A importância da criatividade em nossas vidas: convite para um bate-papo online com Erwin Reisinger

De onde vem a criatividade e, mais do que tudo, por que é importante promovê-la?

A boa criatividade permite às pessoas uma autonomia individual especial ao usar livremente suas emoções e pensamentos. É importante referir que a linguagem é, segundo alguns psicólogos, a parte mais desenvolvida das nossas poucas capacidades inatas e dos nossos programas (biológicos), permitindo-nos ser mais criativos. As artes têm a ver com a veracidade e exigem autorreflexão. Por isso, a comunicação se torna uma parte central, afinal, arte é comunicar a veracidade para si mesmo e para os outros.

Os artistas idealmente ativam todos os três tipos de mentalidades e experiências emocionais que levam à satisfação: sensual-imaginário, emocional e intelectual. Quando todos os três estão sendo mobilizados, as pessoas ficam com a impressão mais forte. Pode-se interpretar que o que permanece significativo para as pessoas ao longo do tempo permanece o mesmo, o que muda não são suas necessidades básicas, mas a forma como essas necessidades são expressas. Por isso, algumas obras artísticas do passado ainda são consumidas hoje: diferentes formas expressam uma ideia, algo que continua sendo percebido como verdade ou valor na sociedade até hoje.

A expressão criativa permite que o público sinta que está expressando algo que não é fácil para eles comunicarem de alguma forma, seja devido a restrições sociais ou habilidades/recursos limitados. Portanto, a criatividade libera e permite novas perspectivas e o pensamento crítico, abre caminhos para novas interpretações, nos liberta, talvez, do medo de errar e isso abre novos espaços de aprendizagem com uma percepção mais ampla do conceito de identidade e cultura.

Convidamos você a refletir sobre criatividade na música e na linguagem em nosso bate-papo na próxima quarta-feira, dia 20 de abril, com Erwin Reisinger. Nesta entrevista, o músico e compositor Erwin Reisinger fala sobre composição, letras e criatividade. Baseado na música austríaca, em que a variedade da língua austríaca expressa sua diversidade colorida, mostra como a música versátil pode ser criada através de uma linguagem rica em variedade.

A música de Erwin Reisinger é descrita como “pé no chão, acústica e maravilhosa”, você pode sentir sua empatia honesta em cada música. Em suas canções, dialeto e melodia austríacos se fundem em uma convivência harmoniosa, seja melancólica, pensativa ou exuberantemente feliz.

As múltiplas viagens e experiências formativas que pôde realizar ao longo de sua vida não se refletem apenas em cada linha de seus textos, mas também o impeliram a escrever um livro. Seu novo álbum, “ondraseits”, foi lançado este ano.

Clique aqui para se inscrever.

Workshop sobre Grupo de Viena está disponível no YouTube

O Workshop sobre o Grupo de Viena, realizado por Rutchelle K.M. Salde como parte dos eventos do Foco Temático 2022: A língua alemã na Áustria, está disponível no YouTube do Centro Austríaco.

A palestra apresenta o Grupo de Viena, formado por escritores no período do pós-guerra. Com a ajuda de poesia experimental e poesia lírica, poemas em dialetos, jogos de linguagem, poemas visuais e outros, o grupo se tornou um marco do modernismo austríaco.

Atenção! Inscrições para bolsas dos cursos de verão da Uni Wien e bolsa de artes vão até 31/03

As inscrições para a bolsa bolsa do curso de verão “Estudos Internacionais e Europeus” vão até 31 de março. Neste programa da Escola de Verão da Universidade de Viena é possível conhecer a Europa de uma forma holística através da história, política, cultura e outros aspectos com excelentes profissionais, e ao mesmo tempo desfrutar atividades de lazer com pessoas de todo o mundo no belo Lago Wolfgang, localizado em Salzburgo. Clique aqui para obter mais informações.

Para os apaixonados por arte, há também uma bolsa de trabalho para jovens artistas de até 33 anos. O projeto consiste em um espaço de estudo e acomodação na cidade de Innsbruck, onde se pode desenvolver seu próprio projeto de arte por meio ano ou mais, bem como trabalhar num programa de oficinas de arte em paralelo (rendimento máximo mensal 446,81 Euros). O prazo de inscrição é 4 de abril. Clique aqui para mais informações.

Se precisar de ajuda com o processo de candidatura, entre em contato diretamente com Cristina Rettenberger, leitora OeAD (cristina.rettenberger@oead-lektorat.at).

Saiba mais sobre o Grupo de Viena

O Grupo de Viena foi um conjunto de artistas que se destacou na vanguarda literária austríaca a partir de 1954. Os nomes mais importantes que associamos com esse grupo são H. C. Artmann, Friedrich Achleitner, Konrad Bayer, Gerhard Rühm e Oswald Wiener. Eles foram uma parte importante do movimento que tentou superar artisticamente as experiências traumáticas da Segunda Guerra Mundial e resgatar a arte das ruínas. Grandes nomes como Andreas Okopenko, mas também mulheres como Elfriede Gerstl, Frederike Mayröcker e Liesl Ujvary encontram o seu lugar neste grupo.

Divagação: Mas o que entendemos hoje por “vanguarda”?

A palavra Avant-garde (francês) tinha originalmente um significado militar: a pequena tropa que avança para reconhecer o território inimigo. Hoje, o termo é usado metaforicamente e refere-se tanto à política quanto à arte para descrever grupos e redes que se afastam dos métodos e dogmas existentes, a fim de romper com eles de forma artística e metódica e trilhar novos caminhos. 

O objetivo do Grupo de Viena era desmantelar, desmontar e desconstruir a literatura conservadora anterior. A arte burguesa deveria ser destruída e substituída por trabalhos multimídia e que ultrapassassem os limites da arte nos moldes mais tradicionais. Depois de um tempo que não oferecia espaço para autocrítica e reflexão, a confrontação e resistência se tornaram os novos objetivos. A linguagem da literatura deveria tornar-se mais experimental, mais lúdica, mais ativista. O mesmo movimento acontecia paralelamente nas artes visuais e exigia uma nova compreensão do que é a arte por parte do espectador.

Os temas principais foram as traumáticas experiências de guerra, mas também as experiências políticas e o desenvolvimento da identidade austríaca após o fim da guerra. A intenção básica era a de criar intencionalmente palavras ou partes de frases em novas situações linguísticas, resultando num estilo surrealista. Qual o limite entre o sentido e a falta de sentido em uma língua? Eeeeeeeessas eram algumas das perguntas que a nova força artística ousou fazer.

Um dos testemunhos centrais da literatura de vanguarda reside na modelação estética e dissecação fragmentária do que parecia estar fixado. Um novo método que localiza o seu manifesto na sua própria forma. Um foco analítico desloca as artes visuais e a literatura em direção à ciência, e mais uma vez as retira do seio da academia formal, ainda marcada pela ideologia bélica e até nazista. A arte deveria voltar a ser apenas uma coias – arte.  

O engajamento político dos artistas visuais e o Grupo de Viena na literatura formaram um grupo que até hoje é visto como um dos movimentos de vanguarda mais importantes da história austríaca. Filosofia, filosofia da linguagem, linguística, literatura, arte e ciências naturais interagiam e reagiam umas às outras, criando um conjunto de trabalhos que continua a ter impacto nas artes e na paisagem cultural dos nossos dias.

Quer saber mais sobre o Grupo de Viena? Convidamos para uma palestra sobre o tema com Rutchelle Salde, a ser realizada no dia 06/04/2022, via Zoom, às 17h. Inscrições aqui.

Palestra do Dr. Manfred Glauninger sobre diversidade linguística do alemão está disponível no YouTube

No dia 15 de março, ocorreu a primeira palestra da programação do Foco Temático de 2022: A língua alemã na Áustria. A palestra “Die deutsche Sprache in Österreich”, proferida pelo Dr. Manfred Glauninger, pesquisador da Österreichische Akademie der Wissenschaften e professor da Universidade de Viena, apresentou temas como as características do alemão austríaco, considerando fatores históricos, políticos e econômicos, assim como os dialetos presentes no país e outras variantes da língua.

O evento está disponível no canal de YouTube do Centro Austríaco:

Além disso, o material usado por Dr. Manfred Glauninger durante a apresentação pode ser acessado aqui.

OeAD lança nova plataforma digital com materiais didáticos gratuitos para professores e alunos de alemão

Você quer tratar de assuntos sobre a Áustria em sala de aula, mas acha difícil encontrar material didático adequado ou acredita que não tem conhecimento suficiente para tratar de certos assuntos? Acha difícil encontrar material didático sobre assuntos culturais para alunos dos níveis iniciais? Temos uma ótima notícia para você:

A seção Cultura e Língua (Referat Kultur und Sprache) da Agência Austríaca para Cooperação Internacional em Educação e Pesquisa (OeAD) está disponibilizando uma nova plataforma digital com materiais didáticos sobre diversos temas relacionados à Áustria. Trata-se de materiais inovadores que podem ser baixados e usados de forma gratuita por todo docente de alemão (“Open Educacional Resources”), podem ser adaptados livremente às necessidades de cada turma e ainda contam com dicas didáticas e informações culturais e linguísticas para os professores/as professoras que não estejam muito familiarizados/as com os temas abordados. O tempo previsto para o uso dos materiais disponibilizados em sala de aula varia entre 15 e 45 minutos e as atividades preveem o acesso a fontes atuais e autênticas. Assim, os alunos podem conhecer discursos em circulação nos países de língua alemã atualmente e se familiarizar com temas e informações importantes para entender e participar de conversas com falantes de alemão. 

Os materiais disponíveis na plataforma foram desenvolvidos a partir das atuais discussões teóricas em torno do ensino/aprendizado cultural e do conceito “DACH” – justamente os dois focos teóricos do projeto desenvolvido pelo Centro Austríaco da UFPR. Alguns dos materiais disponíveis foram desenvolvidos pela coordenadora do Centro Austríaco, Ruth Bohunovsky (que conta um pouco mais sobre o ensino de aspectos culturais num vídeo disponível na página sobre “Methodische Impulse” no site do OeAD. 

Confiram alguns dos temas abordados nos materiais didáticos disponíveis na plataforma do OeaD e não deixem de acessar o site para escolher materiais adequados para o seu curso:

– Österreichische Frauen, die Geschichte machten (B1)
– Mein Lieblingsfest: Weihnachten (A2)
– Wahr oder falsch im Internet (B1)
– Jugend-Internet-Monitor (A2)
– Wie klingt (m)ein Land? (A2)
– Was wäre Wien ohne Migration? (B2)
– Ich darf, du darfst – Jugendschutz (A2)
– Austro-Charts: Musikhits aus Österreich (B1)
– Echo (A2)
– Radio hören – einfache Nachrichten aus Österreich (B1)
– Ein Besuch in Linz (A2)
– Die Universität Wien – ein virtueller Spaziergang (A2)
– Welche Sprache(n) spricht man in Österreich? (A2)

Reunião sobre as bolsas do programa de verão “Estudos Internacionais e Europeus” é realizada via Zoom no dia 09/03 

A Universidade de Viena convida para uma reunião informativa sobre as bolsas do programa de verão “Estudos Internacionais e Europeus”. As inscrições para o curso foram estendidas até o dia 31 de março para estudantes com interesse em receber ajuda financeira – a admissão para alunos regulares é encerrada no dia 30 de abril.

O curso de verão acontecerá de 16 de julho a 13 de agosto de 2022. O programa de quatro semanas oferece cursos de estudos europeus, a Academia Austríaca de Arbitragem e cursos de alemão.

Os cursos de Estudos Europeus são ministrados em inglês e se concentram na Europa e na União Europeia. Eles abrangem transformações políticas, econômicas e jurídicas, mas também aspectos históricos e culturais das múltiplas transições pelas quais o continente está passando hoje. A Academia Austríaca de Arbitragem concentra-se na resolução de disputas internacionais por tribunais arbitrais.

Próxima sessão de informação online para futuros alunos:

9 de março de 2022, 13:00 Hora da Brasilia (UTC-3)
Esta é a oportunidade perfeita para fazer perguntas e obter feedback instantâneo.

Link do zoom: https://us02web.zoom.us/j/8541588279?pwd=QlJnenY3bjFwMTUyaHJiak1qWktjdz09
Reunião-ID: 854 158 8279
Código: 345887

Para mais informações sobre a Sommerhochschule e a escola de verão, visite o site: http://shs.univie.ac.at.

Convite para leitura e conversa online com a escritora austríaca Gertraud Klemm

Em comemoração ao Dia da Mulher, o Goethe Institut de Belgrado convida para uma leitura e conversa com a escritora austríaca Gertraud Klemm. O evento ocorre no dia 09 de março de 2022, às 14h (Horário de Brasília), de forma online e gratuita. A conversa será moderada pelos professores da OeAD na Sérvia e destina-se a estudantes de alemão avançado ou demais interessados. Para mais informações, clique aqui.

Klemm estudou biologia na Universidade de Viena e já conta com 10 livros publicados. Ganhou o prêmio Ernst Toller em 2021, além de já ter sido indicada para o Deutschen Buchpreis.

Von Amrei-Marie – Eigenes Werk, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=81803253

A Ucrânia e a Áustria: muita história em comum

A equipe do Centro Austríaco adere aos numerosos protestos e à consternação mundial que as notícias, imagens e informações sobre a guerra na Ucrânia desencadearam. Nada justifica tal violência e brutalidade contra milhões de civis e inocentes. A indignação que sentimos não depende da nossa nacionalidade – como sabemos, boa parte da população russa também não concorda com os ataques em solo ucraniano. Ao mesmo tempo, como vimos no Brasil nos últimos dias, descendentes de ucranianos ou pessoas que têm algum vínculo familiar ou afetivo com a Ucrânia, têm se destacado em manifestações públicas de protesto.

Nesse contexto, entendemos que seja oportuno lembrar aqui alguns dos inúmeros vínculos e a história que a Ucrânia e a Áustria têm em comum. Começamos com a proximidade geográfica: a distância entre Viena e a fronteira ucraniana é menor do que aquela que separa a capital austríaca de Bregenz, capital do estado de Vorarlberg, no oeste do país. E nem sempre os dois países foram divididos por fronteiras nacionais.

Ao longo dos últimos anos, a política oficial austríaca não se distanciou criticamente da Rússia, mesmo quando a repressão à liberdade de opinião e ao jornalismo livre naquele país já era conhecida e reconhecida por todos, e mesmo quando Putin decidiu anexar a Criméia. Porém, numa visita oficial ao pequeno país alpino, o presidente russo foi lembrado que a Ucrânia já fizera parte da Áustria no passado. Na verdade, não foi a Ucrânia inteira, apenas parte da região oeste que integrava o império dos Habsburgos (como parte da província de Galícia, extinta após a Primeira Guerra Mundial), entre 1864 e 1918. Esse fato não tem relevância alguma na política europeia atual, mas explica os laços históricos, culturais e familiares que existem entre muitos habitantes dos dois países. Aliás, foi da Galícia que partiu a grande maioria dos imigrantes ucranianos que vieram ao Brasil.  

Antes da Primeira Guerra Mundial, Viena, Lwiw e Chernivtsi  (hoje Ucrânia), Cracóvia (hoje Polônia) e muitas outras cidades hoje pertencentes a diversas nações europeias faziam parte do império multilíngue austro-húngaro. Por isso, muitos jovens da região da Galícia e de todo o império decidiram se mudar para Viena para trabalhar ou cursar a universidade lá. Entre eles, por exemplo, Iwan Franko (1856-1916), um dos escritores fundadores da literatura ucraniana, e o famoso escritor em língua alemã Joseph Roth, nascido em Brody (hoje Ucrânia), em 1894. Enquanto estava em Viena como estudante universitário, sua pátria Galícia foi extinta e essa perda se tornou seu grande trauma e tema constante em toda a obra de Roth, que a partir de então se via como um homem desenraizado. Muitos escritores famosos de língua alemã – como Bruno Schulz, Jósef Wittlin, Manès Sperber, Rose Ausländer, Paul Celan, Karl Emil Franzos e outros – dividem com Roth essa experiência: nasceram na região de Galícia, foram socializados no seu contexto cultural e entenderam sua extinção como divisória em suas vidas. Suas obras pertencem hoje ao rico acervo da literatura mundial escrita em língua alemã. Entre os autores mais recentes, foi sobretudo Martin Pollack que se dedicou, no seu livro fictício Para a Galícia (Nach Galizien), ao registro de histórias e memórias daquela parte da Ucrânia que fazia parte do império austro-húngaro. Já a guerra atual, além de custar milhares de vidas, tem como uma das suas consequências o apagamento de histórias e de riquezas culturais da Ucrânia. 

As relações históricas entre Ucrânia e a Áustria são de longa data e complexas. Para mais informações, acesse por exemplo um artigo publicado neste domingo no jornal Der Standard. Sobre as relações austro-ucranianos no âmbito cultural e literário ao longo da história, encontram-se informações em Áustria: uma história literária – Literatura, cultura e sociedade desde 1650 (Klaus Zeyringer, Helmut Gollner. Tradução e adaptação de Ruth Bohunovsky, editora da UFPR, 2019). No Centro Austríaco estão disponíveis para empréstimo diversos títulos de Joseph Roth em tradução brasileira.