e linguagem”), do psiquiatra, psicólogo e antropólogo Leo Navratil.

Ernst Herbeck

Tão impressionante quanto sua poesia foi sua trajetória de vida. Desde a infância, Herbeck (Stockerau, 1920–Gugging 1991) esteve familiarizado com o ambiente hospitalar. Por ter nascido com um caso grave de fissura labiopalatina, ele precisou passar por diversas intervenções cirúrgicas, que nunca chegaram a resolver sua dificuldade de articular a fala.

Na juventude, a catástrofe da Segunda Guerra Mundial impactaria sua vida de modo definitivo. Recrutado pelo exército nazista alemão, Herbeck adoeceu psiquicamente. Ao fim do conflito, vagando desorientado pelos arredores de Viena, ele foi detido pela polícia e depois transferido para o hospital psiquiátrico de Maria Gugging, onde permaneceu internado até o fim da sua vida, sob diagnóstico de esquizofrenia.

Foi ali que Herbeck se tornou poeta, motivado por Leo Navratil (que desenvolveu um método de tratamento envolvendo o estímulo da criatividade de seus pacientes). Sua produção foi intensa, tendo-nos deixado um espólio literário de cerca de 1.700 manuscritos, entre poemas e textos curtos em prosa, hoje conservados na Biblioteca Nacional da Áustria. Parte de sua obra foi editada e publicada em várias antologias. O escritor não só teve boa recepção na Áustria, onde mais de 10 mil exemplares de seus livros foram vendidos, como também tem sido objeto de interesse para além das fronteiras de seu país de origem, motivando estudos em múltiplos campos de interesse e em diversos países.

Seus poemas, que já receberam traduções para o inglês, o francês, o holandês, o sueco, o húngaro e o japonês, agora podem ser conhecidos também pelo público brasileiro: em minha dissertação de mestrado, apresento uma análise de sua obra e uma discussão teórica sobre os procedimentos tradutórios que emprego para verter 50 de seus poemas para a língua portuguesa. O trabalho encontra-se disponível aqui: http://acervodigital.ufpr.br/handle/1884/61889.