Verbete produzido por Mariana Alice de Souza Miranda

Doch war es nicht eigentlich die politische, auch nicht so sehr die soziale, sondern vorwiegend die psychologische Seite der Judenfrage, für die das Interesse in mir meiner ganzen Anlage nach zuerst erwachte (Jugend in Wien, 1968).

No entanto, não era o lado político, também não tanto o lado social, e sim muito mais o lado psicológico da questão judaica que despertava meu interesse e toda a atenção de meu ser (Juventude em Viena, 2012. Traduzido por Marcelo Backes).

Arthur Schnitzler (1862-1931) é considerado um dos mais importantes representantes da literatura vienense fin de sciècle. De descendência judaica, Schnitzler viveu durante a virada do século XIX para o XX, período em que Viena teve um intenso florescimento intelectual e artístico, tornando-se, assim como Paris, um grande centro cultural da Europa, mas também marcada por conflitos políticos e sociais que mudaram a sociedade da época, sobretudo com a Primeira Guerra Mundial e a queda do Império Austro-húngaro. 

Por um lado, a arte vienense vivia um momento de inovação estética, por outro lado, havia a ascensão do nacionalismo e do conservadorismo na política e na sociedade. Na música, Gustav Mahler e Arnold Schönberg expandiam as noções de harmonia e tonalidade, tornando-se protagonistas da transição da música romântica para a música moderna. Nas artes visuais, Gustav Klint liderava o movimento artístico chamado Secessão de Viena (Wiener Secession), que incluía pintores, escultores e arquitetos, os quais disseminaram o Jugendstil (ou Art Nouveau), um estilo que já se manifestava em outros locais da Europa e que ia contra o modelo academicista e tradicional de arte. Na ciência, Sigmund Freud formalizava a psicanálise ao introduzir o inconsciente na psicologia, mudando a maneira de pensar a mente humana. Na literatura, as obras de Karl Kraus, Stefan Zweig e Arthur Schnitzler, de modo geral, representavam as contradições e a decadência moral da sociedade burguesa vienense. Enquanto em outros países esses círculos eram dispersos, em Viena artistas e intelectuais frequentavam os mesmos cafés, o que tornava a elite cultural vienense mais coesa. 

Antes de se tornar um famoso escritor e viver apenas da literatura que produzia, Schnitzler havia seguido os passos do pai e do avô, médicos renomados de Viena. Formou-se em Medicina pela Universidade de Viena e trabalhou como psiquiatra durante alguns anos no Hospital Geral de Viena. Schnitzler, portanto, viveu no meio da alta burguesia vienense, o que influenciou a sua produção literária. Durante uma longa carreira como escritor, produzindo diferentes gêneros como romances, novelas, contos e peças de teatro, Schnitzler abordava principalmente temas como a sexualidade, as tensões e complexidades da psique humana e a hipocrisia moral da burguesia. Muitas vezes por meio do fluxo de consciência e do monólogo interior, recursos narrativos que seriam marcados por James Joyce e Virginia Wolf décadas depois, Schnitzler desvelava o que estava por trás da aparência das personagens, mostrando seus pensamentos, suas emoções e seus conflitos internos.

No Brasil, o autor é mais conhecido por suas novelas Leutnant Gustl (O Tenente Gustl), de 1900, considerada uma das primeiras obras integralmente escritas na forma do monólogo interior, característica que se tornou marcante na literatura modernista, Fräulein Else (Senhorita Else), de 1924, também em monólogo interior e centrada nas tensões emocionais de uma jovem de 19 anos, e Traumnovelle (Breve Romance de Sonho), de 1926, história construída através da ambiguidade do que é sonho e do que é realidade e que ganhou a famosa adaptação cinematográfica dirigida por Stanley Kubrick, intitulada De Olhos Bem Fechados (1999), estrelado por Tom Cruise e Nicole Kidman. Schnitzler também publicou romances, como Der Weg ins Freie (O caminho para a liberdade), e uma autobiografia Jugend in Wien (Juventude em Viena), publicada postumamente, em 1968, por seu filho, Heinrich Schnitzler, e Therese Nickl. 

Antes de ser um prosador de renome, Schnitzler já havia ganhado notoriedade como dramaturgo na cena literária de Viena. Em 1893, é publicada sua primeira peça de teatro, Anatol, dividida em sete cenas protagonizadas por um jovem burguês que se encontra com diferentes mulheres. A peça teve sua estreia apenas em 1910. Em 1894, Schnitzler escreve Lieberlei (Namorico), tendo sua estreia nos palcos no ano seguinte no Burgtheater, em Viena. Schnitzler produziu mais de 20 peças teatrais durante as duas décadas seguintes, sendo considerado, ao lado de Hugo von Hofmannsthal, um dos grandes dramaturgos da época. Ao explorar o cotidiano e a vida íntima da sociedade burguesa, o escritor vienense ficou conhecido como o “poeta do sexo”, o que lhe rendeu censuras e intervenções das autoridades. Em suas obras, os personagens vivem sob normas rígidas de comportamento, de acordo com sua classe social, mas escondem muitas de suas transgressões, como é visto em Der Reigen (A Ronda), provocativa para a época e considerada a mais famosa do dramaturgo.

Ainda que o drama seja o gênero de maior produção literária de Schnitzler, suas peças de teatro não ganharam destaque no Brasil. O acesso do leitor brasileiro à dramaturgia do autor ocorre por meio das edições portuguesas de Anatol, traduzida por Ludwig Scheidl e publicada pela editora Livraria Estante, e de A Ronda, traduzida por Manuel Resende e publicada pela editora Relógio D’Água. Nesse sentido, por haver uma lacuna no que se refere à tradução de suas obras teatrais, sobretudo no contexto brasileiro, apresentamos a tradução de trechos selecionados da peça Professor Bernhardi, uma das mais renomadas de Schnitzler no cenário austríaco. Publicada em 1912, teve sua estreia em Berlim, porque a censura imperial austro-húngaro havia proibido sua apresentação em Viena. Na Áustria, estreou apenas em 1918, no Theater in der Josefstadt, em Viena.

Os temas que permeiam a peça são o antissemitismo, a corrupção e o embate entre a ciência e a religião. O enredo se passa no ano de 1900 em Viena e é ambientado na clínica Elisabethinum, liderada pelo diretor Dr. Bernhardi, médico judeu que fundou a clínica junto com outros colegas médicos, judeus e não-judeus. De forma resumida, o enredo se desenvolve da seguinte maneira: uma paciente sofre um aborto e tem uma infecção generalizada, ficando claro aos médicos de que ela em breve morrerá. A enfermeira Ludmilla, então, chama um padre para fazer a extrema-unção, mas Bernhardi o proíbe de entrar no quarto da moribunda, pois ela está em um estado de euforia, de felicidade e pensa que será curada. Bernhardi quer que seus últimos momentos sejam de felicidade. Contudo, ao saber da presença do padre, a paciente fica angustiada e sente medo por conta da morte próxima. 

Enquanto o padre e Bernhardi discutem, a paciente morre. O caso vira um escândalo: a clínica perde os subsídios do conselho administrativo e é planejada uma conspiração entre Ebenwald, vice-diretor da clínica, Dr. Flint – antigo amigo de Bernhardi dos tempos de faculdade e que agora ocupa o cargo de Ministro da Educação – e outros médicos para que Bernhardi vá a julgamento por perturbação religiosa. Para que o julgamento não seja levado a cabo, persuadem Bernhardi para que escreva um pedido de desculpas, mas ele não aceita. Bernhardi sempre se mostra como um homem da ciência, além de íntegro e convicto de suas ações. 

Dr. Tugendvetter, chefe do Departamento de Dermatologia e que ocupará um cargo no governo, logo será substituído na clínica. A votação para a sua substituição é decidida pelo voto de Bernhardi, que nomeia Dr. Wenger, um médico judeu. Ebenwald, porém, tenta convencê-lo de que a melhor escolha seria Dr. Hell, um médico não-judeu que Bernhardi considera incompetente. Bernhardi argumenta que Ebenwald é contra Wenger somente por ele ser judeu. Após as trocas de acusações, a conspiração arquitetada contra Bernhardi é concretizada e ele vai a julgamento. Sua conduta contra o padre é distorcida por falsos testemunhos e, com isso, é condenado a dois meses de prisão. Após sua libertação, ele é visto pelos judeus como um mártir, como um caso Dreyfus da medicina. 

Ao desvelar os mecanismos de uma campanha de difamação contra um médico judeu, Arthur Schnitzler representa o antissemitismo como um fenômeno social, político e institucional na Viena fin de siècle ao mostrar as contradições de personagens judeus e não-judeus, evitando estereótipos simplistas e sem demarcar ou defender uma postura pessoal diante desse preconceito. Desde sua publicação, Professor Bernhardi continua a ser encenada regularmente em vários países, recebendo adaptações que recontextualizam a história com questões contemporâneas. Em 2019, o dramaturgo britânico Robert Icke, conhecido por atualizar obras clássicas, adaptou a peça de Schnitzler, expandindo os seus temas. Em The Doctor [A médica], a história se passa no tempo presente e a profissão médica já não é uma exclusividade masculina, a figura central é uma médica judia chamada Ruth Wolff, diretora de uma clínica privada especializada em Alzheimer. Ao proibir a entrada de um padre negro para a realização da extrema-unção em uma paciente à beira da morte, um vídeo da discussão entre os dois é gravado e viralizado na internet. A médica começa a receber gradualmente fortes reações de seus colegas de trabalho, do pai da jovem, de usuários das redes sociais e, por fim, de um grupo de ativistas. Assim, além de a encenação trabalhar com temas que já estavam presentes na obra de Schnitzler, ela atualiza questões que estão sendo amplamente discutidas na sociedade contemporânea, como a misoginia, o racismo e a perseguição e difamação no meio virtual. A versão de Robert Icke teve sua estreia no Almeida Theater, em Londres, e desde então tem sido encenada em alguns países, como Austrália, Estados Unidos, Holanda, Áustria, Alemanha e Suíça. Em 2023, junto com mais outras quatro peças clássicas adaptadas por Robert Icke, The Doctor foi publicada pela editora Methuen Drama.

TRECHOS TRADUZIDOS

Er [Bernhardi] steht auf und will sich in den Krankensaal begeben Professor Ebenwald kommt, sehr großer; schlanker Mensch, gegen 40, umgehängter Überzieher, kleiner Vollbart, Brille, redet bieder und mit einem zuweilen etwas übertriebenen österreichischen Akzent.
Hochroitzpointner, Schwester, Oskar, Prof. Bernhardi, Kurt.

EBENWALD. Guten Morgen. Ist vielleicht – Ah, da sind Sie ja, Herr Direktor.
BERNHARDI. Guten Tag, Herr Kollege.
EBENWALD. Haben Herr Direktor eine Minute Zeit für mich?
BERNHARDI. Jetzt?
EBENWALD näher zu ihm. Wenn es möglich wäre. Es ist nämlich wegen der Neubesetzung der Abteilung Tugendvetter.
BERNHARDI. Eilt das gar so? Wenn Herr Kollege mich vielleicht in einer halben Stunde in der Kanzlei –
EBENWALD. Ja, wenn ich da nicht grad meinen Kurs hätte, Herr Direktor.
BERNHARDI nach kurzer Überlegung. Ich bin drin bald fertig. Wenn Sie sich vielleicht hier gedulden wollen, Herr Kollege.
EBENWALD. Bitte, bitte.
BERNHARDI zu Oskar. Hast du dem Doktor Hochroitzpointner das Sektionsprotokoll schon gegeben?
OSKAR. Ja, richtig Nimmt es aus seiner Tasche. Sie sind vielleicht so gut, Herr Kollege, und tragen es gleich ein.
HOCHROITZPOINTNER. Bitte.

Bernhardi, Oskar, Kurt, Schwester in den Krankensaal. Ebenwald, Hochroitzpointner.

HOCHROITZPOINTNER setzt sich und macht sich bereit zu schreiben.
EBENWALD ist zum Fenster gegangen, schaut hinunter, wischt sich die Brille.
HOCHROITZPOINTNER beflissen. Wollen Herr Professor nicht Platz nehmen.
EBENWALD. Lassen Sie sich nicht stören, Hochroitzpointner, Na, wie geht’s denn immer?
HOCHROITZPOINTNER sich erhebend. Danke bestens, Herr Professor. Wie’s halt geht, ein paar Wochen vor dem letzten Rigorosum.
EBENWALD. Na, es wird Ihnen schon nix g’schehn – bei Ihrem Fleiß.

HOCHROITZPOINTNER. Ja, praktisch fühle ich mich leidlich sicher, aber die graue Theorie, Herr Professor.
EBENWALD. Ah so. Na, war auch nie meine starke Seite. Näher zu ihm. Wenn es Sie beruhigt, bin seinerzeit aus der Physiologie sogar
durchgesaust. Sie sehen, es schad’t der Karriere nicht besonders.
HOCHROITZPOINTNER der sich niedergesetzt hat, lacht erfreut.
EBENWALD Hochroitzpointner über die Schulter schauend. Sektionsprotokoll?
HOCHROITZPOINTNER. Jawohl, Herr Professor.
EBENWALD. Große Freude in Israel – wie?
HOCHROITZPOINTNER unsicher. Wie meinen, Herr Professor?
EBENWALD. Na, weil die Abteilung Bernhardi triumphiert hat.
HOCHROITZPOINTNER. Ah, Herr Professor meinen, daß der Tumor abgegrenzt war.
EBENWALD. Und ist ja tatsächlich von der Niere ausgegangen.
HOCHROITZPOINTNER. Aber mit absoluter Sicherheit war das doch eigentlich nicht zu konstatieren, Es war doch mehr, wenn ich so sagen darf, ein Raten.
EBENWALD. Aber Hochroitzpointner, raten –! Wie können Sie nur –! Intuition heißt man das! Diagnostischen Scharfblick!
HOCHROITZPOINTNER. Und zu operieren wär’s doch keinesfalls mehr gewesen.
EBENWALD. Ausgeschlossen. Das können sich die drüben im Krankenhaus erlauben, solche Experimente, aber wir, in einem verhältnismäßig jungen, sozusagen privaten Institut – Wissen S’, lieber Kollega, es gibt so Fälle, wo immer nur die Internisten fürs Operieren sind. Dafür operieren wir ihnen dann immer zuviel. – Aber schreiben S’ nur weiter.
HOCHROITZPOINTNER beginnt zu schreiben.
EBENWALD. Ja richtig, entschuldigen Sie, daß ich Sie noch einmal störe. Sie hospitieren doch natürlich auch auf der Abteilung Tugendvetter?
HOCHROITZPOINTNER. Jawohl, Herr Professor.
EBENWALD. Ich möcht Sie nämlich im Vertrauen fragen. Wie tragt denn eigentlich der Doktor Wenger vor?
HOCHROITZPOINTNER. Der Doktor Wenger?
EBENWALD. Na ja, er suppliert doch den Alten öfters, wenn der grad dringend auf die Jagd fahren muß oder zu einem ang’steckten Fürsten geholt wird.
HOCHROITZPOINTNER. Ja freilich, da tragt dann der Doktor Wenger vor.
EBENWALD. Also, wie tragt er denn vor?
HOCHROITZPOINTNER unsicher. Eigentlich ganz gut.
EBENWALD. So.
HOCHROITZPOINTNER. Vielleicht etwas zu – zu gelehrt. Aber recht lebendig. Freilich – aber, ich darf mir vielleicht nicht erlauben, über einen
künftigen Chef –
EBENWALD. Wieso künftiger Chef? Das ist noch gar nicht entschieden. Sind auch andere da. Und im übrigen, das ist doch ein Privatgespräch. Wir
könnten grad so gut im Riedhof drüben miteinander sitzen und plaudern. Na, reden Sie nur. Was haben Sie gegen den Doktor Wenger? Volkes
Stimme, Gottes Stimme.
HOCHROITZPOINTNER. Also, gegen seinen Vortrag hab ich eigentlich weniger, aber so seine ganze Art. Wissen, Herr Professor, so ein bißchen
präponderant ist er halt in seinem Wesen.
EBENWALD. Aha. Das, worauf Sie da anspielen, ist wahrscheinlich identisch mit dem, lieber Kollege, was mein Vetter neulich im Parlament so
zutreffend den Jargon der Seele genannt hat.
HOCHROITZPOINTNER. Ah, sehr gut. Jargon der Seele. Couragiert. Den andern hat er aber auch, der Doktor Wenger.
EBENWALD. Das möcht nix machen. Wir leben schon einmal in einem Reich der Dialekte.

Ele [Bernhardi] se levanta e se prepara para ir à enfermaria. Entra Professor Ebenwald, um homem alto e magro, por volta dos 40 anos, vestindo um sobretudo por cima dos ombros, barba cerrada, óculos, fala como um pequeno-burguês e, de vez em quando, com um exagerado sotaque austríaco. Hochroitzpointner, a enfermeira, Oscar, Prof. Bernhardi, Kurt.

EBENWALD. Bom dia. Alguém viu o…ah, Bernhardi, aí está o senhor.

BERNHARDI. Bom dia, caro colega.

EBENWALD. O senhor teria um minutinho para mim?

BERNHARDI. Agora?

EBENWALD (se aproxima dele). Se possível. É sobre a substituição no departamento de Tugendvetter.

BERNHARDI. Isso é tão urgente assim? Talvez se o senhor fosse ao meu gabinete daqui a meia hora…

EBENWALD. Eu até poderia, mas preciso dar aula agora.

BERNHARDI (após uma breve reflexão). Logo termino. Se tiver um pouco de paciência, caro colega.

EBENWALD. Claro, claro.

BERNHARDI. (para Oscar). Já entregou o relatório da autópsia ao Hochroitzpointner? 

OSCAR. Já. (tira-o do bolso). Será que poderia preenchê-lo imediatamente, caro colega?

HOCHROITZPOINTNER. Claro.

Bernhardi, Oscar, Kurt e a enfermeira vão para a enfermaria. Entram Ebenwald e Hochroitzpointner. Hochroitzpointner se senta e se prepara para escrever. Ebenwald vai até a janela, olha para baixo, limpa os óculos.

HOCHROITZPOINTNER (solícito). Não quer se sentar, Professor? 

EBENWALD. Não quero incomodar, Hochroitzpointner. A propósito, como andam as coisas?

HOCHROITZPOINTNER (se levanta). Bem, muito obrigado, Prof. Ebenwald. Sabe como são as coisas nas semanas antes das provas finais.

EBENWALD.  Ah, tenho certeza que vai dar tudo certo. Você é dedicado.

HOCHROITZPOINTNER. Na parte prática até vou bem, mas a teoria é um tédio, Professor.

EBENWALD. Ah, sim, Esse também nunca foi o meu lado forte. (se aproxima). Se isso te faz sentir melhor, eu mesmo não passei em Fisiologia. Como você pode ver, isso não prejudicou tanto a minha carreira.

Hochroitzpointner se senta e sorri.

EBENWALD olhando por cima do ombro de Hochroitzpointner. É o relatório da autópsia?

HOCHROITZPOINTNER. É, Professor.

EBENWALD. Israel deve estar em festa, não é mesmo?

HOCHROITZPOINTNER inseguro. O que o senhor quer dizer com isso?

EBENWALD. Ora, o departamento de Bernhardi e o seu pequeno triunfo.

HOCHROITZPOINTNER. Ah, o senhor está falando sobre o tumor que conseguiram localizar.

EBENWALD. Que, na realidade, começou no rim.

HOCHROITZPOINTNER. Ah, mas isso não foi constatado com absoluta certeza. Se me permite dizer, isso foi, na verdade, um palpite.

EBENWALD. Ah, meu caro Hochroitzpointner, palpite! Como você pode dizer uma coisa dessas? Isso se chama intuição! Perspicácia no diagnóstico!

HOCHROITZPOINTNER. E com certeza não seria possível retirá-lo.

EBENWALD. Sem dúvidas. Talvez o pessoal do hospital tenha coragem de fazer experimentos desse tipo, mas nós, uma instituição relativamente nova e, como se diz, privada… Sabe, meu caro, há casos que somente os residentes são a favor de operar, em outros casos somos nós que operamos demais… Mas continue escrevendo.

HOCHROITZPOINTNER (começa a escrever).

EBENWALD. Desculpe-me interrompê-lo mais uma vez, você participa das aulas no departamento de Tugendvetter, certo?

HOCHROITZPOINTNER. Participo, Professor.

EBENWALD. Posso fazer uma pergunta em particular? Como é o desempenho do Dr. Wenger?

HOCHROITZPOINTNER. Dr. Wenger?

EBENWALD. É…ele costuma substituir o diretor Bernhardi quando o príncipe o convida para caçar ou para examiná-lo quando está doente.

HOCHROITZPOINTNER. É, é isso mesmo, é o Dr. Wenger quem ministra as aulas.

EBENWALD. E, então, como é a aula dele?

HOCHROITZPOINTNER (inseguro). Ele até que é bom.

EBENWALD. Sei.

HOCHROITZPOINTNER. Talvez ele seja… erudito demais. Mas muito animado, sem dúvida. Eu não deveria estar falando de um futuro Chefe de departamento… 

EBENWALD. Como assim futuro Chefe? Isso ainda não foi decidido de jeito nenhum. Há outros candidatos. E, a propósito, isso é uma conversa particular. Podemos sentar e conversar sobre isso em outro lugar. Vamos, fale logo. O que você tem contra o Dr. Wenger? A voz do povo é a voz de Deus.

HOCHROITZPOINTNER. Bem, o problema não é tanto a aula dele, mas o jeito. Sabe, Professor, ele é, no fundo, um pouco arrogante. 

EBENWALD. Ah, sim. Você deve estar se referindo ao que o meu primo recentemente chamou de “ter alma de judeu” no Parlamento.

HOCHROITZPOINTNER. Ah, gostei disso. Alma de judeu (encorajado). Não é só isso. Às vezes ele é… insuportável.

EBENWALD. Em relação a isso não há o que fazer, ele é assim mesmo.

Löwenstein kommt. Gegen vierzig, mittelgroß, etwas hastig, kleine Augen, die er manchmal weit aufreißt. Brille. Er bleibt gern mit abfallender linker Schulter und leicht gebogenen Knien seinem Gesprächspartner gegenüber stehen und fährt sich manchmal durch die Haare. Filitz, Oskar.

LÖWENSTEIN. Guten Tag. Oh, Professor Filitz. Sie wollen schon gehen? Bleiben Sie noch einen Moment. Die Sache wird Sie interessieren. Da,
Oskar, lesen Sie. Er gibt ihm einen Brief. Entschuldigen Sie, Herr Professor Filitz, er muß ihn früher lesen als Mitglied des Ballkomitees. Die Fürstin Stixenstein hat das Protektorat über den Ball niedergelegt.

OSKAR hat den Brief rasch durchflogen, reicht ihn dem Professor Filitz.
Ohne jede Angabe von Gründen?
LÖWENSTEIN. Das hielt sie nicht für nötig.
FILITZ. Besonders, wenn die Gründe für jedermann so klar auf der Hand liegen.
OSKAR. Ist denn – diese Geschichte schon so publik geworden? Innerhalb von acht Tagen?
LÖWENSTEIN. Lieber Oskar, daran hab ich keinen Augenblick gezweifelt. Wie man mir die Szene rapportiert hat, sagte ich sofort: das ist ein Fressen für gewisse Leute, das wird aufgebauscht werden.
FILITZ. Entschuldigen Sie, Heber Doktor Löwenstein, hier ist nichts aufgebauscht worden, hier brauchte auch nichts aufgebauscht zu werden,
der ganze Vorfall in seiner schlichten und faktiösen Deutlichkeit – Aber ich ziehe es vor, meine Ansicht hier über meinem Freunde Bernhardi persönlich vorzutragen.
OSKAR. Ich brauche wohl nicht erst zu bemerken, Herr Professor, daß ich in dieser ganzen Angelegenheit durchaus auf der Seite meines Vaters stehe.
FILITZ. Natürlich, natürlich, das ist nur Ihre Pflicht.
OSKAR. Es ist auch meine Überzeugung, Herr Professor.
LÖWENSTEIN. Ebenso wie die meine, Herr Professor. Und ich erkläre ausdrücklich, daß nur böser Wille versuchen kann, aus einem vollständig
unschuldigen Vorfall so irgend etwas wie eine Affäre zu machen. Und um ganz deutlich zu sein, daß kein Mensch den Versuch machen würde, wenn Bernhardi nicht zufällig ein Jude wäre.
FILITZ. Also, da seid ihr ja glücklich wieder bei eurer fixen Idee. Bin ich etwa auch ein Antisemit? Ich, der ich immer mindestens einen jüdischen
Assistenten habe? Gegenüber anständigen Juden gibt es keinen Antisemitismus.
LÖWENSTEIN. So, so, ich behaupte gerade –
FILITZ. Wenn ein Christ sich so benommen hätte wie Bernhardi, wäre gleichfalls eine Affäre daraus geworden. Das wissen Sie sehr gut, lieber
Löwenstein.
LÖWENSTEIN. Gut. Möglich. Aber dann wären hinter diesem Christen Tausende oder Hunderttausende gestanden, die sich jetzt nicht rühren oder sich sogar gegen ihn stellen werden.
FILITZ. Wer?
LÖWENSTEIN. Die Deutschnationalen und natürlich die Juden, – eine gewisse Sorte mein ich, die keine Gelegenheit vorübergehen läßt, sich in
den Schutz der herrschenden Mächte zu begeben.
FILITZ. Sie verzeihen, lieber Löwenstein, das grenzt an Verfolgungswahn. Und ich möchte es hier einmal aussprechen, daß gerade Leute wie Sie, lieber Löwenstein, in ihrer lächerlichen Antisemitenriecherei die Hauptschuld an der bedauerlichen Verschärfung der Gegensätze tragen. Und es stünde hundertmal besser –


Bernhardi tritt ein. Filitz, Löwenstein, Oskar.
BERNHARDI in offenbar guter Stimmung, mit seinem leicht ironischen Lächeln, begrüßend und handreichend. Oh, meine Herren. Was gibt es
denn? Sind wir abgebrannt? Oder hat uns jemand eine Million geschenkt?
OSKAR ihm den Brief reichend. Die Fürstin hat das Protektorat über unsern Ball niedergelegt.
BERNHARDI den Brief durchfliegend. Na, so wird man sich eben eine andere Patronesse suchen. Zu Oskar scherzend. Oder legst du vielleicht
auch deine Präsidentschaft nieder, mein Sohn?
OSKAR etwas beleidigt. Papa. –

LÖWENSTEIN. Lieber Bernhardi, dein Sohn hat eben feierlich erklärt, daß er vollkommen auf deiner Seite stehe.
BERNHARDI Oskar zärtlich über das Haar streichend. Na, selbstverständlich. Du nimmst es mir hoffentlich nicht übel, Oskar. Und du,
Löwenstein, da brauch ich wohl nicht erst zu fragen. Aber was ist denn mit dir, Filitz? Du machst ja wirklich ein Gesicht, als wenn wir abgebrannt wären.
OSKAR. Ich werde mich jetzt empfehlen. Lächelnd. Um sechs haben wir nämlich eine Sitzung des Ballkomitees. Guten Tag, Herr Professor, guten Tag, Herr Dozent. Beide reichen ihm die Hand. Ja, richtig, Papa, Herr
Doktor Feuermann war hier. Er hätte dir geschrieben.
BERNHARDI. Ach ja.
FILITZ. Wegen dieses Feuerstein macht euch keine Sorgen. Wenn es irgend möglich ist, reiß ich ihn heraus, Mit triumphierendem Blick auf Löwenstein. trotzdem er Jude ist.
OSKAR. Ich glaube wirklich, Herr Professor, daß Sie da keinem Unwürdigen –
FILITZ. Gewiß, gewiß. Guten Tag, lieber Kollega.
OSKAR ab.

Löwenstein entra. Tem quase 40 anos, estatura mediana, um pouco apressado, olhos pequenos que às vezes arregala. Está de óculos. Gosta de ficar de frente com quem fala, com o ombro esquerdo levemente caído e os joelhos um pouco dobrados e, de vez em quando, passa a mão nos cabelos. Dr. Filitz, Oscar.

LÖWENSTEIN. Bom dia. Oh, Professor Filitz. O senhor já vai? Fique mais um pouco. O assunto vai lhe interessar. Vamos lá, Oscar, leia. (entrega uma carta a Oscar). Desculpe-me, Prof.Filitz, ele deve ler primeiro, como membro do comitê do baile. A Princesa Stixenstein renunciou em ser a patronesse do baile.

OSCAR. (passa os olhos pela carta e a entrega ao Professor Filitz). Sem dar nenhuma justificativa? 

LÖWENSTEIN. Ela não achou necessário.

FILITZ. Principalmente quando o motivo é tão óbvio para todos.

OSCAR. Essa história já se tornou pública então? Em oito dias?

LÖWENSTEIN. Caro Oscar, nem por um momento eu tive dúvidas que isso aconteceria. Eu logo disse quando me contaram o que tinha acontecido: isso é um prato cheio para certas pessoas, vai virar um escândalo.

FILITZ. Com todo respeito, Dr. Löwenstein, aqui nada virou um escândalo e não há necessidade de virar, esse incidente, com toda a sua clareza factual… mas eu prefiro falar a minha opinião pessoalmente para o meu amigo Bernhardi.

OSCAR. Eu nem preciso mencionar, Professor, que, nessa situação, eu estou totalmente ao lado do meu pai.

FILITZ. Claro, claro, isso não é mais do que a sua obrigação.

OSCAR. É também a minha convicção, Professor.

LÖWENSTEIN. Assim como a minha, Professor. Eu acho que só alguém com muita malícia poderia transformar um incidente completamente inocente em um escândalo. E, para ser sincero, ninguém faria isso caso Bernhardi não fosse judeu. 

FILITZ. Lá vem vocês de novo com essas ideias fixas. Eu sou antissemita também? Eu que sempre tenho pelo menos um assistente judeu? Contra judeus decentes não existe antissemitismo.

LÖWENSTEIN. O que eu estou dizendo é…

FILITZ. Se um cristão tivesse se comportado como Bernhardi, isso teria se tornado um escândalo também. O senhor sabe muito bem disso, caro Löwenstein.

LÖWENSTEIN. É provável. Mas daí milhares ou centenas de milhares apoiariam esse cristão, que não tomariam uma posição ou até mesmo não ficariam contra ele.

FILITZ. Quem? 

LÖWENSTEIN. Os alemães-nacionalistas e, claro, os judeus, quero dizer, refiro-me àqueles que nunca perdem a oportunidade de buscar proteção daqueles que estão no poder.

FILITZ. Perdoe-me, caro Löwenstein, isso beira à paranoia. E eu gostaria de dizer aqui que são pessoas exatamente como o senhor, caro Löwenstein, com o seu antissemitismo desbaratado, os principais responsáveis por essa lamentável intensificação das diferenças. Seria muito melhor se…

(Bernardi entra. Filitz, Löwenstein, Oscar).

BERNHARDI. (de bom humor, com o seu sorriso irônico, cumprimenta e estende as mãos). Ah, meus senhores. Qual a nova? Estamos quebrados? Ou alguém nos doou um milhão?

OSCAR (entrega a carta). A Princesa renunciou como patronesse do nosso baile.

BERNHARDI (olha para a carta). Então teremos que procurar outra patronesse. (brinca com Oscar). Ou você também vai renunciar como presidente, meu filho?

OSCAR (um pouco ofendido). Papai…

LÖWENSTEIN. Caro Bernhardi, o seu filho acabou de se declarar formalmente a seu favor.BERNHARDI (acaricia os cabelos de Oscar). Ah, obviamente. Não leve a mal o que eu falei, Oscar. E você, Löwenstein, eu não preciso nem perguntar. Mas o que há com você, Filitz? Está fazendo uma cara como se tivéssemos quebrados.

OSCAR. Agora eu vou embora. (sorridente). Às seis horas temos uma reunião do comitê do baile. Tenham um bom dia, senhores. (ambos estendem a mão). Ah, é, papai, o Dr. Feuermann esteve aqui. Disse que escreveu pra você.

BERNHARDI. Ah, sim.

FILITZ. Não se preocupem com esse Feuerstein. Se for possível, eu livro a barra dele (com olhar de triunfo para Löwenstein), mesmo que ele seja judeu.

OSCAR. Eu acredito honestamente, Professor, que ele não é uma pessoa indecente…

FILITZ. Sem dúvidas, sem dúvidas. Bom dia, caro colega.

Oscar sai.

Dritter Akt

Sitzungssaal im  Elisabethinum. In der üblichen Weise eingerichtet. Langer grüner Tisch in der Mitte, Schränke, zwei Fenster rückwärts, Mitte.
Photographien von berühmten Ärzten, ein Porträt der Kaiserin Elisabeth über der Eingangstüre links. Es ist Abend, künstliche Beleuchtung. Lüster mitgroßem grünen Schirm. Anfangs noch nicht alle Flammen aufgedreht. Seite rechts an der Wand kleinerer Tisch. Hochroitzpointner, sitzend über einem großen Protokollbuch, von einem
andern Blatt abschreibend. Dozent Dr. Schreimann. tritt ein. Er ist groß, glatzköpfig, schwarzermartialischer Schnurrbart, Schmiß über der Stirn, Brille. Auffallend tiefes, biederes Bierdeutsch, betont österreichischer Dialekt mit plötzlich
durchschlagenden jüdischen Akzenten.

HOCHROITZPOINTNER springt auf. Habe die Ehre, Herr Regi – Herr Dozent.
SCHREIMANN. Servus. Na, ausg’schlafen vom Ball, Hochroitzpointner?
HOCHROITZPOINTNER. Ich habe mich gar nicht niedergelegt, Herr Dozent. Es war nimmer der Müh wert. SCHREIMANN da Hochroitzpointner noch immer in einer Habachtstellung steht. Aber bequem, bequem.
HOCHROITZPOINTNER in gemütlicherer

Stellung. Bis sieben habe ich getanzt, um acht war ich schon auf der internen Abteilung, um zehn auf der chirurgischen, um zwölf –
SCHREIMANN ihn unterbrechend, setzt sich an den Tisch. Hören S’ schon auf, ich weiß ja, daß Sie überall sind. Und jetzt haben Sie das Protokoll von der letzten Sitzung ins Reine g’schrieben?
HOCHROITZPOINTNER. Bin leider nicht früher dazu gekommen, Herr Dozent.

SCHREIMANN. Aber, aber, ist ja überhaupt nicht Ihre Pflicht. Ich spreche Ihnen in meiner Eigenschaft als Schriftführer den Dank aus. Haben S’ nur alles gut lesen können? Zu ihm hin, im Protokoll lesend, murmelnd. Abstimmung – Vier Stimmen für den außerordentlichen Professor an der Grazer Universität Hell, vier für den Doktor S. Wenger – Zu Hochroitzpointner gewandt. Samuel –
HOCHROITZPOINTNER. Das wird aber doch nicht ausgeschrieben.
SCHREIMANN. Möcht wissen, warum. Mein Großvater zum Beispiel hat Samuel geheißen und hat sich immer ausgeschrieben, und ich heiße Siegfried und schreib mich auch immer aus.
HOCHROITZPOINTNER dumm. Jawohl, Herr Regimentsarzt.
SCHREIMANN. Aber ich bin doch nimmer Ihr Regimentsarzt. Er liest weiter. Der Direktor machte von seinem statutengemäßen Recht Gebrauch, bei Stimmengleichheit zu dirimieren, und entschied für Dozenten Doktor Wenger, womit dieser als Chef der Abteilung für Dermatologie und Syphilis
gewählt erscheint. Kleine Pause. Na, sind Sie zufrieden mit Ihrem neuen Chef?
HOCHROITZPOINTNER unwillkürlich die Hacken zusammenschlagend Gewiß.
SCHREIMANN lachend, ihm die Hand auf die Schulter legend. Aber was machen S’ denn, Hochroitzpointner? Sie sind doch nimmer militärischer Eleve unter mir.
HOCHROITZPOINTNER. Leider, Herr Dozent. Waren schöne Zeiten.
SCHREIMANN. Ja, jünger waren wir halt. Aber sagen Sie mir, Hochroitzpointner, weil wir schon dabei sind, wann gedenken Sie eigentlich Ihr letztes Rigorosum zu machen?

Ebenwald tritt ein. Schreimann, Hochroitzpointner.
EBENWALD. Ja, das frag ich ihn auch immer.
HOCHROITZPOINTNER. Habe die Ehre, Herr Professor.
EBENWALD. Servus, Schreimann.
SCHREIMANN. Servus.
EBENWALD. Wissen S’ was, Hochroitzpointner, Sie sollten nächstens einmal Urlaub nehmen von den verschiedenen Abteilungen und büffeln.
Verstehn S’, büffeln, damit Sie endlich fertig werden. Was machen Sie übrigens da im Sitzungszimmer?
SCHREIMANN. Der Doktor war so freundlich und hat mir das Protokoll ins Reine geschrieben.
EBENWALD. Also das auch noch. Nein, was das Elisabethinum ohne den Hochroitzpointner anfangen möcht! – Und gestern auf dem Ball waren Sie doch Vortänzer?
HOCHROITZPOINTNER dumm. Vor- und Nachtänzer, Herr Professor.
SCHREIMANN. Und hat sich nicht einmal niedergelegt.
EBENWALD. Ja, die jungen Leut! – Na, wie war’s denn?
HOCHROITZPOINTNER. Riesig voll. Sehr animiert.
EBENWALD zu Hochroitzpointner. Wissen Sie, wo Sie heut nacht getanzt haben, Hochroitzpointner? Auf einem Vulkan.
HOCHROITZPOINTNER. Es war auch sehr heiß, Herr Professor.
EBENWALD lacht. Ha! Also Urlaub nehmen, Prüfungen machen und nicht mehr auf Vulkanen tanzen! Auch auf keinem ausgekühlten. Servus! Reicht ihm verabschiedend die Hand.

SCHREIMANN tut dasselbe.
HOCHROITZPOINTNER schlägt wieder die Hacken zusammen.
EBENWALD. Wie ein Leutnant! –
SCHREIMANN. Hab’s ihm grad g’sagt.
HOCHROITZPOINTNER ab.


Schreimann, Ebenwald.
EBENWALD. Also, Seine Exzellenz der Unterrichtsminister ist auch dort gewesen?
SCHREIMANN. Ja, und hat sogar mindestens eine halbe Stunde mit Bernhardi konversiert.
EBENWALD. Es ist doch sonderbar.
SCHREIMANN. Ich bitte dich, auf einem Ball.
EBENWALD. Aber er muß doch wissen, daß das Kuratorium demissioniert hat.
SCHREIMANN. Und wenn auch, war doch sogar ein Mitglied des Kuratoriums auf dem Ball.
EBENWALD. Wer?
SCHREIMANN. Der Hofrat Winkler.
EBENWALD. Der ist immer so ein Frondeur.
SCHREIMANN. Übrigens, offiziell ist ja die Sache noch nicht.
EBENWALD. So gut wie offiziell. Die Sitzung ist doch heute jedenfalls wegen der Demission anberaumt. Na – Zögernd. kann ich mich auf dich
verlassen, Schreimann?
SCHREIMANN leicht. Ich erlaube mir diese Frage etwas sonderbar zu finden.
EBENWALD. Na, hör auf, wir sind doch keine Studenten mehr.
SCHREIMANN. Du kannst dich immer auf mich verlassen, wenn ich deiner Ansicht bin. Und da ja das glücklicherweise meistens der Fall ist – EBENWALD. Es könnte aber vielleicht doch Fragen geben, in denen dir ein Zusammengehen mit mir gewisse Bedenken verursachen würde.
SCHREIMANN. Ich habe dir schon einmmal gesagt, lieber Ebenwald, diese ganze Affäre ist meiner Ansicht nach überhaupt nicht von irgendeinem religiösen oder konfessionellen Standpunkt, sondern vielmehr von dem des
Taktes aus zu betrachten. Also, auch wenn ich Nationaljude wäre, ich würde in diesem Falle gegen Bernhardi Stellung nehmen. Aber abgesehen davon, erlaube ich mir, dich wieder einmal darauf aufmerksam zu machen, daß ich Deutscher bin, geradeso wie du. Und ich versichere dich, wenn sich einer von meiner Abstammung heutzutage als Deutscher und Christ bekennt, so gehört dazu ein größerer Mut, als wenn er das bleibt, als was er auf die Welt gekommen ist. Als Zionist hätt ich’s leichter gehabt. 

EBENWALD. Schon möglich. Eine Professur in Jerusalem wär dir sicher gewesen.
SCHREIMANN. Öde G’spaß.
EBENWALD. Na, Schreimann, du weißt doch, wie ich zu dir stehe, aber du mußt doch andererseits begreifen, wir leben in einer so konfusen Zeit – und in einem so konfusen Land –
SCHREIMANN. Du, komm mir nicht vielleicht wieder mit den anonymen Briefen.
EBENWALD. Ah, denkst du noch daran? Übrigens, die waren gar nicht anonym. Die waren mit vollem Namen unterschrieben, von guten alten Freunden aus der Studentenzeit. Natürlich haben die sich gewundert, daß ich mich für dich so engagiert hab. Du darfst ja nicht vergessen, lieber Schreimann, auf der Universität und noch später als alter Herr war ich ein Führer der Deutschnationalen strengster Observanz. Und du weißt, was das heißt: Wacht am Rhein – Bismarckeiche Waidhofner Beschluß – Juden wird
keine Satisfaktion gegeben, auch  Judenstämmlingen –
SCHREIMANN. Ist doch manchmal nicht anders gegangen trotz der strengsten Observanz. Den Schmiß da hab ich noch als Jud gekriegt.
EBENWALD. Na, leben wir nicht in einem konfusen Land? Auf deinen jüdischen Schmiß bist du heut noch stolzer als auf dein ganzes Deutschtum.

Ato III

Sala de reuniões na clínica Elisabethinum. Mobiliada de maneira padrão. Armários, uma mesa comprida no centro, e duas janelas no fundo. Fotografias de médicos famosos, um retrato da Imperatriz Elisabeth em cima da porta de entrada, no lado esquerdo. É noite, iluminação artificial. Lustre com grande sombra verde. Nem todas as chamas se acendem logo. No lado direito, uma pequena mesa encostada na parede. Hochroitzpointner está debruçado sobre um grande livro de registros, copiando anotações de uma folha de papel. O professor Dr. Schreimann entra. Ele é alto, careca, usa óculos, tem bigode preto e uma cicatriz na testa. Chamativo, fala de modo formal, enfatizando o dialeto austríaco com um marcante sotaque judeu.

HOCHROITZPOINTNER (se levanta de sobressalto) Olá, dire…, Professor Schreimann. 

SCHREIMANN Olá, Hochroitzpointner. Conseguiu dormir um pouco depois do baile?

HOCHROITZPOINTNER Não dormi nem um pouco, professor. Não valia a pena.

SCHREIMANN (vê que Hochroitzpointner ainda está de pé) Fique à vontade, garoto.

HOCHROITZPOINTNER (fica em uma posição mais confortável) Dancei até às sete horas, às oito eu já estava no departamento de Medicina, às dez no de Cirurgia, ao meio-dia…

SCHREIMANN (interrompe e se senta na mesa) Chega, pode parar, sei bem que você sempre está por aí. Está passando a limpo a ata da última reunião?

HOCHROITZPOINTNER Não consegui fazer antes, sinto muito.

SCHREIMANN Não se preocupe, nem é tarefa sua. Como secretário, permita-me agradecê-lo por isso. Deu para ler? (vai até ele, lê os registros e murmura) Votação. Quatro votos para o professor Hell, da Universidade de Graz, e quatro votos para o Dr. S. Wenger (vira-se para Hochroitzpointner) Samuel…

HOCHROITZPOINTNER Geralmente não se escreve o nome completo.

SCHREIMANN Gostaria de saber por que não. Meu avô, por exemplo, se chamava Samuel e sempre escreveu o nome completo. Eu me chamo Siegfried e sempre escrevo meu nome completo também. 

HOCHROITZPOINTNER (sem graça) Certo, chefe.

SCHREIMANN Não sou mais o seu chefe. (continua a ler) O diretor exerceu seu direito de decidir os votos em caso de empate e votou a favor do Dr. Wenger, que foi formalmente eleito como Chefe do Departamento de Dermatologia e Sífilis. (faz uma pausa) E então, está satisfeito com o seu novo chefe?

HOCHROITZPOINTNER (bate involuntariamente os calcanhares) Claro.

SCHREIMANN (ri e coloca a mão sobre os ombros dele) O que há com você, Hochroitzpointner? Sabe, já não é mais um aluno militar sob o meu comando.

HOCHROITZPOINTNER Infelizmente, professor. Foram bons tempos.

SCHREIMANN Pois é, éramos jovens naquela época. Mas, me diga, já que tocamos no assunto, quando pretende fazer a sua prova final?

Ebenwald entra. Schreimann, Hochroitzpointner.

EBENWALD Pois é, é o que eu sempre pergunto para ele.

HOCHROITZPOINTNER Boa noite, Prof. Ebenwald.

EBENWALD Olá, Schreimann.

SCHREIMANN Boa noite.

EBENWALD Sabe, Hochroitzpointner, o que você deveria fazer é sair de férias gerais e estudar para a prova. Estude bastante e acabe logo com isso. A propósito, o que você está fazendo aqui na sala de reuniões?

SCHREIMANN Foi tão prestativo que passou a limpo a ata da reunião.

EBENWALD Até isso. O que seria da clínica sem ele?!  E no baile de ontem, você foi o primeiro a dançar, não é mesmo?

HOCHROITZPOINTNER (sem graça) O primeiro e o último, professor.

SCHREIMANN E ainda não dormiu nem um pouco.

EBENWALD Ah, os jovens! Como foi o baile?

HOCHROITZPOINTNER Lotado. Muito animado.

EBENWALD (para Hochroitzpointner) Sabe onde você estava dançando ontem? Em um vulcão!

HOCHROITZPOINTNER E estava bem quente mesmo, professor.

EBENWALD (gargalha) É hora então de sair de férias, fazer a prova e nunca mais dançar em um vulcão! Nem mesmo se estiver apagado. Até logo! (estende as mãos e se despede)

SCHREIMANN (faz o mesmo)

HOCHROITZPOINTNER (bate os calcanhares de novo)

EBENWALD Como um tenente!

SCHREIMANN Acabei de dizer isso a ele.

HOCHROITZPOINTNER (sai).

Schreimman, Ebenwald.

EBENWALD Então, o Ministro da Educação estava lá também?

SCHREIMANN Estava. Ficou pelo menos meia hora conversando com Bernhardi.

EBENWALD Isso é meio estranho.

SCHREIMANN Em um baile não é tão estranho assim.

EBENWALD Ele deve saber que o conselho administrativo renunciou.

SCHREIMANN Pode ser, mesmo assim havia um membro do conselho no baile.

EBENWALD Quem?

SCHREIMANN O Conselheiro Winkler.

EBENWALD Como sempre, é um agitador político.

SCHREIMANN Além do mais, o negócio todo ainda não está oficializado.

EBENWALD Mas parece que já é oficial.  Aliás, a reunião para discutir a renúncia deles foi marcada para hoje. Bom… (hesitante) Posso contar com você, Schreimann?

SCHREIMANN (despreocupado) Permita-me dizer…acho essa pergunta um pouco estranha.

EBENWALD Ah, pare com isso, nós não somos mais estudantes.

SCHREIMANN Você pode sempre contar comigo desde que eu concorde com você. E, felizmente, geralmente é esse o caso…

EBENWALD Mas talvez haja questões que podem lhe causar certa preocupação, se você sempre concordar comigo.

SCHREIMANN Como já disse, meu caro Ebenwald, na minha opinião, esse caso todo não deveria ser tratado como algo religioso ou confessional, mas como uma questão de tato.

Em outras palavras, mesmo se eu fosse um judeu sionista, eu seria contra Bernhardi. Mas, independente disso, permita-me lembrá-lo de que eu sou germânico assim como você. E posso te assegurar que, hoje em dia, para alguém com as minhas origens, é preciso ter muito mais coragem para se declarar germânico e cristão do que judeu. Como sionista seria muito mais fácil.

EBENWALD Bem provável. Você com certeza teria uma cátedra em Jerusalém.

SCHREIMANN Piada sem graça, hein.

EBENWALD Bem, Schreimann, você sabe o que acho de você, mas tem que entender que vivemos em uma época confusa…e em um país tão confuso…

SCHREIMANN Não me venha falar sobre as cartas anônimas de novo.

EBENWALD Ah, ainda está pensando nisso? A propósito, nem foram anônimas de jeito nenhum. Foram assinadas com o nome completo de alguns amigos meus dos tempos de faculdade. Óbvio que ficaram surpresos que você se tornou meu protegido. Não se esqueça, caro Schreimann, na universidade e mesmo anos depois, eu liderava um dos grupos alemães-nacionalistas mais estritos. Você sabe o que isso significa: “A guarda do Reno” – os carvalhos de Bismarck – Resolução de Waidhofen – nenhuma satisfação dada aos judeus, nem aos descendentes…

SCHREIMANN Às vezes acontece mesmo, apesar das regras tão rigorosas. Essa cicatriz aqui, eu ganhei enquanto duelava ainda como judeu. 

EBENWALD Viu só como vivemos em um país confuso? Hoje você tem mais orgulho da sua cicatriz judaica do que da sua herança germânica.

ALGUMAS OBRAS

A obra completa de Arthur Schnitzler em alemão está publicada em: SCHNITZLER, Arthur. Arthur Schnitzler: Gesammelte Werke. Andhof Verlag, 2015/2016.

Abaixo, elencamos alguns dos dramas mais relevantes do autor:

*Os títulos em português, indicados entre colchetes, são traduções de autoria própria, de caráter provisório e informativo ao público lusófono, em especial brasileiro. Não se trata, portanto, de propostas para publicação. As obras que, porventura, tenham tradução publicada no Brasil, estarão destacadas em negrito nesta seção, também com o título oficial publicado em português, e podem ser conferidas na seção RECEPÇÃO NO BRASIL, na subseção referente às traduções.

Anatol (1893)

Liebelei [Namorico] (1895)

Freiwild [Caça livre] (1898)

Das Vermächtnis [O legado] (1898)

Paracelsus [Paracelso] (1898)

Der grüne Kakadu [A cacatua verde] (1899)

Der Schleier der Beatrice [O véu de Beatriz] (1900)

Reigen [A ciranda] (1903)

Zwischenspiel [Intervalo](1905)

Zum großen Wurstel [Ao grande Wurstel] (1906)

Das weite Land [Um vasto território] (1910)

Der junge Medardus [O jovem Medardus] (1910)

Professor Bernardi (1912)

Fink und Fliederbusch [Fink e Fiederbusch] (1917)

Komödie der Verführung [Comédia da sedução] (1924)

TRADUÇÕES BRASILEIRAS

Aurora (2019) [Spiel im Morgengrauen, 1927], traduzido por Marcelo Backes, Boitempo.

Breve Romance de Sonho (2008) [Traumnovelle, 1926], traduzido por Sérgio Tellaroli, Cia. De Bolso.

Breve Romance de Sonho (2003) [Traumnovelle, 1926], traduzido por Sérgio Tellaroli, Folha de São Paulo.

Contos de amor e morte (1987), traduzido por George Sperber, Companhia das Letras.

Crônica de uma vida de mulher (2008) [Therese, 1928], traduzido por Marcelo Backes, Editora Record.

Juventude em Viena: uma autobiografia (2012) [Jugend in Wien, 1968], traduzido por Marcelo Backes, Editora Record.

O caminho para a liberdade (2011) [Der Weg ins Freie, 1908], traduzido por Marcelo Backes, Editora Record.

O médico das termas (2011) [Doktor Gräsler, Badearzt], traduzido por Marcelo Backes, Editora Record.

O retorno de Casanova (1988) [Casanovas Rückkehr, 1918], traduzido por Günther H. Wetzel, Companhia das Letras.

O tenente Gustl (2012) [Leutnant Gustl, 1900], traduzido por Marcelo Backes, Editora Record.

Senhorita Else (1985), Paz e Terra (sem informação sobre o tradutor).

A senhora Beate e seu filho (2001) [Frau Beate und ihr Sohn, 1913], traduzido por Marcelo Backes, L&PM.

PEÇAS ENCENADAS NO BRASIL

La Ronde. Encenação de Ulysses Cruz, Teatro SESC Anchieta, São Paulo, 1991.

Ao papagaio verde. Escola de Arte Dramática EAD/ECA/USP, adaptação de Bosco Brasil e direção de Ariela Goldmann, Teatro Laboratório ECA/USP, São Paulo, 2000.

Blue Room. Direção de José Possi Neto, 2002. 

La Ronde. Direção de Marcelo Marcus Fonseca, Teatro Imprensa, São Paulo, 2008.

Blue Room. Direção de José Possi Neto, Teatro Tuca, São Paulo, 2002. 

Dez Encontros. Direção de Isser Korik, Teatro Folha, São Paulo, 2015.

Contos de amor e morte. Direção de José Luiz Jr., Parque das Ruínas, Rio de Janeiro, 2016.

Anatol. Grupo Tapa, direção de Eduardo Tolentino de Araújo, Teatro São Caetano, São Paulo, 2018.

La Ronde. 5º Festival Midrash de Teatro, direção e adaptação de Marcus Alvisi, Midrash Centro Cultural, Rio de Janeiro, 2019.

Despedida de Solteiro. Grupo Tapa, direção de Eduardo Tolentino de Araujo, Teatro Aliança Francesa, 2021.

A Roda. Companhia de Teatro do Conservatório de Tatuí, direção de Miriam Rinaldi, Teatro Procópio Ferreira, São Paulo, 2023

O que vão dizer de nós. Direção de Miwa Yanagizawa e Luisa Friese, Espaço Sérgio Porto,, Rio de Janeiro, 2024.

ADAPTAÇÕES CINEMATOGRÁFICAS

Anatol: The Affairs of Anatol (1921), de Cecil B. DeMille

Casanovas Rückkehr: Le Retour de Casanova (1992), de Édouard Niermans  

Der junge Medardus: Der junge Medardus (1923), de Michel Kertesz  

Das weite Land: Das weite Land, (1987), de Luc Bondy; Das weite Land (1970), de Peter Beauvais

Der grüne Kakadu: Der grüne Kakadu, (1955), de Alois Johannes Lippl; Der grüne Kakadu (1963), de Michael Kehlmann

Doktor Gräsler, Badearzt. Mio caro dottor Gräsler (1990), de Roberto Faenza. 

Fräulein Else: Fräulein Else (1929), de Paul Czinner; El ángel desnudo (1946), de Carlos Hugo Christensen; Else (2013), de Anna Martinetz.

Freiwild: Fair Game (1928), de Rigmor Holger-Madsen

Leutnant Gustl: Leutnant Gustl (1963), de John Olden

Liebelei: Elskovsleg (1913), de August Blom e Holger-Madsen; Liebelei (1927), de Jakob Fleck und Luise Kolm; Playing at love (1933), de Max Ophüls; Christine (1958), de Pierre Gaspard-Huit

Traumnovelle: Traumnovelle (1969), de Wolfgang Glück; Eyes wide shut (1999), de Stanley Kubrick; 360 (2012), de Fernando Meirelles

Reigen: La ronde (1950), de Max Ophüls; Das Liebeskarussell (1965), de Rolf Thiele, Axel von Ambesser e Alfred Weidenmann; La ronde (1967), de Roger Vadim; Reigen (1973), de Otto Schenk; Unschuld (2008), de Andreas Morell; 360 (2012), de Fernando Meirelles; Deseo (2013), de Antonio Zavala

Spiel im Morgengrauen: Daybreak (1931), de Jacques Feyder; La dernière carte (1974), de Marcel Cravenne; Spiel im Morgengrauen (2001), de Götz Spielmann

REFERÊNCIAS

HABERICH, Max M. W. Arthur Schnitzler’s Professor Bernhardi: Anti-Semitism on the Stage and in Reality. Central Europe, 10(2), 124–142, 2012.

LEAL, Alice. Arthur Schnitzler e a linguagem na ficção. Revista Versalete, Curitiba, v. 5, n. 8, jan-jun. 2017.

SCHNITZLER, Arthur. Arthur Schnitzler: Gesammelte Werke. Andhof Verlag, 2015/2016.

WOLF, Claudia. Arthur Schnitzler und der Film: Bedeutung. Wahmehmung. Beziehung. Umsetzung. Erfahrung. Universität Karlsruhe, 2006.

ZEYRINGER, Klaus; GOLLNER, Helmut. Áustria: uma história literária: literatura, cultura e sociedade desde 1650. Tradução e adaptação de Ruth Bohunovsky. Curitiba: Editora UFPR, 2019.

Reportagens

https://guia.folha.uol.com.br/teatro/2018/08/grupo-tapa-encena-texto-inedito-de-arthur-schnitzler-no-brasil.shtml. Acesso em: 14 de fev. 2024.

https://www.sympla.com.br/evento/la-ronde-5-festival-midrash-de-teatro/552401?referrer=www.google.com. Acesso em: 14 de fev. 2024.

https://www.conservatoriodetatui.org.br/noticia/companhia-de-teatro-do-conservatorio-de-tatui-celebra-nova-fase-sob-a-direcao-de-miriam-rinaldi-em-espetaculo-a-roda/. Acesso em: 14 de fev. de 2024.

https://www.eca.usp.br/sites/default/files/inline-files/Ao%20papagaio%20verde.pdf. Acesso em: 15 de fev. 2024.

https://rotacult.com.br/2024/04/o-que-vao-dizer-de-nos-no-espaco-sergio-porto/. Acesso em: 15 de fev. 2024.

https://guia.folha.uol.com.br/teatro/ult10053u453504.shtml. Acesso em: 15 de fev. 2024.

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2606200216.htm. Acesso em: 14 de fev. 2024.

https://murilorosa.com.br/Personagem/42/Blue-Room. Acesso em: 5 jul. de 2024.

https://www.oliberal.com/cultura/agenda/teatro-e-danca/teatro-do-sesi-traz-peca-um-homem-sem-titulos-e-belem-recebe-despedida-de-solteiro-1.349549. Acesso em: 14 de fev. 2024.

https://siterg.uol.com.br/cultura/2021/01/23/grupo-tapa-encena-mostra-online-do-teatro-alianca-francesa/. Acesso em: 15 de fev. 2024.

https://redeglobo.globo.com/globoteatro/noticia/2016/05/contos-de-amor-e-morte-une-teatro-performance-depoimentos-e-show.html. Acesso em: 5 jul. de 2024.

https://almeida.co.uk/whats-on/the-doctor/. Acesso em: 23 de nov. 2024.

https://www.narodni-divadlo.cz/en/show/rej-119796285. Acesso em: 23 de nov. 2024.