Curso online apresenta poetas de língua alemã e seu trabalho sobre linguagem

Estão abertas as inscrições para o curso “‘Língua Mátria’: poetas (mulheres) sobre a linguagem”, que acontecerá online e gratuitamente nos dias 7, 14, 21 e 28 de maio de 2025, das 19h às 20h30. O curso é ministrado por Mariana Holms, professora de língua alemã, pesquisadora e tradutora, doutora, mestra e bacharela em Letras (Língua e Literatura Alemã) pela Universidade de São Paulo

O curso é oferecido pelo Projeto Vice Versa do Departamento de Anglo-Germânicas do Instituto de Letras da UERJ, com coordenação é do Prof. Dr. Danilo Serpa.

Entre as poetas incluídas no programa pertencem aos contextos austro-húngaro ou austríaco, como Ada Christen, Therese von Artner, Rose Ausländer, Elfriede Gertl e Precious Chiebonam Nnebedum.

As inscrições podem ser feitas neste formulário.

Divulgação: I Simpósio de Literatura Suíça (FALE – UFMG)

Texto de divulgação enviado pela organização do evento.

Durante muitas décadas, toda a literatura de expressão alemã foi englobada sob o rótulo de “literatura alemã”, sem que se fizessem grandes distinções sobre as peculiaridades de cada nacionalidade envolvida. Esse cenário, contudo, está passando por uma lenta transição. Por mais de uma década, a professora da UFPR e coordenadora do Centro Austríaco, Ruth Bohunovsky (2010), tem trabalhado na pesquisa e divulgação de uma literatura especificamente austríaca.

Enquanto isso, a literatura suíça de expressão alemã tem importantes pontos de recepção no Brasil, como as traduções da prosa realista de Romeu e Julieta na aldeia, de Gottfried Keller, e A aranha negra, de Jeremias Gotthelf, ambas por Marcus Mazzari.

Para além da escritora do clássico infantil Heidi, Johanna Spyri, tal literatura apresenta outros nomes de peso, como Robert Walser, e outros menos conhecidos de nosso público leitor, como Carl Spitteler, a despeito de ter sido traduzido entre nós por ninguém menos que Manuel Bandeira. Além disso, há também o naturalizado suíço Hermann Hesse e os artistas dadaístas do Cabaret Voltaire, em Zurique, apenas para ficar no cânone, o contista – tão conhecido das antigas aulas de DaF, Peter Bichsel – e o cabaretista e escritor de livros infantis Franz Hohler.

Temos as recorrentes montagens de peças de Friedrich Dürrenmatt, assim como publicação das traduções de A promessa e A pane, do mesmo autor, disponíveis na Editora Estação Liberdade, que está preparando mais obras de Dürrenmatt e seu conterrâneo Max Frisch.
Outro expoente da prosa e dramaturgia suíça-germanófona do século XX e grande interlocutor de Dürrenmatt, Max Frisch, também está representado no Brasil, pelas traduções de Homo Faber por Herbert Caro e de Stiller por Irene Aron. – E não falta a nosso público um sucesso editorial (traduzido para mais de trinta idiomas) como Trem noturno para Lisboa, de Pascal Mercier (pseudônimo de Peter Bieri).

E devemos destacar que ainda há certa falta de traduções, dificultando uma mais plena recepção da literatura suíça, que conta com um bastante vivo movimento contemporâneo. Martin Suter é um escritor favorito nacional com seus romances policiais e thrillers. O dramaturgo e autor Lukas Bärfuss, cuja obra tem forte tônica pós-colonial, recebeu em 2019 o principal prêmio de língua alemã, o Georg-Büchner-Preis. Christian Kracht frequentemente levanta polêmicas com suas publicações, que são altamente aguardadas também em toda a Alemanha. Nascida na antiga Iugoslávia e residente em Berna, a escritora Meral Kureyshi é uma relevante voz da migração na Suíça. Além disso, a literatura escrita em alemão-suíço encontrou recentemente seu novo herói, Pedro Lenz, cuja obra foi filmada e começa, agora, a ser traduzida para o alemão padrão.

A presença suíça nas publicações brasileiras, contudo, pouco se reflete em uma discussão na germanística nacional sobre especificidades daquela literatura. Rusterholz e Solbach (2007), organizadores de um compêndio de história da literatura suíça, citam Friedrich Dürrenmatt (1921-1990), que a certa altura de sua carreira assim descreve a própria condição:

O escritor suíço-alemão vive sob a tensão de falar diferente do que escreve. À língua materna junta-se logo a língua paterna (pátria). O alemão suíço, sua língua materna, é o idioma do sentimento; o alemão, como sua ‘língua pátria’ é o de seu intelecto, sua vontade, sua aventura’. (RUSTERHOLZ, SOLBACH 2007, p. XII, tradução nossa)
Entretanto, falar um dialeto e escrever na chamada língua-padrão do Hochdeutsch, ou Standarddeutsch como é chamado na variedade helvética, é apenas uma das muitas questões com que se confrontam e definem autores e autoras da literatura suíça de expressão alemã. A alegada neutralidade política, a multiculturalidade e suas implicações para uma identidade nacional, além do contexto mais recente das migrações oferecem outros objetos de estudo.

Todo este panorama, composto não apenas por obras já traduzidas, mas também por outras que aguardam pesquisa mais intensa e a descoberta por nossos editores, convida-nos, portanto, à releitura, à crítica e ao debate. É para tal empenho, na forma de um simpósio, a ser realizado na forma híbrida (presencial + online) que aqui convidamos pesquisadores/as e tradutores/as interessados, a se realizar nos dias 3, 4 e 5 de setembro de 2025. Submissões até 20 de junho de 2025 pelo e-mail literaturasuicasimposio@gmail.com

Referências
BOHUNOVSKY, Ruth. À procura da literatura austríaca: da construção à análise de um mito. In: Pandaemonium Germanicum, vol. 15, 2010, p. 139-162
MATT, Peter von. Das Kalb vor der Gotthardpost. Zur Literatur und Politik der Schweiz. München: Hanser, 2012.
RUSTERHOLZ, Peter & SOLBACH, Andreas (Hrsg.). Schweizer Literaturgeschichte. Stuttgart/Weimar: J.B.Metzler, 2007.

Simpósio “Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo” anuncia programação completa

Stefan Zweig é mais atual do que nunca e sua universalidade é comprovada pelas reedições e adaptações das suas obras para telas e palcos ao redor do globo. O simpósio “Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo”, realizado pela Casa Stefan Zweig de Petrópolis, pela embaixada da Áustria em Brasília e pela Fundação Biblioteca Nacional, joga luz sobre o escritor austríaco que se exilou no Brasil em duas mesas redondas e com a exibição do episódio sobre Zweig da série Canto dos Exilados.

O evento é gratuito, ocorre sexta-feira, 25 de abril, das 10h às 17h no Auditório Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e contará com transmissão ao vivo pelos canais do YouTube do Casa Stefan Zweig (@casastefanzweigdigital) e da FBN (@FundacaoBibliotecaNacional). Estudantes universitários podem solicitar certificado de presença pelo e-mail casastefanzweig@gmail.com

O simpósio será aberto às 10h30 pelo presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, pelo embaixador austríaco Stefan Scholz e pelo presidente da Casa Stefan Zweig de Petrópolis, Israel Beloch e explora os motivos do sucesso e da força da obra e das ideias humanistas de Zweig.

Já as duas mesas-redondas reúnem alguns dos autores da primeira coletânea de textos de autores brasileiros sobre o escritor que escolheu Petrópolis para passar seus últimos meses de vida. “Stefan Zweig no caleidoscópio do tempo” é o título do livro lançado em junho de 2024 pela Casa Stefan Zweig de Petrópolis em parceria com o Laboratório de Estudos Judaicos da Universidade de Uberlândia em Minas Gerais.

Na primeira mesa-redonda, das 11h às 12h30, os historiadores Israel Beloch e Fábio Koifman falarão respectivamente sobre Zweig e seu “fígado negro” e “Brasil, país do futuro” antes de Stefan Zweig. O tema do editor José Luiz Alquéres, conselheiro da Casa Stefan Zweig e membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, é Stefan Zweig e a visão da realidade. Tradutora de 12 títulos do autor austríaco, a jornalista e diretora executiva da Casa Stefan Zweig, Kristina Michahelles, tem como tema Luminoso e trágico, atual e universal.

A mesa-redonda da tarde será composta pelos professores Maria das Graças Salgado, da UFRRJ (Problemas no paraíso: língua, gênero e emoção no país do futuro), Geovane Souza Melo, da Universidade Federal de Uberlândia (A unidade espiritual do mundo, ou do legado intempestivo de Stefan Zweig) e Rainer Guggenberger, da UFRJ (O drama da voz oprimida e do bom conselho ignorado: o Tersites alternativo de Stefan Zweig no fim do império austro-húngaro).

Depois do coffee-break, exibiremos o episódio Stefan Zweig (Telenews, 2016, 15’38’’), da série Canto dos Exilados, dirigido por Leonardo Dourado. O evento se encerra às 17h.

Arquiteta vienense Margarete Schütte-Lihotzky é tema de material didático da DW

A arquiteta vienense Margarete Schütte-Lihotzky é tema de um material didático produzido pela DW para alunos de nível B1. Schütte-Lihotzky ficou conhecida como inventora da cozinha planejada e embutida – e desenvolveu um modelo que é usado até hoje em muitas casas.

O material da DW conta com um áudio sobre a arquiteta e a recepção de sua criação, além de exercícios de compreensão e de vocabulário. Mais uma oportunidade de levar a cultura austríaca para a sala de aula!

Veja o material completo aqui.

O teatro do século XVIII ainda faz sentido hoje?

Você prefere encenações clássicas ou releituras provocativas? A peça Ifigênia em Táuris, de Goethe, é um exemplo perfeito para refletir sobre isso.

Inspirada na tragédia de Eurípides e escrita em 1779, a peça coloca Ifigênia em um dilema moral entre lealdade e liberdade, destacando o poder da razão e do diálogo. Ifigênia, sacerdotisa do templo de Diana na terra dos Táurios, luta para manter sua integridade moral em meio a um povo bárbaro. Quando seu irmão Orestes e seu amigo Pílades chegam à ilha em busca da estátua de Diana para expiar a culpa de Orestes, Ifigênia precisa escolher entre a lealdade à sua nova pátria e o desejo de retornar à Grécia. Diferente da versão trágica de Eurípides, Goethe enfatiza o poder da razão, da verdade e do humanismo, permitindo que o conflito seja resolvido sem violência, apenas pelo diálogo e pela honestidade de Ifigênia.

Na Áustria, duas montagens atuais interpretam essa história de formas bastante distintas, mas ambas dialogando com a realidade que estamos vivendo fora dos teatros:

Akademietheater (Viena) – Dirigida por Ulrich Rasche, a produção transforma o palco em uma experiência hipnótica: cenários monumentais, ritmos mecânicos, percussão intensa e atores em esforço físico constante. A peça vira um espetáculo visual e sonoro sobre poder, violência e resistência feminina. Assista um trecho:

Stadttheater Klagenfurt – Com direção de Ana Stepiani, essa versão foca na autossuficiência de Ifigênia como um manifesto pela desobediência e o empoderamento feminino. Em vez de uma tragédia distante, temos uma peça que questiona normas sociais e dá voz à luta pela liberdade.

Duas abordagens, um mesmo texto – e um convite à reflexão! E você, qual estilo prefere? Tradicional ou reinterpretado? 

Inscrições para “Intercultural Achievement Award 2025” estão abertas

Estão abertas as inscrições para o Intercultural Achievement Award 2025, um prêmio que distingue projetos de diálogo intercultural e inter-religioso, na Áustria ou no estrangeiro, nos campos de artes/cultura, juventude, direitos humanos, educação para a cidadania global, integração e igualdade de gênero. 

A chamada está aberta para projetos com ONGs, organizações da sociedade civil ou outros patrocinadores de projetos que atuem nesses campos e que queiram se inscrever.

Mais informações podem ser encontradas no site do prêmio (em inglês): www.intercultural-achievement.com.

O prazo para apresentação de projetos é o dia 30 de abril de 2025.

Material apresenta austríacas famosas para nível A2

Um material desenvolvido para o Sprachportal.at apresenta, para o nível A2, austríacas importantes para a história do país. Com ilustrações, áudios, textos e exercícios de vocabulário, a atividade permite uma visão abrangente da história austríaca a partir da vida de rainha Maria Theresia, da atriz e cientista Hedy Lamarr, da psicanalista Anna Freud, da apresentadora Arabella Kiesbauer, da nadadora Mirna Jukić e da chef Johanna Maier.

Veja o material na íntegra aqui.

Professoras e alunas da UFPR traduzem livro sobre tradução de teatro

A editora Temporal traz para o Brasil uma importante referência para as discussões de tradução de teatro: se trata do livro “Teatro e Tradução”, da pesquisadora Margherita Laera. A obra foi traduzida pelas professoras Ruth Bohunovsky e Gisele Eberspächer e pelas alunas Ana Carolina Olivera Freitag, Juliana Fogiato Rodrigues, Laísa Viegas e Karen Silva no âmbito de uma disciplina do curso de Letras da UFPR.

No livro, a “estudiosa feminista, tradutora de teatro e migrante italiana” – como se autodefine na introdução do livro – analisa as questões éticas, políticas e estéticas que permeiam a tradução de teatro, e o processo de tradução em geral.

Mais do que oferecer respostas definitivas, Laera convida à reflexão sobre como a tradução pode desafiar o status quo e contribuir para uma cultura mais diversa e inclusiva. A obra desmonta ao longo de três capítulos a ideia de equivalência linguística, examina as relações de poder na adaptação teatral e argumenta que ampliar o repertório de traduções é essencial para democratizar o acesso ao teatro e diversificar as vozes presentes nos palcos. 

O livro é menos um manual e mais um diálogo: “O objetivo deste livro não é prescrever, mas questionar, criticar e propor pontos para discussões futuras”, escreve a especialista. Ao explorar conceitos como performabilidade, mostra como o processo de traduzir não apenas transporta significados, mas também influencia a encenação, a recepção e a interpretação do teatro em diferentes contextos culturais.

A edição conta também com um prefácio inédito de Alinne Balduino P. Fernandes, doutora em Dramaturgia e Tradução pela Queen’s University Belfast (QUB) e professora da UFSC.

O título está atualmente em pré-venda no site da Editora Temporal.

Associação Latino-Americana de Estudos Germanísticos anuncia data de Congresso de 2026

A ALEG, Associação Latino-Americana de Estudos Germanísticos, anuncia a data do Congresso de 2026: de 23 a 27 de março na Universidade de Guadalajara, no México. Com o tema “Latinamerikas Germanistik im Wandel: Chancen und Herausforderungen”, o evento busca discutir as novas tendências de estudo e pesquisa no campo.

O convite completo pode ser visto aqui. Demais informações sobre o evento serão divulgadas em seguida.

Revista DaF-Brücke está com chamada aberta para artigos sobre aprendizagem com literatura

A revista DaF-Brücke está com chamada aberta para artigos sobre aprendizagem com literatura. Com o título “Deutschlernen mit Literatur: aktuelle Theorien, innovativen Methoden und Beispiele aus der Praxis”, o dossiê procura aprofundar a relação entre ensino e literatura com teorias, métodos e exemplos práticos.

Os artigos podem ser escritos em alemão, português e espanhol e devem ser enviados até o dia 30.04.2025. Mais informações e diretrizes para autores no site da DaF-Brücke.