Participação do Centro Austríaco no podcast Deutschguês

Foi hoje ao ar um episódio do podcast Deutschguês sobre a Áustria e o Centro Austríaco com participação da nossa coordenadora, Ruth Bohunovsky. Na conversa, Ruth fala sobre as diferenças entre os dialetos alemãs da Alemanha e da Áustria, além de várias informações culturais sobre o país.

O Deutschguês é produzido pela professora de alemão Raquel Menezes. Formada em Letras Português-Alemão pela UFRJ, especialista em Ensino de Alemão como Língua Estrangeira pela UERJ e mestre em Estudos Linguísticos pela UFPR e pela Universität Leipzig. Além do produzir o podcast, Raquel trabalha como professora na UNICENTRO. Saiba mais sobre ela e o projeto aqui.

KALLIOPE, mulheres austríacas que fizeram história

Este foi o título do webinar conduzido por Ruth Bohunovsky, coordenadora do Centro Austríaco, na última semana. Como a história das mulheres é tratada hoje na Áustria? Muito se fala sobre o papel dos homens na história, mas dificilmente das mulheres, que desempenharam um papel tão importante quanto eles e alcançaram excelência em diferentes disciplinas, mas foram esquecidas simplesmente por serem mulheres. Como forma de contra-movimento a isso, várias iniciativas buscam resgatar suas histórias, e aqui apresentaremos algumas delas. 

Primeiro, Ruth recomendou o filme sobre Johana Doner, ex-primeira ministra austríaca que lutou pelos direitos das mulheres. Veja o trailer: 

Ruth também cita a iniciativa da editora austríaca Das vergessene Buch [livros esquecidos], que visa publicar novamente obras que foram proibidas no tempo do nazismo e ficaram esquecidas no mercado editorial. Muitas autoras têm obras nesse situação, e essa é uma oportunidade para voltarem a ser lidas. 

Outro projeto, criado pela artista Iris Andraschek, é a grande sombra de uma mulher no Pátio de Arcos (Arkadenhof) da Universidade de Viena com a frase Der Muse reicht’s” [a musa está farta]. O fato de essa sombra estar em um dos principais pátios da Universidade de Viena não é por acaso: aqui estão inúmeros bustos de homens reconhecidos historicamente e academicamente pela universidade – entre eles, apenas uma mulher. 

By Ewald Judt – http://austria-forum.org/af/Bilder_und_Videos/Bilder_Wien/1010/1976, CC BY 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=71488387

Mas qual é o significado da frase mencionada – uma musa? O conceito de musa como personagem feminina idealizado pelos homens ao longo da história adquire aqui uma nova dimensão. É sobre como a mulher transcende esse papel, se liberta dele e consegue se redefinir. A musa não quer mais ser musa, mas sim ser reconhecida como igual e viver em condições de igualdade. 

Kalliope também foi musa, e é justamente esse nome que serviu para a exposição do Itamaraty com o objetivo de resgatar a memória de mulheres importantes para a sociedade austríaca. A partir dessa exposição, o Centro Austríaco realizou um projeto de tradução e divulgação dessas histórias no Brasil. Clique aqui para saber mais.

Ruth nos lembra com esses exemplos que a história não é algo que já foi escrito e determinado, mas é continuamente renegociado e reescrito por meio dos discursos atuais. Nessa perspectiva, a aula de alemão como língua estrangeira ou segunda língua também adquire uma dimensão discursiva importante para lidar com questões históricas. A própria Ruth já iniciou projetos nessa área em relação à criação de material didático para o contexto brasileiro que aborda questões culturais e históricas desde os níveis mais básicos, uma vez que o nível de alemão não deve ser um empecilho para tratar de temas interessantes. Um exemplo de material sobre Sissi pode ser encontrado aqui.

Ruth também menciona o seguinte: Para participar de discursos atuais sobre um tema, é necessário saber quais informações existem sobre dele, que diferentes perspectivas abordam o mesmo tema, já que uma pessoa ou um lugar podem ter muitos significados na memória coletiva, pois isso depende também da percepção subjetiva de cada pessoa. Assim, o papel da mulher pode ter sido definido em um momento a partir de uma perspectiva específica, mas na verdade foi muito mais do que isso, só não foi reconhecido naquele momento. Como por exemplo no caso da primeira mulher a dar a volta ao mundo: a austríaca Ida Pfeiffer, que inicialmente viveu uma vida predeterminada pela sociedade, em um casamento arranjado, mas decidiu seguir sua paixão para ver o mundo.

Kultur und Sprache lança novo site

O programa Kultur und Sprache lança um novo site. Lá, professores e professoras podem encontrar material didático sobre temas austríacos, mas também informações sobre cursos e eventos gratuitos que ajudam a promover uma imagem contemporânea do país e realizar um ensino de alemão mais plural e interessante. Os eventos (online e presenciais) se dirigem tanto a docentes já experientes como àqueles ainda em formação. Vale a pena dar uma olhada e se inscrever para receber o Newsletter!

O programa é atrelado ao Ministério Federal da Educação, Ciência e Pesquisa da Áustria e implementado pelo OeAD e já está ativo há 25 anos.

Planos de aula gratuitos para trabalhar literatura austríaca nas salas de aula

Um grupo de alunos da Universidade de Viena desenvolveu uma grande variedade de planos de aula e sites de qualidade para trabalhar com literatura em salas de aula de alemão como língua estrangeira. Os planos estão divididos de acordo com o nível de alemão dos alunos.

Aqui, fornecemos uma breve descrição de alguns planos de aula sobre literatura austríaca que valem a pena conhecer:

Geschichten aus dem Wiener Wald por Ödon von Horváth

Neste planejamento para o nível B2, os alunos podem conhecer várias cenas da peça teatral de Ödön von Horváth, que se passam em diferentes lugares da Áustria. Além disso, o planejamento inclui algumas cenas de filmes, o que pode ser muito motivador na sala de aula!

Clique aqui para acessar o plano de aula Didaktisierung Geschichten aus dem Wiener Wald von Ödön von Horváth (em alemão). 

Daniel Glattauer „Gut gegen Nordwind“ 

Este romance, baseado em uma troca de e-mails, tem um toque realista e moderno com o qual os alunos poderão se identificar facilmente. São tratados temas como amizade e conhecimento mútuo, permitindo também diferentes interpretações utilizando apenas trechos do texto. 

Para ver o planejamento, indicado para a partir do A2, clique aqui.

Kaffeehaus de Peter Altenberg

Imagem da representação de Peter Altenberg no Café Central de Viena. Quelle: http://www.viennatouristguide.at/personen/Altenberg/ab.htm

KAFFEEHAUS

Du hast Sorgen, sei es diese, sei es jene – – –

ins Kaffeehaus!

Sie kann, aus irgend einem, wenn auch noch so

plausiblen Grunde, nicht zu dir kommen

– – – ins Kaffeehaus!

(…)

O autor boêmio austríaco Peter Altenberg passava a maior parte do tempo em cafés. Não é de surpreender que suas obras tenham sido designadas por alguns como “literatura de café”!

Clique aqui para ver o planejamento para os níveis A2 e B1.

Você sabe quem é o Hanswurst, o João-Linguiça?

Trata-se de uma das personagens mais famosas do teatro de língua alemã, sobretudo na Áustria. Chegou a Viena em 1705 ou 1706 com Joseph Anton Stranitzky, um ator que se estabeleceu na capital austríaca após percorrer a Alemanha com grupos teatrais itinerantes. Trouxe na bagagem a figura cômica do Hanswurst – que está presente até hoje, esculpido em pedra, na parte externa do famoso Burgtheater de Viena.

No palco, além de cômico, João Linguiça foi também uma voz crítica em relação às injustiças sociais e à corrupção política de sua época, além de politicamente incorreto e exageradamente grotesco. As elites políticas e culturais do século XVIII, tanto na Alemanha quanto na Áustria, começaram a se incomodar tanto com essa figura nada compatível com o “bom gosto” da burguesia dita esclarecida que chegou a proibir sua presença nos teatros, para garantir a “implementação da boa moral”. Mas, a personagem do João Linguiça resistiu, continuou presente nos teatros, na vanguarda literária do século XX e no teatro de fantoches para crianças, onde ganhou o nome de Kasperl. Até o famoso Johann Wolfgang von Goethe escreveu uma farsa que tem o João Linguiça como personagem principal: Hanswursts Hochzeit oder der Lauf der Welt – Ein mikrokosmisches Drama [O casamento de João Linguiça ou o curso do mundo – um drama microcósmico].

Quer saber mais sobre a figura do João Linguiça? Falamos mais sobre ele e outras figuras da literatura austríaca no livro Áustria: Uma história literária.

10 dicas para aprender alemão lendo artigos de jornais austríacos

Você está pensando em praticar ou aumentar o seu vocabulário em alemão lendo textos atuais sobre a Áustria? Ou já pensou em trabalhar com matérias autênticas de jornais em sala de aula? Aqui está uma lista de estratégias que ajudam não só a decifrar as palavras e seu contexto sem o auxílio de um dicionário, mas também a promover indiretamente a aquisição de mais vocabulário. Além disso, apresentamos uma variedade de jornais austríacos, para que você possa escolher com qual deseja trabalhar.

Jornais

Entre os periódicos mais populares estão Standard, Kurier, Presse e Krone. Entre todos, o Standard é muito popular e visto como um meio de alta qualidade, seguido pelo Wiener Zeitung ou o Falter, embora as opiniões variem. Já o Österreich e o Krone são considerados tabloides. Vale a pena dar uma olhada em todos!

Como selecionar o artigo

  1. Elementos no conteúdo como fotos, dados numéricos, e textos de apoio, nos quais o próprio conteúdo se repete várias vezes, mas em outras palavras, são muito úteis. Essas características costumam existir em artigos de jornal, então aproveite para aprender!
  2. A motivação afeta muito o desempenho: portanto, escolha um texto que seja de grande interesse para você e/ou seus alunos!

Estratégias para decodificar palavras

  1. Compare a palavra que você não conhece com palavras de outros idiomas que soam semelhantes para você (por exemplo: light, em inglês e Licht em alemão) Nota: Os jornais tendem a usar principalmente palavras derivadas do inglês!
  2. Caso a palavra “soe familiar” para você, mas você ainda não lembra do significado, tente ler a palavra em voz alta várias vezes: isso pode ajudar a verificar foneticamente se você não confundiu palavras que se parecem, mas não se relacionam entre si. Além disso, esse procedimento ajuda a encontrar a palavra no “léxico” da memória.

    Nada ainda? Vamos continuar tentando…

  3. Divida a palavra para tentar descobrir algo sobre ela. Você conhece algum sufixo ou prefixo? É uma palavra composta? Existem partes da palavra que você conhece por conta de sua função gramatical?
  4. Observe a palavra dentro da frase: Qual é sua posição? Que função (sujeito? objeto?) tem? (Importante: os jornais tendem a “esvaziar” as frases dos verbos de conteúdo, transformando as palavras importantes em substantivos. Então se você não entende uma palavra que não é um substantivo, tente deduzir seu significado olhando nos substantivos em torno dela).
  5. Veja se a mesma palavra ou uma palavra semelhante é encontrada em outros contextos dentro do artigo e sublinhe-a. Que pistas esses outros contextos fornecem sobre a palavra?
  6. Tente deduzir o significado da palavra levando em consideração o tópico geral e seu conhecimento geral sobre o assunto. Que ideias vêm para você?
  7. Se você não consegue entender a palavra, mude sua estratégia e tente outra. Se, apesar disso, você não tiver obtido sucesso, tente novamente mais tarde! Talvez você ainda não esteja pronto para entender a palavra por não ter informações suficientes sobre ela ainda: muitas vezes, novas informações e explicações são fornecidas no próprio texto a medida que é lido.
  8. Se você conseguiu chegar perto de uma interpretação da palavra que parece válida para você, verifique com segurança esse significado tanto no contexto próximo (a frase) quanto no contexto mais amplo (o parágrafo). Continua fazendo sentido?

Você quer saber mais sobre estratégias de leitura? Martina Kienberger se aprofunda no tema em sua tese. Clique aqui para ler (indicamos principalmente as páginas 170-172 – em alemão).

Evento: apresentações sobre Rose Ausländer e Paula Ludwig na Abralic

Rose Ausländer (à esquerda) e Paula Ludwig (à direita)

O simpósio “Deslocamentos Literários: cultura, tradução e migração”, parte do XVII Congresso Internacional Abralic, terá duas apresentações dedicadas às poetas Rose Ausländer e Paula Ludwig.

O mestrando Luiz Carlos Abdala Junior (UFPR) apresenta o trabalho “As diferentes moradas do exílio: Rose Ausländer e a tradução entre línguas” no dia 05 de novembro de 2020 às 14h15. Em seguida, às 14h30, a doutoranda Mariana Chirico Machado Holms (USP) apresenta “Brasil 1943 – a natureza estrangeira à espreita em um poema do exílio de Paula Ludwig”.

A programação completa do simpósio pode ser vista aqui. As apresentações serão transmitidas ao vivo no canal do YouTube da Abralic.

Kalliope: Mulheres na sociedade, na cultura e na ciência

No segundo semestre de 2017, um grupo de alunos de Letras da Universidade Federal do Paraná se juntou para traduzir a exposição Kalliope, organizada pela Embaixada da Áustria. Com o subtítulo Mulheres na sociedade, na cultura e na ciência, o objetivo da exposição é recuperar e apresentar a história de mulheres importantes para a sociedade austríaca mas que são com frequência esquecidas.

Composta por 11 cartazes, a exposição foi exibida na Reitoria da Universidade Federal do Paraná, no Goethe Institut Curitiba, no Instituto Federal do Paraná (Campi Curitiba, Colombo e Paranaguá) e no Muma – Museu Municipal de Arte de Curitiba.

Organização: Embaixada da Áustria
Coordenação da Tradução: Gisele Eberspächer e Ruth Bohunovsky
Tradução: Amanda Martins, Andriele França, Deborah Raymann de Souza, Gisele Eberspächer, Luiz Abdala, Milena Wandembruck, Natan Schäfer, Pedro Schneider
Revisão: Bruno Wilbert Miranda Santana, Melissa Scapin Menegola, Sara Adriana Voltolini

Atualmente, o conteúdo da exposição pode ser acessado em uma versão online aqui.