Um laboratório criativo de conteúdos didáticos

Professores de idiomas e estudantes de Letras: venham participar e pensar fora da caixa!

O Centro Austríaco da UFPR, em parceria com o LABEL (Laboratório de Ensino de Línguas), convida você para uma edição inédita do nosso curso Laboratório Criativo de Conteúdo Didático. Mais do que um curso de extensão, esta iniciativa foi concebida como um espaço de reflexão, diálogo e formação sobre os fundamentos teóricos e metodológicos que orientam a produção de materiais para o ensino de línguas.

Ao longo dos encontros, discutiremos conceitos, abordagens, conteúdos e práticas que servirão de base para uma etapa muito especial: o desenvolvimento de materiais didáticos previsto para 2027.

Se você se interessa por ensino de idiomas, inovação pedagógica e elaboração de recursos didáticos, esta é uma oportunidade de ampliar seu repertório e participar de uma construção coletiva que poderá impactar futuras práticas de ensino e aprendizagem.

A participação no curso será virtual, tendo início no dia 19 de agosto desse ano e estendendo-se até novembro, com um encontro por mês, a fim de comportar também aqueles participantes com pouco tempo livre. Cada aula acontecerá das 15h às 17h e, participando-se em ao menos 75% dos encontros, renderá um certificado de 10 horas. Entre as ministrantes já definidas estão Ruth Bohunovsky, professora na UFPR, tradutora e coordenadora do Centro Austríaco, e Catarina Portinho-Nauiack, também professora na mesma universidade e pesquisadora de materiais didáticos do alemão desde 2009.

 As inscrições podem ser feitas através do link https://forms.gle/gRnAB6c5TqVr5p4e7, que também se encontra na bio do instagram do Centro Austríaco, @centroaustriaco (aproveite para dar uma olhada lá, há muito conteúdo legal!). Esperamos vê-lo no curso!

Anton Zeilinger, o “Papa Quântico”

Susi Horn

Anton Zeilinger, nascido em 1945 em Ried im Innkreis, é um dos mais renomados físicos quânticos da atualidade e, requisito básico para receber um blog por aqui, austríaco. Em 2022, recebeu o Prêmio Nobel de Física por seus experimentos com fótons emaranhados, em conjunto com seus colegas Alain Aspect e John Clauser. Esse e outros experimentos seus confirmaram que o entrelaçamento quântico está certo, o que pavimenta o caminho para computadores quânticos, redes quânticas e comunicação criptografada quântica.

Mas, afinal, o que é essa tal de física quântica? A palavra “quântico” se ouve por aí vez ou outra, principalmente quando alguém quer deixar um certo tema mais interessante e complexo. Na física, no entanto, ela tem um significado muito específico, então convido-os a um breve episódio de Physics for Dummies (e entre esses dummies encontra-se também a autora que vos fala).

De acordo com uma pesquisa muito séria no modo IA do Google, a palavra vem do latim quantum, significando “quanto” ou “qual a quantidade”, ou seja, no próprio nome desse ramo da física, os físicos já mostram que nem eles sabem do que se trata. Mas, brincadeiras à parte, pesquisas em páginas mais confiáveis dizem que esse ramo da física estuda aquilo que acontece em escala extremamente pequena, trabalhando nas escalas de partículas até mesmo subatômicas. Assim, estuda-se o comportamento das partículas fundamentais, aquelas que formam tudo o que há no mundo. Essa física lida muito mais com probabilidades do que com leis determinísticas tal qual a física clássica.

A título de curiosidade, alguns dos fenômenos que a física quântica ajuda a iluminar ou ajudou a inventar/descobrir, onde a clássica newtoniana não deu conta, são a física nuclear, o laser, os computadores quânticos, o decaimento radioativo, a espectroscopia atômica (seja o que for isso), entre outros. Além disso, ainda pode-se mencionar alguns nomes importantes da área, como o de Max Planck, conhecido como o pai da física quântica, Albert Einstein, Ernest Rutherford, Niels Bohr, Werner Heisenberg e Erwin Schrödinger, também austríaco.

Assim, Zeilinger não só conseguiu o feito de “desemaranhar” esse ramo da física, mas de fazer o mesmo com os seus fótons emaranhados.

Desde criança, ele gostava de entender como as coisas funcionam, indicando isso já ao desmontar as pobres bonecas de sua irmã. Após completar o ensino médio, entre 1963 e 1971 o jovem estudou física e matemática na Universidade de Viena. Depois de formado, foi professor visitante em diversas universidades fora da Áustria, como nos EUA, na Alemanha, na Grã-Bretanha e na França — um talento nato como professor, ele foi um docente que, com muito carisma, também ensinou a física ao público amplo. Até se tornar professor emérito em 2013, Zeilinger lecionou na Universidade de Viena, onde também foi decano da faculdade de física e participou do conselho do Instituto para Física Experimental. Além do prêmio Nobel, que não lhe foi concedido à toa, Zeilinger pela primeira vez teve sucesso com a teletransporte quântico de partículas de luz, em 1997, criptografou a primeira transação bancária pelo emaranhamento quântico em 2007 e ganhou diversos outros prêmios pelos seus trabalhos na física.

Numa entrevista publicada pelo canal de YouTube da Universidade de Viena, lhe fazem a pergunta “qual foi sua descoberta científica mais importante?”. Anton Zeilinger reponde, de modo muito simples, que essa descoberta seria o fato de a informação ser a base da ciência, e não a investigação de uma realidade material. Essa afirmação ganha cada vez mais defensores em meio aos físicos modernos: a informação seria o ingrediente básico da qual todo o resto — partículas, campos, forças, tempo, espaço — emerge. Por exemplo, a dureza de um diamante é apenas uma informação de como os átomos dele estão ligados; a cor de um pôr do sol, então? Informação sobre a frequência das ondas de luz. 

E, para finalizar com algo mais leve e compreensível, o cientista ainda dá um conselho aos recém-ingressados na universidade: façam aquilo pelo que se interessam, não o que os seus avós ou pais querem de vocês. Parece uma dica óbvia, mas não é tão óbvia assim quando se observa os jovens nos ambientes universitários, dos quais tantos seguem desejos alheios nas suas escolhas acadêmicas, e não os próprios. Imaginem só se um gênio como Zeilinger tivesse seguido qualquer área menos a que é sua paixão, imaginem os descobrimentos que se teria adiado por isso! Dito isso, sigam o que acende sua curiosidade, de onde podem surgir as maiores e melhores descobertas.

Bons dias.