Verbete produzido por Alisson Guilherme Ferreira
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Elfriede Jelinek, Hotel Sacher, Wien, 1988
Courtesy Studio Rocholl © Karin Rocholl
„Wie man es von den meisten Schriftstellern sagt: Einerseits habe ich schon als Kind immer nur gelesen und war eine Einzelgängerin […], andrerseits habe ich diesen berühmten Bruch zwischen mir und der Welt gespürt, je mehr ich gelesen habe. Das geschieht schon sehr früh, und dann habe ich offenbar versucht, diesen Bruch durch etwas zu schließen, das mir zugänglich war, und das war nur das Schreiben.“
(In einem Interview von Marika Griehsel für den Nobelpreis)
“Como se diz da maioria dos escritores: por um lado, mesmo quando eu era criança eu estava sempre lendo e era uma solitária […], por outro lado, quanto mais eu lia, mais eu sentia aquela famosa ruptura entre mim e o mundo. Isso aconteceu muito cedo, e então eu evidentemente tentei fechar essa ruptura através de alguma coisa que me fosse acessível, e essa coisa era apenas a escrita.”
(Em entrevista conduzida por Marika Griehsel para o Prêmio Nobel)
Escritora prolífica, com obras publicadas nos mais variados gêneros, Elfriede Jelinek foi laureada com o Prêmio Nobel de Literatura de 2004 “por seu fluxo musical de vozes e contravozes em romances e peças que, com extraordinário zelo linguístico, revelam o absurdo dos clichês da sociedade e o seu poder subjugante”. Apesar disso, Jelinek sempre foi — e continua sendo — uma figura polarizadora. O próprio Vaticano, no seu jornal diário L’Osservatore Romano, desaprovou a sua premiação, com a justificativa de que ela teria escrito cenas cruas de sexualidade que não conduzem a uma compreensão da emancipação da mulher.
Reclusa, Jelinek também é bastante conhecida por usar da sua literatura mordaz e provocativa para tecer críticas pungentes tanto ao seu próprio país, escrevendo contra as tragédias nas esferas política, pública e privada da sociedade austríaca, a exemplo da peça Schwarzwasser [Água negra], em que faz referência ao caso de Ibiza, um escândalo político responsável por derrubar o governo da Áustria em 2019, quanto a questões de relevância internacional/mundial. Só para citar alguns casos, em Bambiland [Bambilândia], ela satiriza a invasão americana ao Iraque; em Wut [Raiva], tece uma resposta ao ataque terrorista perpetrado contra a revista satírica parisiense Charlie Hebdo; e, em No caminho do rei (Am Königsweg), produz um monólogo acerca de um certo político sórdido, num discurso cheio de indignação, inspirado na vitória de Donald Trump nas eleições estadunidenses de 2016.
Logo, não é preciso ir muito a fundo para perceber que poder, cultura de massa, fascismo reprimido, opressão feminina, violência e sexualidade são temas caros a Jelinek, os quais têm grande destaque em peças como Schatten (Eurydike sagt) [Sombra (Eurídice diz)] e Schnee Weiss [Branco de neve], das quais será possível conferir trechos em tradução mais adiante, e é, também por isso, vista ora como uma voz audaz e necessária, ora como pornógrafa e traidora da pátria. Por essas razões, que guiam a uma certa leitura crítica de Jelinek, na qual esse aspecto provocativo tende a se sobressair, em detrimento de outros aspectos, como o cômico, formou-se um construto imagético de Jelinek que não corresponde à sua totalidade artística. De todo modo, o cômico jelinekiano parece estar sendo mais abordado em estudos de âmbito internacional recentes, como ressalta Bohunovsky (2020).
Em termos pessoais, o relacionamento problemático da jovem Jelinek com a mãe, que ansiava por a transformar em um prodígio da música — além de ser a inspiração por trás de A pianista (Die Klavierspielerin), provavelmente o seu romance mais famoso internacionalmente e que rendeu uma adaptação cinematográfica por Michael Haneke em 2002, com Isabelle Huppert como protagonista —, teria sido o pontapé inicial para a autora se rebelar contra as figuras de autoridade e dirigir toda a sua atenção à escrita, lugar em que desenvolveria um estilo muito característico.
Quanto à questão da linguagem, muito importante para qualquer escritor, mas sobretudo para uma Jelinek, ela afirmou no artigo Schreiben müssen [Ter que escrever] para o jornal vienense Die Presse que a linguagem “tudo abre e tudo fecha e se fecha a tudo e é ela mesma tudo”, sendo o meio que Jelinek encontrou para deflagrar a sociedade, dirigindo-se “em especial aos falantes do patriarcado, do capitalismo e do humanismo católico (sobretudo da Áustria), que são confrontados com a própria linguagem — o que é suficiente para escarnecê-los”. Ainda, de acordo com a pesquisadora Dagmar von Hoff, Jelinek “escreve ficção em prosa e peças que não admitem uma interpretação central”, “em vez disso, ela desenvolve uma estrutura de descentramento” na qual ela “divide vários corpos de texto, dissecando e fundindo as partículas de uma nova maneira”. Já o crítico Ivan Nagel, em homenagem à Jelinek por ocasião do Prêmio Büchner concedido a ela, chamou-a de “contadora de histórias de extremo refinamento e habilidade”, com um trabalho implacavelmente realista, quase intolerável, “mas ótimo e necessário”. E o diretor de teatro Claus Peymann a comparou a Thomas Bernhard em sua aptidão para expor “todas as manchas de podridão” na sociedade, como “uma Cassandra do teatro e da literatura” capaz de antever o terror, o abismo, a morte, revelá-los e gritá-los, sem que nunca acreditem nela.
Por falar em teatro, com o passar dos anos Jelinek passou a se dedicar com mais afinco à escrita de peças que, como explica Nagel, permitem aos diretores “performances excepcionalmente grandes”, devido em grande parte à forma com que Jelinek as constrói: “enormes tapetes textuais, resultantes de uma poderosa corrente linguística sem papéis e sem ação”, fazendo dos diretores “coautores igualmente importantes”. Nelas, Jelinek, além de tudo o que já foi dito, costuma refletir a respeito das relações sociais, quase sempre em conexão com eventos atuais importantes, a exemplo de uma de suas peças mais recentes, Lärm. Blindes Sehen. Blinde Sehen! [Ruído. Visão cega. Os cegos veem!] de 2021, uma colagem de vozes sobre a pandemia da covid-19.
Jelinek continua publicando, e muitos dos seus textos estão disponíveis de forma gratuita tanto no seu site atual (https://www.elfriedejelinek.com) quanto no seu site antigo (https://original.elfriedejelinek.com).
Por fim, apesar da importância da produção literária de Jelinek, ela não é tão conhecida no Brasil, e o número das traduções devidamente publicadas em português ainda é modesto, mas vem aumentando! Temos dois romances editados no país, A pianista e Desejo (Tordesilhas), bem como as publicações da peça O que aconteceu após Nora deixar a casa de bonecas ou pilares das sociedades (Temporal Editora) e da coletânea Elfriede Jelinek: do texto impotente ao teatro impossível (Perspectiva), o que parece pouco para uma autora de obra tão vasta, embora pareça haver “uma crescente recepção acadêmica e crítica de [sua] obra” por aqui, o que vem contribuindo para impulsionar a presença dela e dos seus trabalhos em solo brasileiro.
Trechos traduzidos
Schatten (Eurydike sagt). 2013
[Sombra (Eurídice diz)]
Tradução por Cristiane Bachmann e Ruth Bohunovsky
Der Sänger wird die Realität gründlich prüfen, er wird merken, daß ich nicht mehr da bin, er wird noch einmal prüfen und unter den Einfluß dieser Realitätsprüfung gelangen, total unter den Einfluß der Trauer gelangen, ja, das wird er, und die wird von ihm kategorisch verlangen, daß er sich von mir, seinem Objekt, jetzt trennen muß, weil mein Ich, dieses Objekt, doch gar nicht mehr besteht. Er wird dann die Arbeit zu leisten haben, diesen Rückzug von mir, dem Objekt, seinem Objekt, ja, das ist wichtig, lachen Sie nicht!, von mir, die ich wertvoll geworden, gerade weil ich sein Objekt bin, und er wird diesen Rückzug von mir, dem Objekt, auf allen Ebenen und in allen Phasen seines Lebens durchzuführen haben, ordentlich durchzuführen haben, in allen Situationen, in denen das Objekt, ich, das Objekt also Gegenstand hoher Besetzung war, ich war die erste Besetzung, kein Zweifel, eine hohe Besetzung, vielleicht hat er mich zu hoch angesetzt, mag sein, vielleicht hat er mich falsch angesetzt, vielleicht nur einen Ton, nur einen Ton falsch angesetzt, bei dem Lärm hört das eh keiner, falsch angesetzt und falsch gebracht, das mag sein, aber er wird den schmerzlichen Charakter dieser Trennung akzeptieren müssen, er wird sich fügen müssen, er wird sich dann fügen müssen und die hohe und unerfüllbare Sehnsuchtsbesetzung von mir, die ich weg sein werde, futsch, perdu, abgetaucht, wird er für immer akzeptieren müssen, denn ich, das Objekt, werde eben fort sein, jawohl, fort, und das wird er, fürchte ich, diesem schmerzlichen Charakter, den der Rückzug seines Objekts haben wird, nämlich mein Rückzug persönlich, ich meine natürlich meinen Rückzug als Person, alles klar soweit?, also diesem schmerzlichen Charakter dieser Trennung wird er sich fügen müssen, er wird sich, wer, er?,was wird passieren?, also der schmerzliche Charakter unserer Trennung wird sich immer wieder einstellen, auch wenn er sich gefügt hat, der Sänger, immer wieder aufs neue, und sogar nachdem er sich längst gefügt haben wird, nachdem es sich gefügt hat, daß ich, sein Objekt, endgültig verschwunden bin, wird er das hinnehmen müssen, es wird ihm nichts andres übrigbleiben, und nachdem er das kapiert haben wird (so, wie ich ihn kenne, wahrscheinlich nie!, der ist wie ein Säugling, was er hat, das hält er fest, an dem saugt er, und dann spuckt er es wieder aus, und dann singt er gleich wieder fleißig, weil er eine Erfahrung gemacht hat, die Erfahrung, daß man alles behalten darf, was man hat, weil es einem zusteht, es gehört sich, daß einem möglichst viel gehört, das leuchtet mir ein), nachdem er das geschnallt hat, wird er diese Sehnsuchtsbesetzung von mir, seinem Objekt, in allen Situationen, in allen ähnlichen reproduzierbaren Situationen immer wieder als Bindung an mich, sein Objekt, erkennen, wo er doch lernen sollte, die Bindung an mich, sein Objekt, jetzt endlich und endgültig zu lösen. Da führt kein Weg daran vorbei.
O cantor examinará a realidade a fundo, perceberá que eu não estou mais ali, examinará novamente e se entregará à influência desse exame da realidade, totalmente entregue à influência do luto, sim, ele ficará assim, e o luto lhe exigirá, de modo categórico, que neste exato momento se separe de mim, seu objeto, por meu Eu, esse objeto, já não existe mais. Ele vai ter que passar por esse trabalho, essa regressão de mim, do objeto, seu objeto, sim, isso é importante, não ria!, de mim, que me tornei preciosa, justamente porque sou o objeto dele, e ele terá que realizar essa regressão de mim, do objeto, em todos os níveis e em todas as fases de sua vida, realizar com esmero, em todas as situações em que o objeto, eu, ou seja, o objeto que era alvo de alto investimento, eu era o principal investimento, sem dúvida, um alto investimento, talvez ele tenha apostado demais em mim, pode ser, talvez ele tenha apostado errado, talvez apenas numa nota, apostou numa nota errada, com esse barulho todo ninguém vai escutar mesmo, apostou errado e deu errado, pode ser isso, mas ele terá que aceitar o caráter doloroso dessa separação, terá que se adaptar, então vai ter que se adaptar e terá que aceitar o alto e inalcançável investimento nostálgico de mim, pois já terei ido, já era, perdu, canoa virada, ele que aceite de uma vez por todas, que eu, o objeto, terei desaparecido, sim senhor, esse caráter doloroso que terá a regressão de seu objeto, ou seja, minha própria regressão, estou pensando, é óbvio, na minha regressão como pessoa, tudo claro até aqui?, então, esse caráter doloroso dessa separação, ele vai ter que aceitar, ele vai, quem, ele?, o que é que vai acontecer?, então, o caráter doloroso da nossa separação vai se fazer sentir para sempre, mesmo depois de ele ter aceitado, o cantor, sempre de novo, e mesmo depois que ele tenha aceitado já há um bom tempo, depois de ter aceitado que eu, seu objeto, sumi definitivamente, vai ter que engolir, não lhe resta outra saída, e depois que ele sacar isso (ou seja, provavelmente nunca!, do jeito como eu o conheço, pois ele é como um bebê, o que ele pega, ele agarra, chupa, e logo cospe fora, e logo volta a cantar sem descanso, pois acabou de ter uma experiência, a experiência de que podemos ficar com tudo que pegamos, pois merecemos, pertence a nós que o máximo possível pertença a nós, isso me parece óbvio), depois de pescar isso, ele vai reconhecer esse investimento nostálgico de mim, de seu objeto, em todas as situações, em todas as situações reprodutíveis semelhantes, sempre como vínculo comigo, seu objeto, ainda que deva, na verdade, aprender a desatar o vínculo comigo, seu objeto, agora, final e definitivamente. Porque não há outro caminho.
Die Schutzbefohlenen. 2013
[Suplicantes]
Tradução por Gisele Eberspächer
Schauen Sie, Herr, ja, Sie!, flehend wenden wir uns Ihnen zu, uns hat irgendwer gezeugt und irgendeine geboren, wir verstehen, daß Sie das überprüfen wollen, aber Sie werden es nicht können. Wo ein Woanders ist, dort wissen wir nichts, denn vielleicht ist alles ganz anders und ohnedies immer woanders, und dort ist unser Erkennen nichts. Man hat uns Videos geschickt, meiner Familie, als ich sie noch hatte, inzwischen alle tot, alle tot, kein einziger noch da, ich bin der letzte, mein alter Horizont nicht Gegenstand mehr, dem steht nichts entgegen, sie sind ja alle weg, alle tot, nur ich nicht, ich bin jetzt da, und was machen Sie mit mir? Ich bin da, was machen Sie jetzt mit mir? Der Horizont wird zum Nichts, am Gebirge endet er, das Meer ist ein Loch, ein Schlund, eine Schlucht, es ist doch keiner mehr da, es ist keiner mehr dort, nur ich bin hier und nicht dort, aber hier, angewiesen auf meine Erinnerungen, sind alle tot, sind woanders tot, sowieso tot, ich bin der letzte, ein hartes Los, ich klage es laut, ich habe das traurigste Los gezogen. Schauen Sie, da werden zwei unserer Verwandten geköpft, danach waren noch einige übrig, fotografiert mit dem Handy, solange noch Zeit war, jetzt sind sie es nicht mehr, es gibt sie nicht mehr, es gibt nur noch mich, aber dieses schwer zu enträtselnde Geschick, denn wieso machen Menschen das?, erlaubt mir nicht Aufenthalt hier, schauen Sie, ich zerfetze mir sofort meine geschenkten Jeans, meinen geschenkten Pullover, ich zerschneide auf der Stelle meinen geschenkten Rucksack, ich muß verrückt sein, die Sachen gehören doch jetzt mir!, ich lasse mich treiben auf unsichtbaren Wellen, aber nützt mir das was? Es nützt mir nichts! Zwei meiner Cousins sind einen Kopf kürzer gemacht, ich flehe zu Ihnen, ich weiß, das würden Sie mir nicht antun, das könnten Sie gar nicht, aber sprechen meine Cousins nicht für mich? Mit ihren zerschnittenen Hälsen und ohne
Kopf? Spricht das nicht für mich, daß so Schweres ich erlebt habe, willst du uns nicht, ja, du? Wir dunkle, sonnenglutgewohnte Schar, wir kehrten dann um, bloß: wohin? Zu andren Erdumnachteten, Endumnachteten, überhaupt Umnachteten, alle, alles umnachtet, wo wir nicht sind, aber hin sollen, hin auch wollen, gibt es diesen Herrn Präsidenten oder was er ist, gibt es den Herrn, den allaufnehmenden? Nein, es gibt ihn nicht. Es gibt keinen Allaufnehmenden. Da könnte jemand eher das All bei sich aufnehmen als alles, als uns, nichts und niemand nimmt uns auf, das ist unerhört! Und unerhört bleiben auch wir
Hei, você, olhe aqui! Sim, você! Suplicamos para você, alguém nos concebeu, alguém nos pariu, e entendemos que você precisa verificar isso, mas não vai conseguir. Lá onde é um outro lugar, lá não sabemos nada, talvez esteja tudo diferente e de qualquer maneira é sempre outro lugar, e nosso conhecimento não vale nada lá. Nos mandaram vídeos da minha família, enquanto eu ainda a tinha, desde então todos mortos, todos mortos, nenhunzinho vivo, só sobrou eu, meu horizonte de antes já não é mais um objeto, não há ninguém lá para objetar, todos já eram, todos mortos, só eu que não, agora estou aqui, e o que você está fazendo comigo? Estou aqui, e o que você está fazendo comigo agora? O horizonte se transformou em nada, se encerra nas montanhas, o mar é um buraco, uma garganta, uma goela, ninguém mais está aqui, ninguém mais está lá, só eu estou aqui e não lá, aqui, dependendo de minha memória, todos estão mortos, mortos em outros lugares, ainda assim mortos, só sobrou eu, um destino cruel, grito lamentando, o meu é o destino mais triste. Olhe aqui, dois dos nossos parentes sendo decapitados, depois ainda sobraram alguns, tiraram fotos com o celular enquanto ainda havia tempo, mas agora já não existem, não há mais ninguém, só eu ainda estou aqui, mas esse é um destino tão difícil de desvendar, porque é que as pessoas fazem isso?, por que não me permitem ficar aqui, veja bem, eu rasgo na hora o jeans que me deram, a blusa, corto na hora a mochila que me deram, devo ter enlouquecido, as coisas são minhas agora!, deixo ondas invisíveis me levarem, mas isso me serve para algo? Para nada! Dois dos meus primos foram
decapitados, eu suplico, eu sei que você nunca faria isso comigo, nem poderia, mas meus primos também não falam por mim? Com suas gargantas cortadas e sem cabeça? Isso não fala a meu favor, eu, que coisas tão terríveis vivi, você não nos quer, quer? Nós que temos a pele escura, um grupo acostumado ao sol, nós damos a volta, mas: para onde? Para outras terras loucas, outras terras poucas, sobretudo loucas, tudo, tudo louco para onde queremos ir, será que lá tem um senhor presidente ou quem quer que seja, existe um senhor, que aceite todo mundo? Não, não existe. Não existe alguém que aceite todo mundo. Aceitam o universo inteiro mas não aceitam a gente, mas ninguém e nada nos aceita, isso é um absurdo! É como se fossem todos surdos.
Schnee Weiss. 2018
[Branco de neve]
Tradução por Alisson Guilherme Ferreira
2.
Ein Engel: Was sehen wir hier? Einen Hotelkorridor. Jesus kommt und zieht sich im Gehen mit einer Zange die Nägel aus den Handflächen. Blut tropft, auch aus seinem Herzen, das am richtigen Ort, allerdings außen, angebracht ist. Er kann drauf zeigen, das ist aber unnötig und überflüssig.
(Engel flattert ab)
Jesus: Geschnittene Hölzer, starke Nägel wurden da hineingebohrt. Meine Wunden sind inzwischen zugewachsen, nein, da war ich voreilig, sie bluten immer noch, vielleicht nächstes Jahr auch noch, sie bluten mindestens bis zu den Winterspielen. Sie sind schuld, daß der Verband bluten muß! Hätte ich Konsequenzen haben wollen, dann hätte ich vor mehr als zweitausend Jahren Anzeige erstatten müssen. Es nützt auch nichts, Männer an die Wand zu nageln, im Gegenteil, das macht sie nur populärer. Wenn die das gewußt hätten, hätten sie es schon früher nicht mit sich machen lassen. Männer an die Wand nageln und öffentlich anprangern, wenn sie nicht wegrennen können, das kann manchmal recht sinnvoll sein, damit die Menschen sich merken, daß sie alles mit sich machen lassen sollten, damit sie berühmt werden. Solche Männer leben ja davon, sie leben von ihrem Bekanntheitsgrad, der von der Verfinsterung ihrer Seele abhängt, doch es geht darum, was nachher passiert. Sie sehen es an mir. Ich zum Beispiel bin danach erst so richtig prominent geworden. Mir geht es jetzt auch nicht mehr darum, was passiert, sondern darum, daß präventiv Maßnahmen gesetzt werden und mir vor allem niemand meinen Ruhm streitig macht. Ich war schließlich der Erste. Runter kommen sie alle, ich kam rauf, mit etwas Hilfestellung kam ich rauf aufs Gerät. Inzwischen mußten viele bluten, aber nicht so wie ich. Ich fordere keine Konsequenzen für die Täter, ich bin lieber die Konsequenz des Opfers, die verkörpere ich mit meinem eigenen Körper. Ich verlange nur, daß das nicht noch jemandem passiert, denn mein Ruhm als Opfer soll ungeschmälert anhalten. Ich dulde keine Konkurrenz. Welches Antlitz trage ich hier unter dem Arm, das wird doch nicht meines sein?, das Haupt eines Löwen?, mit dem haben sie mich vielleicht verwechselt, mit einem Berglöwen vielleicht. Betrachten Sie es genau, es lohnt die Mühe! Sie sagen, das ist nicht meins, nicht mein Gesicht? Auf Leinwand wäre es viel mehr wert, wenn es vom Richtigen kommt. Zwei Stück, das kann nicht sein. Es gibt also meins, dort ganz oben am Kreuz, aber damit Sie es genauer sehen, habe ich es hier noch einmal, unter dem Arm. Ich bin ein Mann mit zwei Gesichtern, eines davon zeige ich der Öffentlichkeit, das andre kenn ich selbst nicht, es ist eine Rankhilfe für Frauen, die sie nicht hochbringt, aber öfter aufbringt, als eine Gedankenhilfe könnten sie mich eher brauchen. Sie zeigen auf mich, sie sind meine treuen Fans. Nach mir wird keiner mehr so bildlich und vorbildlich ans Kreuz genagelt werden. Von meinem Ruhm will ich ganz alleine profitieren. Jeder kann es halten, wie er will, ich hielt gern am Kreuze still. Ich habe viele Zuschriften erhalten und auch selbst ins Netzwerk geschrieben, ich habe mein Leiden so geschildert, daß ich selber fast geweint habe. Andre schilderten auch ihr Leid, kamen dabei aber nicht an mich heran. Ich bin beim Leiden der Erste. Nein, nicht leider Erster, sondern erster Leider. Ich wurde hingehängt, ich wurde hergehängt, ich wurde hierhin und dorthin gehängt, hier hat es nicht gepaßt, dort hat es nicht gepaßt, man hat einen Platz für mich im Stammeskader der Davidianer, alle inzwischen tot, nein, im Stammkader gesucht und mich dann am Stamm doch wieder endlos hingehängt, für die Ewigkeit, was andres ist ihnen für mich nicht eingefallen; ich glaube, dieser Rekord hält für die Ewigkeit vor, aber auch ihn wird man mir vorhalten. Ich hätte zuwenig an andre gedacht, die auch Rekorde aufstellen wollen, die an mir vorbeiziehen wollen, aber es kommt am Ende doch immer ein Kreuz mit leckerem Belag dabei raus. Ja, es ist ein Kreuz mit dem Erfolg wie mit dem Mißerfolg. Hoffentlich hilft mir jemand tragen. An der Wand. Dort, hier bin ich, mein Vater! Am Kreuz. Von Frauen beweint, bevor sie mich überhaupt erkennen. Ich komme! Einen körperlichen Übergriff würde ich absolut nennen, was mir passiert ist. Keiner würde mir da widersprechen. Wenn das kein Übergriff war, dann weiß ich nicht. Aber bitte: Ich wollte es ja! Dafür darf ich jetzt für meine Firma ewig an den Start gehen und ewig siegen, also bis auf weiteres jedenfalls, ich bestimme ja, wie lang ewig ist. Ich halte den Weltrekord unter denen, die sich niemals bewegen, dafür aber umso höher hinaufkommen.
Die andren, die gar keinen Sport machen, sondern Ruhe geben, sind schon viele, schon viele mehr als wir, doch ich lasse die Ewigkeit immer noch nicht enden. Wir werden sehn, wer den längeren Atem hat. Ich lasse mich auch nicht begrapschen, selbst wenn das oft versucht und geübt wird. Sie küssen mir die Füße, das geht grade noch. Mehr erlaube ich nicht, auch wenn sie sich immer wieder vorzuarbeiten versuchen, an meinem Körper hinauf, bis ich stop! sage. Sexualisierte Gewalt schließlich gang und gäbe, dem muß man einen Riegel vorschieben und eine Beauftragte dafür ernennen, die das kontrolliert, aber nichts zu sagen haben wird. Es hat das alles nichts zu sagen. Ja, es stimmt. Es gab noch mehr körperliche Übergriffe, ich kann sie gar nicht mehr zählen, denn erzählt sind sie längst schon alle. Ich war immer in einer Art Nebenzimmer, ich wußte ja, wer ich bin und daß ich unzerstörbar bin, mein Papa duldet keine Gewalttaten gegen mich, auch wenn ich sie mir ausdrücklich wünschen mag. Sie mehren nur meinen Nachruhm. Es ist nicht zum Äußersten gekommen. Es kommt zum Äußersten, beides schon passiert. Das Äußerste wird aufgeschoben. Man will den reinen, sauberen Nimbus meiner Religion bewahren, aber so ist das nicht. In meiner Kirche sitzen die Männer oben. Die Frau wird als Mann zweitrangig gesehen, weil sie keiner ist. Wer kann, raubt sie und entfernt sie aus der Öffentlichkeit und treibt sie ins Gebirg hinauf. Mir geht es generell um Gewalt. Meine Kirche hat ein Tabu darüber liegen, das sie jederzeit anheben oder aufheben kann, wie ich mein Lendentuch. Wichtig ist, jetzt Maßnahmen zu ergreifen, die präventiv wirken, und möglichen Opfern ein Umfeld zu geben, wo sie mit Experten sprechen und ihren Leidensdruck herauslassen können. Meine Angestellten wissen schon, was sie damit alles machen können. Das Frauenbild in meiner Religion hat sich nicht groß verändert, es ist noch immer klein. Meiner Mutter lieber Leib hat nichts Größeres zustandegebracht. Bist du zur Entnahme frei, sprach die Henne zu dem Ei. Sprach die Box zum Kleenex-Tuch, dir bleibt immer der Geruch. Wisch dich mal woanders rein, sprach der Koben zu dem Schwein.
[…]
2.
Um anjo: O que estamos vendo aqui? Um corredor de hotel. Jesus chega e, enquanto caminha, tira com um alicate os pregos das mãos. O sangue está pingando, inclusive do coração, que foi colocado no lugar certo, porém do lado de fora. Ele consegue apontar para o coração, mas isso é desnecessário e supérfluo.
(O anjo se afasta voando)
Jesus: Madeiras cortadas, pregos fortes pregados nelas. Minhas feridas já cicatrizaram, não, me precipitei, elas continuam sangrando, talvez continuem assim ano que vem, pelo menos até os Jogos de Inverno. É culpa delas que o curativo tem que sangrar! Se eu quisesse consequências, teria que ter registrado uma queixa mais de dois mil anos atrás. Também não adianta pregar homens na parede, isso só faz deles mais populares. Se eles soubessem, não teriam deixado isso acontecer com eles antes. Pregar homens na parede e humilhar em praça pública enquanto não conseguem fugir, isso pode ser bem útil para que se lembrem de que devem aguentar qualquer coisa pelo preço da fama. Esses homens vivem exatamente disso, vivem da fama que depende do escurecimento das suas almas, mas o que importa é o que acontece depois. Veja o meu caso. Eu, por exemplo, só fiquei famoso depois. Agora, eu já não me importo com o que acontece, mas que se tomem medidas preventivas para ninguém tomar a minha fama. Afinal, fui o primeiro. Todos descem, eu subi, precisei só de uma ajudinha para subir àquele negócio. Desde então, muitos sangraram, mas não assim como eu. Não exijo nenhuma consequência aos agressores, prefiro ser a consequência da vítima, que incorporo com o meu próprio corpo. Minha única exigência é que isso não aconteça a mais ninguém, pois quero que a minha fama de vítima se mantenha intacta. Não tolero nenhuma concorrência. Que rosto é este que estou carregando aqui debaixo do braço, será o meu?, a cabeça de um leão?, talvez tenham me confundido com ele, com um leão-da-montanha. Observe bem, vale a pena! você acha que não é o meu? Teria muito mais valor em uma tela, se fosse da pessoa certa. Mas duas peças, impossível. Então aí está o meu, lá em cima na cruz, mas para você poder ver melhor, tenho outro exemplar aqui comigo, debaixo do braço. Sou um homem com duas faces, uma que mostro ao público, a outra nem eu conheço, é como um suporte para trepadeira, que não eleva as mulheres, mas as altera com frequência, talvez precisassem mais de mim como suporte para choradeira. Elas apontam para mim, são as minhas fãs fiéis. Depois de mim, ninguém mais será pregado na cruz de maneira tão figurativa e exemplar. Quero me beneficiar sozinho da minha fama. Cada um pode fazer como melhor seduz, eu gosto de ficar parado na cruz. Recebi muitas cartas e também escrevi nas redes, descrevi o meu sofrimento de um jeito que eu mesmo quase chorei. Outros também descreveram o seu sofrimento, mas não chegaram nem perto do meu. Em termos de sofrimento, sou o vencedor. Não, não o primeiro, infelizmente; mas sim o primeiro infeliz. Fui pendurado ali, fui pendurado aqui, fui pendurado lá e acolá, aqui não servia, ali também não, procuraram um lugar para mim no quadro fixo do ramo dos davidianos, todos mortos, aliás, não, no quadro-base, e acabaram me pendurando de novo no tronco, sem fim, por toda a eternidade, não conseguiram imaginar nada melhor para mim; acredito que esse recorde vai ficar para a eternidade, mas também será usado contra mim. Dizem que eu não pensei o bastante nos outros que também querem quebrar os seus recordes, que querem me passar, mas no final sempre há uma cruz com uma cobertura deliciosa. É, o sucesso é uma cruz, mas o fracasso também. Tomara que alguém me ajude a carregar. Na parede. Aqui, eis-me aqui, meu Pai! Na cruz. Chorado pelas mulheres antes mesmo de me conhecerem. Estou quase lá! O que aconteceu comigo eu certamente chamaria de agressão física. Ninguém vai discordar disso. Se isso não foi agressão, então eu não sei o que foi. Mas tudo bem: fui eu quem quis assim! Em troca, posso agora entrar na luta pela minha empresa para sempre e vencer para sempre, pelo menos por enquanto, pois sou eu quem decide quanto tempo é eternidade. Eu detenho o recorde mundial entre aqueles que nunca se mexem, mas que sobem mais alto.
Os outros que não praticam esporte algum, mas apenas descansam, já são muitos, muitos mais do que nós, mas ainda não deixo acabar a eternidade. Veremos quem tem o fôlego maior. Também não deixo que fiquem me apalpando, mesmo que tentem e pratiquem a toda hora. Ficam beijando os meus pés, até aí tudo bem. Mais que isso eu não permito, mesmo que eles continuem tentando subir pelo meu corpo, até que eu diga stop! Afinal, a violência sexualizada é uma prática comum, é preciso acabar com ela e chamar alguém para a monitorar, mas que não vai ter nada a dizer. Isso não quer dizer nada. É, é verdade. Houve mais casos de assédio, já nem consigo contar, pois já contaram de todos eles há muito tempo. Sempre estive numa espécie de quarto contíguo, sabia quem eu era e que era indestrutível, meu pai não tolera atos de violência contra mim, mesmo que eu os deseje de maneira explícita. Só aumentam minha fama póstuma. O pior não aconteceu. Pode acontecer o pior, tudo já aconteceu. O pior será adiado. Eles querem preservar a aura pura e limpa da minha religião, mas não é bem assim. Na minha igreja os homens se sentam na parte de cima. A mulher, por não ser um homem, é vista como um de segunda categoria. Aqueles que podem as roubam e levam para o topo das montanhas, removendo elas da vida pública. Em geral, o que me interessa é a violência. Minha igreja tem um tabu em relação a isso, que ela pode levantar ou suspender a qualquer momento, assim como eu posso fazer com os meus panos. É importante tomar medidas preventivas agora e dar às vítimas em potencial um ambiente onde possam conversar com especialistas e expor o seu sofrimento. Meus encarregados já sabem tudo o que dá para fazer com isso. A imagem da mulher na minha religião não mudou muito, continua pequena. O amado corpo da minha mãe não realizou nada maior. Pode levar e trazer um novo, disse a galinha para o ovo. Disse a caixa para o lenço, o cheiro é forte e nem eu o venço. Vai limpar logo esse corpo, disse o chiqueiro para o porco.
[…]
Algumas obras
Os títulos em português, indicados entre colchetes, são traduções de autoria própria, de caráter provisório e informativo ao público lusófono, em especial brasileiro. Não se trata, portanto, de propostas para publicação. As obras que, porventura, tenham tradução publicada no Brasil, estarão destacadas em negrito nesta seção, também com o título oficial publicado em Português, e podem ser conferidas na seção RECEPÇÃO NO BRASIL, na subseção referente às traduções.
Peças
- O que aconteceu após Nora deixar a casa de bonecas ou pilares da sociedade (Was geschah, nachdem Nora ihren Mann verlassen hatte; oder Stützen der Gesellschaften). 1977
Peça inicial de Jelinek, propõe-se a ser uma continuação com bastante liberdade das clássicas Uma casa de bonecas e Os pilares da sociedade, de Henrik Ibsen, partindo justamente do final dos acontecimentos da primeira, quando a protagonista deixa marido e filhos para viver a vida de uma outra maneira, como melhor entendia. A Nora de Jelinek acaba indo trabalhar na indústria têxtil, onde suas ideias feministas são mal vistas pelas colegas, e ela logo se vê desiludida ao deparar com as dificuldades e entraves proporcionados pela sociedade capitalista, ainda muito orientada pelos ditames masculinos.
Com esta peça, Jelinek examina criticamente, por assim dizer, o feminismo contemporâneo (ou seja, da década de 1970), que, como a autora já declarou certa vez, ignorava o contexto econômico como fator crucial na emancipação da mulher.
- Clara S. Musikalische Tragödie [Clara S: trágedia musical]. 1981
- Burgtheater. Posse mit Gesang [Burgtheater: farsa com canto]. 1985
- Doença ou mulheres modernas (Krankheit oder Moderne Frauen. Wie ein Stück. 1987
Em parte, exercício sobre a condição da mulher e da estereotipização do feminino na sociedade moderna, em outra parte, paródia teatral do gótico vampiresco, Doença ou mulheres modernas apresenta como personagens principais a enfermeira e escritora Emily (inspirada na escritora inglesa Emily Brontë) e a dona de casa Carmilla (inspirada, por sua vez, na vampira de Sheridan Le Fanu).
Emily é vampira e, após Carmilla quase morrer no parto, na tentativa de reavivar a sua paciente, decide a transformar em uma vampira também. As duas então acabam se envolvendo amorosa e sexualmente.A comparação entre a condição da mulher e a de um vampiro, uma espécie de morto-vivo que se encontra num entrelugar, entre o ser e o não ser, entre o existir e o não existir, torna-se patente. Em última instância, para a Jelinek de Doença ou mulheres modernas, a mulher, por tudo que vive e representa na sociedade, não é viva da mesma maneira que o homem.
- Präsident Abendwind. Ein Dramolett, sehr frei nach Johann Nestroy [Presidente Vento da Noite: um dramolette, vagamente baseado em Johann Nestroy]. 1987
- País.nas.nuvens (Wolken.Heim.). 1988
- Totenauberg. 1991
- Raststätte oder Sie machens alle. Eine Komödie [Parada rodoviária, ou Assim fazem todos]. 1994
- Stecken, Stab und Stangl. Eine Handarbeit [Vara, bastão e estaca: um trabalho manual]. 1996
- Ein Sportstück [Peça esporte]. 1998
Aqui, o esporte — e, mais importante, o esporte enquanto fenômeno de massa e única forma bélica aceitável e incentivada — é o leitmotiv. E, mais abrangentemente, esta peça é um comentário acerca da busca incessante pela beleza e pela cultura do corpo perfeito. O compatriota de Jelinek, o ator Arnold Schwarznegger, é emulado pela personagem Andi, um jovem fisiculturista morto-vivo, que se entope de anabolizantes para chegar ao resultado desejado. Além disso, Jelinek se coloca nesta peça como uma das personagens, no papel de uma Nestbeschmutzerin (literalmente, “alguém que suja o ninho”, ou seja, alguém que, por aquilo que diz ou faz, é visto como alguém que se volta contra a própria pátria), alcunha pela qual a autora já foi denominada algumas vezes pelos seus críticos e opositores.
- er nicht als er (zu, mit Robert Walser) [Ele não como ele (para, com Robert Walser)]. 1998
- MACHT NICHTS. Eine kleine Trilogie des Todes [NÃO IMPORTA: uma pequena trilogia da morte]. 1999
- Das Lebewohl (Les Adieux) [O adeus (Les Adieux)]. 2000
- In den Alpen [Nos Alpes]. 2002
- Das Werk [A obra]. 2003
- Prinzessinnendramen. Der Tod und das Mädchen I–V. [Dramas de princesas: a morte e a donzela I-V]. 2003
As princesas mencionadas no título desta peça são seis figuras muito bem conhecidas dos contos de fadas, da música, da literatura, da mídia e/ou da História, cujas mortes são (senão até mais) tão conhecidas quanto elas: Branca de Neve, a Bela Adormecida, Rosamunde, Jackie Onassis, Ingeborg Bachmann e Sylvia Plath.
Jelinek ironiza a existência dessas mulheres, mas não se volta contra elas. Em vez disso, antagoniza as próprias narrativas urdidas sobre e em torno delas, porque aparentemente elas só começam a existir através do olhar masculino. E, como seria de se imaginar, nenhuma das personagens tem um fim digno das narrativas feéricas, pois, no fim, todas sucumbem à morte.
- Bambiland [Bambilândia]. 2003
Em Bambiland acompanhamos o relatório de um mensageiro em relação à cobertura midiática da Guerra do Iraque, resposta direta aos ataques de 11 de setembro, liderada pelos Estados Unidos de George W. Bush, que se estenderia ao longo de quase uma década.
Escrita no calor do momento, Jelinek se debruça não somente sobre as decorrências reais da guerra, mas também sobre o papel da mídia e do jornalismo nesse contexto, assim como sobre a consciência e visão ocidentais referentes ao conflito, nas quais a cobertura televisiva teve um papel fundamental, formando a opinião das massas, para o bem ou para o mal.
- Babel. (2005)
- Ulrike Maria Stuart. 2006
Tendo como ponto de partida Maria Stuart, de Schiller, Jelinek apresenta a disputa entre Ulrike Meinhof, ex-jornalista de esquerda, e Gudrun Ensslin, estudante de literatura, pela liderança da Rote Armee Fraktion (RAF), grupo de luta armada de extrema esquerda fundado na Alemanha Ocidental na década de 1970, ao mesmo tempo que as compara com as também rivais anteriores Maria Stuart e Elisabeth I, respectivamente.
- Über Tiere [Sobre animais]. 2006
- Rechnitz (o anjo exterminador) (Rechnitz (Der Würgeengel)). 2008
- Abraumhalde [Depósito de rejeitos]. 2009
- Die Kontrakte des Kaufmanns. Eine Wirtschaftskomödie [Os contratos do comerciante: uma comédia econômica]. 2009
- Das Werk/Im Bus/Ein Sturz [A obra/No ônibus/Uma queda]. 2010
- Winterreise [Viagem de inverno]. 2011
Tida como um dos trabalhos mais pessoais de Jelinek, Winterreise combina aspectos autobiográficos (a difícil relação da escritora com a mãe, a demência do pai, entre outros pontos) com eventos sociais. A autora segue os passos do andarilho protagonista do ciclo homônimo de 24 Lieder (canções) do compositor austríaco Franz Schubert.
- Sem luz (Kein Licht). 2011
- Faust(a)(não tá): drama secundário ao “Fausto zero” (FaustIn and out. Sekundärdrama zu “Urfaust”). 2011
- Die Straße. Die Stadt. Der Überfall. [A rua. A cidade. O assalto.]. 2012
- Schatten (Eurydike sagt) [Sombra (Eurídice diz)]. 2013
Jelinek dá voz a uma personagem mitológica, a ninfa do mito grego de Orfeu e Eurídice, para que ela possa contar a sua versão da história, ou melhor, dizer, sem que, com isso, consiga sair da sombra, pois sua fala, diferentemente da fala dos homens, não interfere na realidade, e ela se mostra consciente desta sua limitação infeliz.
Sim, sob o ponto de vista mitológico, esta seria uma história trágica de amor, mas, filtrado pelo revisionismo jelinekiano, transforma-se em uma oportunidade para satirizar as relações de poder na sociedade moderna no que se refere a papéis de gênero.
- Aber sicher! [Mas com certeza]. 2013
- Rein Gold. Ein Bühnenessay. Rowohlt, Reinbek [Puro ouro: um ensaio para o palco]. 2013
- As implicantes (Die Schutzbefohlenen). 2014
- Das schweigende Mädchen [A menina silenciosa]. 2014
- Wut [Raiva]. 2016
- No caminho do rei (Am Königsweg). 2017
Mais atual do que nunca, tendo em vista o resultado das eleições estadunidenses para presidente de 2024, embora o nome do presidente populista não seja proferido uma única vez, No caminho do rei é uma resposta inflamada à vitória de Donald Trump nas eleições de 2016 dos Estados Unidos.
Os dramas realengos de Shakespeare são evocados como referência, enquanto o político republicano é posto como uma sombra desses reis despóticos. Todos são cegos aqui, inclusive o rei, que é visto por muitos como um salvador da nação, não podendo ser impedido de chegar ao poder mesmo pelos seus maiores opositores.
- Schnee Weiss [Branco de neve]. 2018
Para escrever Schnee Weiss, espécie de continuação de Ein Sportstück, Jelinek parte das revelações feitas pela esquiadora Nicola Werdenigg em 2017, na onda do movimento feminista #MeToo, sobre o abuso sexual praticado sistematicamente contra as mulheres no esporte durante a época em que ela ainda competia e do qual ela mesma foi vítima.
O esporte é comparado a uma religião, na qual os deuses são onipotentes e seguidos/idolatrados por muitos. Não à toa, Jesus Cristo aparece como uma das personagens de destaque. O branco da neve evocado no título está longe de representar a pureza, mas é, antes disso, um elemento contrastante com o sangue derramado, ao mesmo tempo que se trata de uma clara alusão ao esqui, esporte possivelmente tão popular na Áustria quanto o futebol é no Brasil.
- Schwarzwasser [Água negra]. 2020
Tendo eventos sócio-históricos recentes como ponto de partida, incluindo o caso de Ibiza que causou o colapso do governo austríaco em 2019, Jelinek se debruça sobre as consequências desastrosas do populismo de direita para a sociedade, que já há alguns anos vem se espalhando e ganhando mais e mais adeptos e defensores ao redor do mundo, tratado como um tipo de vírus que tudo infecta, com agravantes para os climas social e ambiental, e que cedo ou tarde culimna em desastres globais.
- Lärm. Blindes Sehen. Blinde Sehen! [Ruído. Visão cega. Os cegos veem!]. 2021
Nesta peça polifônica, cujo tema principal é a pandemia de covid-19 e os seus desdobramentos, com a exposição de várias vozes possíveis, incluindo, naturalmente, as negacionistas, o evento de superespalhamento do coronavírus na vila austríaca de Ischgl é comparado ao episódio em que Ulisses e os seus homens chegam à ilha de Circe, onde, com exceção do próprio Ulisses, todos são transformados em porcos.
Entram em jogo, ainda, outros temas de grande relevância, como o movimento Black Lives Matter, que teve um momento importante em 2020, no auge da pandemia, após a morte de George Floyd, assassinado de maneira desumana por um policial, nos Estados Unidos.
- Sonne / Luft. [Sol / Ar]. 2022
- Asche [Cinzas]. 2024
Romances
- Bukolit. Hörroman [Bukolit: um romance em áudio]. Viena: Rhombus Verlag, 1979
- wir sind lockvögel baby! [Nós somos iscas, baby!]. Reinbek: Rowohlt, 1970
- Michael. Ein Jugendbuch für die Infantilgesellschaft [Michael: um livro juvenil para a sociedade infantil]. Reinbek: Rowohlt, 1972
- Die Liebhaberinnen [As amantes]. Reinbek: Rowohlt, 1975
- Die Ausgesperrten [Os excluídos]. Reinbek: Rowohlt, 1980
- A pianista (Die Klavierspielerin). Reinbek: Rowohlt, 1983
- Oh Wildnis, oh Schutz vor ihr [Ó deserto, ó resguardo dela]. Reinbek: Rowohlt, 1985
- Desejo (Lust). Reinbek: Rowohlt, 1989
- Die Kinder der Toten [Os filhos dos mortos]. Reinbek: Rowohlt, 1995
- Gier. Ein Unterhaltungsroman [Cobiça: um romance de entretenimento]. Reinbek: Rowohlt, 2000
- Neid [Inveja]. 2007/2008
Texto autobiográfico
- Angabe der Person [Dados pessoais]. Reinbek: Rowohlt, 2022
Poesia
- Lisas Schatten [A sombra de Lisa]. Munique: Relief. 1967
Ende: Gedichte von 1966–1968 [Fim: poemas de 1966-1968]. Schwiftinger Galerie-Verlag. 1980
Recepção no Brasil
Textos traduzidos
- JELINEK, Elfriede. Eu quero ser superficial (Ich möchte seicht sein) e Sentido, sem importância. Corpo, inútil (Sinn egal. Körper zwecklos). Tradução de: Adriano Távora. In: KESTLER, Izabela (org.). forum deutsch: revista brasileira de estudos germânicos. Rio de Janeiro: [s. n.], 2007. v. XI. Disponível em: https://drive.google.com/file/d/18dypRFMTCRwp-oWhHWv0VxI13Dt_clVU/view?usp=sharing. Acesso em: 16 maio 2025.
- JELINEK, Elfriede. A pianista (Die Klavierspielerin). Tradução de Luis S. Krausz. São Paulo: Tordesilhas, 2011. 336 p.
- JELINEK, Elfriede. Desejo (Lust). Tradução de Marcelo Rondinelli. São Paulo: Tordesilhas, 2013. 240 p.
- JELINEK, Elfriede. No caminho do rei (Am Königsweg). Tradução de Alice do Vale. Goethe Institut: Theaterbibliothek, 2020. 91 p. Disponível em: https://www.goethe.de/resources/files/pdf228/am-koenigsweg_jelinek_-port_alice-do-vale.pdf. Acesso em: 16 maio 2025.
- JELINEK, Elfriede. O que aconteceu após Nora deixar a casa de bonecas ou pilares da sociedade (Was geschah, nachdem Nora ihren Mann verlassen hatte; oder Stützen der Gesellschaften). Tradução de A. Neri, G. J. Eberspächer, L. Abdala Jr. e R. Bohunovsky. 1. ed. São Paulo: Temporal Editora, 2023. 192 p.
- JELINEK, Elfriede. Escorrido (Ausgeronnen). Tradução de Helena Nazareno Maia. Curitiba, Centro Austríaco, 2023. Disponível em: https://centroaustriaco.com/2023/08/26/escorrido-2005/. Acesso em: 16 maio 2025.
- JELINEK, Elfriede. Elfriede Jelinek: do texto impotente ao teatro impossível. Organização, apresentação, tradução e notas de Artur Sartori Kon. Editora Perspectiva, São Paulo, 2025.
Montagens, encenações e leituras dramáticas
- Eu quero ser superficial (Ich möchte seicht sein). São Paulo: Kiwi Companhia de Teatro, 2005/2007.
- Peça esporte (Ein Sportstück). Tradução de Camilo Schaden. São Paulo: Cia de Teatro Acidental. Vídeo integral disponível em: https://vimeo.com/144316051. Acesso em: 16 maio 2025.
- O caso Meinhof. Tradução e dramaturgismo de Artur Sartori Kon. São Paulo: Teatro do Fim do Mundo, 2022.
- O que aconteceu após Nora deixar a casa de bonecas ou pilares das sociedades (Was geschah, nachdem Nora ihren Mann verlassen hatte; oder Stützen der Gesellschaften). Leituras dramáticas realizadas sob organização de Flávio Stein. São Paulo, Brasília e Curitiba: Instituto Goethe, 2023.
- O que aconteceu após Nora deixar a casa de bonecas ou pilares das sociedades (Was geschah, nachdem Nora ihren Mann verlassen hatte; oder Stützen der Gesellschaften). Tradução de Bohunovsky et al. Die Deutschspieler. Campinas: Unicamp, 2024. Programa disponível em: https://cel.unicamp.br/2024/05/21/teatro-alemao-o-que-aconteceu-apos-nora-deixar-a-casa-de-bonecas/. Acesso em: 16 maio 2025.
Trabalhos acadêmicos
- CASTRO, Jéssica Fraga de. A intertextualidade e a dramatização da história em Ulrike Maria Stuart, de Elfriede Jelinek. Orientador: Christoph Schamm. 2011. 62 p. TCC (Licenciatura em Letras) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/32863. Acesso em: 16 maio 2025.
- EBERSPÄCHER, Gisele Jordana. O gênero não marcado na tradução do alemão para o português: um projeto de tradução do texto teatral Die Schutzbefohlenen de Elfriede Jelinek. Orientadora: Ruth Bohunovsky. 2021. 49 p. TCC (Bacharelado em Letras) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2021.
- GLENK, Eva Maria Ferreira; CAMARGO, Sidney. Die Funktion der Sprichwörter im Text: eine linguistische Untersuchung anhand von Texten der Elfriede Jelinek. Orientador: Sidney Camargo. 1996. Tese de doutorado – Universidade de São Paulo, São Paulo, 1996.
- KLEINE, Tássia. Wir sehen fern, aber wir sind es nicht: superficialidade, política e intertextualidade na tradução do texto teatral Nach Nora, de Elfriede Jelinek. Orientador: Ruth Bohunovsky. 2023. 211 p. Tese (Doutorado em Letras) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2023. Disponível em: https://acervodigital.ufpr.br/xmlui/bitstream/handle/1884/87909/R%20-%20T%20-%20TASSIA%20KLEINE.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 16 maio 2025.
- MATHIAS, Dionei. Função e figuração de emoções na obra de Elfriede Jelinek. Orientador: Paulo Astor Soethe. Tese de doutorado – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2014.
- MORAES, Bianca Barreto de. O que aconteceu depois que Nora abandonou seu marido ou pilares das sociedades: patriarcado, capitalismo e a literatura de Elfriede Jelinek no Brasil. Orientador: Gerson Roberto Neumann. 2019. 52 p. TCC (Licenciatura em Letras) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2019. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/199997. Acesso em: 16 maio 2025.
Artigos
- BACHMANN, Cristiane; BOHUNOVSKY, Ruth. Elfriede Jelinek ”“ “Sombra (Eurídice diz)”. Belas Infiéis, Brasília, Brasil, v. 9, n. 2, p. 261–280, 2020. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/belasinfieis/article/view/27435. Acesso em: 16 maio 2025.
- BERTEN, Pascal. Elfriede Jelinek… deixem a obra falar. Cavalo Louco, Porto Alegre, n. 14, p. 26-31, 2014. Disponível em: <https://issuu.com/terreira.oinois/docs/cavalo_louco_14>. Acesso em: 20 maio 2022.
- BOHUNOVSKY, Ruth. “Em caso de dúvida, sempre cômico!”: o teatro de Elfriede Jelinek. Pandaemonium Germanicum, São Paulo, v. 23, n. 39, p. 128-157, 2020. DOI: 10.11606/1982-88372339128. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/pg/article/view/163252>. Acesso em: 11 maio 2022.
- BOHUNOVSKY, Ruth. Traduzir e publicar o teatro de Elfriede Jelinek: por que, o que e como?. Cadernos de Tradução, Florianopólis, v. 41, ed. 3, p. 201-220, 2021. DOI: 10.5007/2175-7968.2021.e83485. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/traducao/article/view/83485>. Acesso em: 11 maio 2022.
- DEGNER, Uta. Hölderlin vanguardista. Desejo de Elfriede Jelinek (1989). Pandaemonium Germanicum, São Paulo, v. 24, n. 44, p. 203-218, 2021. DOI: 10.11606/1982-88372444203. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/pg/article/view/187701>. Acesso em: 20 maio 2022.
- EBERSPÄCHER, Gisele Jordana. “Suplicantes”, de Elfriede Jelinek: a tradução do gênero em uma perspectiva feminista. Caligrama: Revista de Estudos Românicos, [S. l.], v. 29, n. 2, p. 45–57, 2024. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/caligrama/article/view/53952. Acesso em: 16 maio 2025.
- KON, Artur Santori. “Eu escrevo, caso alguém se interesse”: A mulher e a artista na peça “Sombra”, de Elfriede Jelinek. Urdimento – Revista de Estudos em Artes Cênicas, Florianópolis, v. 3, n. 33, p. 28-48, 2018. DOI: 10.5965/1414573103332018028. Disponível em: <https://www.revistas.udesc.br/index.php/urdimento/article/view/1414573103332018028>. Acesso em: 11 maio 2022.
- KRAUSZ, Luis Sérgio. A arte da infelicidade: A Pianista, de Elfriede Jelinek, entre tradição e mass-media. Pandaemonium Germanicum, São Paulo, n. 17, p. 87-102, 2011. DOI: 10.1590/S1982-88372011000100006. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/pg/article/view/38101>. Acesso em: 20 maio 2022.
- MAIA, Helena; BOHUNOVSKY, Ruth. zum Theater: Estética teatral e ensaísmo em Elfriede Jelinek à luz de duas peças. Pandaemonium Germanicum, São Paulo, Brasil, v. 28, p. 1–30, 2024. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/pg/article/view/230658. Acesso em: 16 maio 2025.
- MATHIAS, Dionei. Jelinek: resistência e desafio. Revista Estação Literária, Londrina, v. 12, p. 523-536, 2014. Disponível em: <http://www.uel.br/pos/letras/EL/index.php?option=com_content&task=view&id=59&Itemid=98>. Acesso em: 20 maio 2022.
- MATHIAS, Dionei. Mulheres e famílias: Die Liebhaberinnen ou os esperpentos de Elfriede Jelinek. Caderno Espaço Feminino, Uberlândia, v. 27, n. 2, p. 133-146, 2014. Disponível em: <https://seer.ufu.br/index.php/neguem/article/view/28831/16387>. Acesso em: 20 maio 2022.
- MATHIAS, Dionei. Identidades Intransigentes em A Pianista de Elfriede Jelinek. Literatura e Autoritarismo: identidade, memória e representações culturais, Cascavel, n. 21, p. 32-45, 2013. Disponível em: <https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/9610/5743>. Acesso em: 20 maio 2022.
- MATHIAS, Dionei. A inveja e modalidades de interação. Caderno Seminal Digital, [s. l.], ano 22, v. 25, n. 25, p. 114-137, 2015. DOI 10.12957/cadsem.2016.18355. Disponível em: <https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/cadernoseminal/article/view/18355/18458>. Acesso em: 20 maio 2022.
- MATHIAS, Dionei. O crivo da cultura em Die Ausgesperrten. Literatura e Autoritarismo, v. 25, p. 17-31, 2015. Disponível em: <https://periodicos.ufsm.br/LA/article/download/19274/pdf>. Acesso em: 14 jun. 2022.
- MATHIAS, Dionei. Desconfiança e literatura na obra de Jelinek. Contexto, Vitória, n. 29, p. 154-177, 2016. DOI: 10.47456/contexto.v%25vi%25i.13320. Disponível em: <https://periodicos.ufes.br/contexto/article/view/13320>. Acesso em: 20 maio 2022.
- MATHIAS, Dionei. A compaixão, a despeito do desprezo. Revista de Letras Norte@mentos, Sinop, v. 10, n. 21, 2017.
- MATHIAS, Dionei. Ódio e poder. Literatura e Sociedade, [S. l.], v. 21, n. 23, p. 73-89, 2017. DOI: 10.11606/issn.2237-1184.v0i23p73-89. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/ls/article/view/134576>. Acesso em: 14 jun. 2022.
- MATHIAS, D. Sobre ódio e ação. EntreLetras, Araguaína, v. 8, n. 2, p. 453 – 468, 26 nov. 2017. Disponível em: <https://sistemas.uft.edu.br/periodicos/index.php/entreletras/article/view/4013>. Acesso em: 20 maio 2022.
- MONTEIRO, Bruno. Introdução ao “Drama Parasitário”. Mecanismos da Teatralidade em Die Kontrakte des Kaufmanns / Os Contratos do Comerciante de Elfriede Jelinek. Pandaemonium Germanicum, São Paulo, v. 19, n. 27, p. 1-26, 2016. DOI: 10.11606/1982-88371927126. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/pg/article/view/113851>. Acesso em: 20 maio 2022.
- WELS, Érica Schlude. Gêneros em guerra: crítica feminista em Die Liebhaberinnen, de Elfriede Jelinek. Contingentia, Porto Alegre, v. 8, n. 2, p. 93-107, 2020. Disponível em: <https://seer.ufrgs.br/index.php/contingentia/article/view/112463>. Acesso em: 20 maio 2022.
Ensaios
- MATHIAS, Dionei. O princípio da racionalidade na configuração literária do amor. FronteiraZ. Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados em Literatura e Crítica Literária, [S. l.], n. 16, p. 217–230, 2016. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/fronteiraz/article/view/24719. Acesso em: 16 maio 2025.
Apresentações em eventos acadêmicos
- KLEINE, Tássia. Bambiland, de Elfriede Jelinek: análise de um caso de tradução. I Simpósio de Tradução Teatral (STT): A tradução teatral em questão: a diversidade na teoria, nos métodos e na prática, 2021. Programação disponível em: <http://www.prppg.ufpr.br/site/ppgletras/wp-content/uploads/sites/65/2021/02/i-stt-prog-2021.pdf>. Acesso em: 20 maio 2022.
Fontes
Veja as notas completas no arquivo em pdf.
BOHUNOVSKY, Ruth. “Em caso de dúvida, sempre cômico!”: o teatro de Elfriede Jelinek. Pandaemonium Germanicum, São Paulo, v. 23, n. 39, p. 128-157, 2020. DOI:10.11606/1982-88372339128. Disponível em: <https://www.revistas.usp.br/pg/article/view/163252>. Acesso em: 11 maio 2022.
GOLLNER, Helmut. Elfriede Jelinek. In: GOLLNER, Helmut; ZEYRINGER, Klaus. Áustria: uma história literária: literatura, cultura e sociedade desde 1650. 1. ed. Curitiba: Editora UFPR, 2019. cap. 18, p. 819-825.
GONÇALVES BACHMANN, C. .; BOHUNOVSKY, R. Elfriede Jelinek ”“ “Sombra (Eurídice diz)”. Belas Infiéis, Brasília, Brasil, v. 9, n. 2, p. 261–280, 2020. DOI: 10.26512/belasinfieis.v9.n2.2020.27435. Disponível em: <https://www.periodicos.unb.br/index.php/belasinfieis/article/view/27435>. Acesso em: 20 maio 2022.
GRIEHSEL, Marika. Interview with Elfriede Jelinek, November 2004. The Nobel Prize, 2004. Disponível em: <https://www.nobelprize.org/prizes/literature/2004/jelinek/25227-interview-november-2004-german/>. Acesso em: 24 maio 2022.
JELINEK, Elfriede. Jelinek: facts. The Nobel Prize, 2004. Disponível em: <https://www.nobelprize.org/prizes/literature/2004/jelinek/facts/> Acesso em: 12 maio 2022.
JELINEK, Elfriede. Schreiben müssen. Die Presse, 2003. Disponível em: <https://www.elfriedejelinek.com/fbreicha.htm>. Acesso em: 24 maio 2022.
JELINEK, Elfriede. Fembio. Disponível em: <https://www.fembio.org/english/biography.php/woman/biography/elfriede-jelinek/>. Acesso em: 12 maio 2022.
JOHNSON, Dennis. Vatican denounces Nobel winner Jelinek for writing “not conductive to emancipation of woman. Melville House, 2004. Disponível em: <https://www.mhpbooks.com/dont-want-to-register-for-a-site-but-need-log-on-i-d-s-and-passwords-get-them-at-bugmenot-com-mobylives-towers-above-all-other-literary-weblogs-the-comp/>. Acesso em: 12 maio 2022.
KAINDLSTORFER, Günter. Mehr als Fluch als Segen. Deutschlandfunk, 2004. Disponível em: <https://www.deutschlandfunk.de/mehr-als-fluch-als-segen-100.html>. Acesso em: 24 maio. 2022.
TREICHEL, Inge. Die Unbequeme: Porträt Elfriede Jelinek. Der Spiegel, 2004. Disponível em: <https://www.spiegel.de/kultur/literatur/portraet-elfriede-jelinek-die-unbequeme-a-321957.html>. Acesso em: 12 maio. 2022.
